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A arte em seu significado mais geral corresponde a todo conjunto de regras capazes de dirigir uma atividade humana qualquer. Platão cogitava de Arte, e, por isso, não estabeleceu a distinção entre a arte e a ciência da arte.
 
Para Platão é a arte do raciocínio, tal como a própria filosofia, no grau mais elevando e intenso, ou seja, é a dialética. A arte é poesia, embora lhe seja indispensável a inspiração delirante.
 
A arte é política e a guerra. A arte é a medicina. A arte é respeito e justiça, sem os quais os homens não podem viver juntos no mundo. O domínio global do conhecimento é dividido em duas artes, a saber: judiciativa e a dispositiva ou imperativa, das quais a primeira consistente em conhecer simplesmente e a segunda em dirigir uma determinada atividade com base no conhecimento.
 
Assim, para Platão a arte corresponde a todas as atividades humanas ordenadas inclusive a ciência e distingue-se, seu complexo, da natureza. Aristóteles restringiu severamente o conceito de arte. Em primeiro lugar, a retirou do âmbito da Arte, a esfera da ciência, que é a do necessário, ou seja, do que não pode ser diferente do que é.
 
Em segundo lugar, dividiu o que não pertence à ciência, isto é, o possível (o que pode ser de um modo ou de outro) no que pertence à ação e no que pertence à produção, somente o possível que é o objeto de produção que se traduz em ser o objeto de arte[1].
 
Nesse sentido, diz-se que a arquitetura é uma arte e que se define como o hábito acompanhado pela razão e de produzir alguma coisa.
 
O âmbito da Arte, vem, assim restringir-se muito. São artes, a saber: a retórica e a poética[2], mas não é arte, a analítica (lógica) cujo objeto é necessário.
 
E, ainda no rol das artes, incluo as artes manuais ou mecânicas, como é também arte, a medicina, a enfermagem, ao passo que a física e a matemática, não o são.
 
Esse é, pelo menos, o ponto de vista de Aristóteles, visto que as páginas com que abriu sua obra Metafísica parecem estabelecer uma distinção puramente de grau entre a arte e a ciência[3], situando a arte como intermediária entre a experiência e a ciência.
 
A sabedoria é conhecimento teórico enquanto que a arte é produtiva. Tal distinção aristotélica não foi, porém, adotado em todo seu rigor pelo mundo antigo e medieval.
 
Debater sobre o conceito de arte, nos encaminha para a estética, uma disciplina filosófica heterogênea e que por muito tempo foi enxergada pelo viés da teoria do belo[4], tal como a teoria do gosto, e que sofre fortemente as influências históricas, sociais, políticas e particularmente ideológicas.
 
A estética corresponde ao ramo da filosofia que inclui conjunto de conceitos e problemas muito variados, e pode parecer aos olhos ingênuos uma matéria demasiadamente dispersa e quase intangível. Mas, trata-se de primitiva visão que é superável.
 
Basta lembrar que a estética como disciplina filosófica se ocupa de problemas, teorias e argumentos sobre a arte. A estética sintetiza a filosofia da arte[5].
 
Precisamos em primeiro lugar nos libertar do uso vulgar e comum da palavra "estética". Posto que a estética[6] se ocupe dos chamados objetos estéticos. Tais objetos provocam em nós a chamada experiência estética que é resultante da contemplação dos objetos estéticos.
 
E, nos ajuda a formar os juízos estéticos, que são juízos sobre os objetos estéticos e que nos fazem aceitar a beleza ou não destes.
 
O conceito do belo é a essência da beleza. Todavia essa pode estar maquiada, ou seja, montada sobre arquétipos, histórias, justificativas e até ideologias.
 
A verdade é que tanto a teoria do belo como a teoria do gosto se dirigem de forma particular para as obras de arte. Mas, o crucial problema é saber o que é belo, e ainda, identificar a distinção entre o belo natural e o belo artístico. Por essa razão os defensores da teoria do gosto procuraram a compreender o porquê que a arte se situa na origem da maioria dos nossos juízos de gosto.
 
Temos uma sincera dificuldade em considerar belas as obras das quais não gostamos e não podemos deixar de considerá-las como obras de arte... A Mona Lisa, por exemplo, é uma senhora de poucas qualidades estéticas... seria a priori feia, porém, enigmática pois não descobrimos se está ou não sorrindo.
 
Ademais o desenvolvimento da arte consegue ainda erguer problemas sobre os conceitos do belo e de gosto e que estes não conseguem deslindar sobre a arte da arte. O que torna evidente quando, por exemplo, os gostos e a própria noção de belo e se podem modificar à medida que contatamos com diferentes obras de arte (a ideia de que a arte educa os gostos e influencia a nossa própria noção de belo).
 
A filosofia da arte é, por sua vez, formada por um conjunto de problemas acerca da arte, para a resolução dos quais concorrem diferentes teorias. E, algumas dessas teorias e os argumentos que as sustentam serão ora debatidos, particularmente aquelas teorias que possuem um conteúdo aparentemente mais intuitivo, ou seja, aquelas que colhem a adesão espontânea de grande parte das pessoas que se defrontam pela primeira vez de forma direta com o problema. São também as teorias mais antigas e que, embora com menor poder explicativo, focam de maior popularidade[7].
 
O primeiro desafio para qualquer teoria da arte é a própria definição de arte[8] ou de obra de arte.  Há quem defenda que definir um conceito é dizer em que consiste e caso não saibamos defini-lo dessa maneira também não estamos em condições de o utilizar adequadamente.
 
É cediço que uma obra é arte se, e somente se, for produzida pelo homem e imita algo. Diversos filósofos que se referiram à arte como imitação. E, alguns até desprezavam-na por isso mesmo, conforme acontecia com o filósofo Platão que, ao considerar que as obras de arte imitavam os objetos naturais, apesar de seriam ainda assim imagens imperfeitas se comparadas aos seus originais.
 
Já Aristóteles[9] apesar de manter a ideia de arte como imitação, tinha opinião mais favorável à arte, pois se os objetos que a arte imita não são, segundo o filósofo, cópias de nada[10].
 
O primeiro aspecto de analisar o objeto de arte é o do domínio empírico, e ao saber que muitas obras de arte imitarem algo, inúmeras são aquelas que não o fazem. Assim o é na literatura e na música.
 
Por isso, os mais novos defensores da teoria da arte como imitação, acabaram por substituir o conceito de imitação pelo conceito mais sofisticado e complexo de representação.
 
De forma que poderíamos afirmar que as quatro primeiras notas da quinta sinfonia de Beethoven não imitam a morte a bater à porte, porém, representam a morte que está a bater à porta. E, o mesmo se dá com a literatura, da qual talvez não se possa dizer que imita, mas que representa sempre algo que acontece no mundo.
 
Com a insatisfação com a teoria da arte como imitação ou representação, muitos pensadores e artistas românticos do século XIX então propuseram uma definição de arte que procurou se libertar das limitações da teoria pretérita, e ao mesmo tempo, que deslocava o artista ou criador para a chave da compreensão da arte.
 
Assim, temos a teoria da arte como expressão que na maioria das vezes é aceita sem questionamentos.
 
E, segundo a teoria da expressão, uma obra é arte se, e somente se, exprimir sentimentos e emoções do artista.
 
Tal teoria nos oferece algum rigor ao classificar os objetos como obras de arte. E, com a principal vantagem de que todas as obras de arte não imitam nada, o que acontece muito frequentemente na literatura e sempre na música e na arte abstrata[11].
 
O critério valorativo ainda nos informa que uma obra será um tanto melhor quanto mais adequadamente conseguir exprimir sentimentos do artista que a criou.
 
O notável compositor Richard Strauss que foi autor de diversos poemas sinfônicos tal como o célebre "Assim Falava Zaratustra, esclarecia que as suas obras eram resultado de um trabalho paciente e minucioso no sentido de as aperfeiçoar, eliminando desse modo os defeitos inerentes a qualquer produto emocional ou psicológico.
 
E então, o que cogitar sobre a chamada música aleatória[12], que é feita por recursos sonoros e produzidos ao acaso.
 
E, mesmo que uma obra de arte provoque certas emoções e sentimentos em nossas percepções, muito provavelmente tais emoções jamais tenham existindo em seu autor.
 
Novamente, a deficiência em relação ao critério classificatório é o mesmo apontado, antes referente à teoria da imitação. A única diferença é que, neste caso, uma maior quantidade de objetos pode ser classificados como artes. Porém, nem todas as obras de arte são, realmente, classificadas como tal.
 
O pai da psicanálise, Sigmund Freud[13] que se aventurou a sondar as profundezas da psicologia do artista, sem o que a escorreita avaliação da obra não seria possível.
 
Mas, diante da diversidade de obras de arte é bem mais ampla do que as teorias da imitação e da expressão que faziam supor, uma teoria mais refinada e complexa e, também a mais recente, conhecida como a teoria da forma significante, que também é chamada como teoria formalista e decidiu a abandonar a noção de que existe uma característica que possa ser diretamente encontrada em todas as obras de arte.
 
Tal teoria é defendida pelo filósofo Clive Bell[14], considera que não se deve começar por procurar aquilo que define uma obra de arte na própria obra, mas sim, no sujeito que a aprecia. Isso não significa que não haja uma característica comum a todas as obras de arte, mas que podemos identificá-la apenas por meio de um tipo de emoção peculiar, a que chamamos de emoção estética, que estas, e só essas, provocam em nós.
 
Por esta razão, a inclui entre as teorias essencialistas. Assim, por essa teoria, uma obra é arte se, e somente se, provocar nas pessoas emoções estéticas.
 
Não se alega que as obras de arte exprimam emoções, senão estar-se-ia a afirmar o mesmo que a teoria da expressão, mas que provocam as emoções nas pessoas, o que é diferente. Se a teoria da imitação se centrava nos objetos representados e a teoria da expressão focava-se no artista criador, a teoria formalista parte do sujeito sensível que aprecia as obras de arte.
 
Apenas em parte do sujeito e não que está centrada neste, ao contrário, nao seria coerente considerar que seja a teoria formalista.
 
A característica de provocar emoções estéticas constitui, simultaneamente, a condição necessária e suficiente para que um objeto seja considerado uma obra de arte. Mas, essa emoção peculiar é a chamada emoção estética, que é provocada somente pelas obras de arte, então há uma certa propriedade peculiar a todas as obras de arte, que seja capaz de provocar tal emoção nas pessoas. Tal característica segundo Clive Bell é a forma significante[15].
 
Por esta teoria parece que se pode incluir todo tipo de obras de arte, e não as que exemplifiquem as formas de arte existentes, mas as que ainda estão por inventar.
 
Observa-se ainda que a insuficiência das teorias essencialistas, de alguns filósofos da arte, tal como Morris Weitz[16] que abandonaram simplesmente a noção de que arte pode ser definida, e, até outros como Dickie que apresentaram noções não essencialistas da arte, recorrendo, nesse sentido, aos aspectos extrínsecos da própria arte, outros por sua vez, como Goodman[17] concluíram que se pode substituir o questionamento: O que é arte? Pelo questionamento: Quando há arte?
 
Os estoicos ampliaram muito novamente a noção de arte[18], afirmando-a como conjunto de compreensões, entendendo por compreensão, o assentimento ou uma representação compreensiva.
 
Em verdade, essa definição é a permite a distinção entre arte e ciência, e Plotino fez tal diferença porque desejou conservar o caráter contemplativo da ciência, o que a distingue da arte com base em sua relação com a natureza, e seu vigor produtivo e criativo.
 
 
 
 
 
 
Referências
 
ALMEIDA, Aires. O que é arte? Três teorias sobre um problema central da estética. Disponível em: http://criticanarede.com/fil_tresteoriasdaarte.html  Acesso em 30.09.2017.
LACOSTE, Jean. A Filosofia da Arte. Tradução: Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1986.
WARBURTON, Nigel. O que é Arte? 1ª edição. Lisboa: Editora Bizâncio, 2007.
 
[1] Uma obra de arte se difere de um objeto comum. O objeto comum possui apenas uma função prática e útil na sociedade e, geralmente, é produzido em série por indústrias. Porém, existem obras de arte que também podem apresentar uma utilidade prática. A obra de arte evoluiu com o tempo e com as mudanças religiosas, sociais e políticas.
De início considerado como objeto ritual e mágico e depois objeto de culto, «sagrado» inacessível e afastado do homem, que servia de veículo de representação às ideias e manifestações espirituais das diversas religiões, passou mais tarde a objeto «belo», mais acessível, acerca do qual se emite um «juízo» e de cuja fruição através da percepção (e simultaneamente da dissolução da percepção) se obtém um «prazer».
[2] A retórica trata da oratória, raciocínio e persuasão, conforme bem apontou Aristóteles em suas "Arte Retórica". Seu objetivo principal é persuadir, ou seja, tornar o falante convencedor através de técnicas rigorosas de argumentação. Já a poética pela visão de Aristóteles, trata com a poesia, mímesis, verossimilhança e catarse. E, a poética estuda as características dos três gêneros, a saber: o narrativo ou épico, o lírico e o dramático.
Nos quais predominam uma versificação na poesia, imitação das essências do mundo, aparência da verdade e o efeito moral e purificador. A título de ilustração, gostaria de ressaltar a catarse, que é esse efeito moral e purificador, que ocorre, por exemplo, na encenação de uma tragédia clássica, cuja situação dramática, de extrema intensidade e violência (para com o indivíduo), trazem à tona os sentimentos de terror e piedade dos espectadores, proporcionando-lhes o alívio, ou purgação desses seus próprios sentimentos. Assim, a Poética pode ser definida como a Arte da imitação ou representação.
[3] A noção de que a Arte e Ciência são campos opostos e inconciliáveis traduz um preconceito surgido na Idade Moderna. E, ao estudarmos o sistema das artes liberais da Idade Média, observamos que a primeira parte do ensino universitário era formada por três disciplinas que compunham o trivium (gramática latina, lógica e retórica), seguida pelas disciplinas do quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia).
Assim juntas constituíam as sete artes ou as artes liberais. E, neste período, o horizonte científico e o horizonte artístico se confundiam. A oposição entre a arte e ciência, está inscrita no pensamento que separou esses saberes e os manteve isolados em suas especialidades, como se não houvesse possibilidade de diálogo entre estes. A arte e ciência foram se afastando e, no paradigma dominante, passaram a assumir características, linguagens, métodos, processos cognitivos e vinculações epistemológicas independentes e diferenciadas e, às vezes, também opostas.
[4] O belo é, afinal, o produto do espírito e o belo natural do organismo vivo, é de fato, uma exteriorização confusa do espírito. O belo, pode, portanto, ser objeto de uma ciência.
[5] Historicamente, na Idade Média, as artes liberais ensinadas na universidade eram opostas às artes mecânicas, das quais a pintura fazia parte, estas últimas pertencendo às operações manuais vulgares, contrastando com as operações especulativas do espírito, como as da poesia, por exemplo. Já nos fins do século XIV, em Florença, os pintores reivindicavam para a nova pintura o status de uma arte liberal comparável à poesia.
[6] Estética é a área da filosofia que estuda racionalmente o belo – aquilo que desperta a emoção estética por meio da contemplação –  e o sentimento que ele suscita nos homens. A palavra estética vem do grego aesthesis, que significa conhecimento sensorial ou sensibilidade, e foi adotada pelo filósofo alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) para nomear o estudo das obras de arte como criação da sensibilidade, tendo por finalidade o belo.
Contemporaneamente, sob uma perspectiva fenomenológica, não existe mais a ideia de um único valor estético (o belo) a partir do qual julgamos todas as obras de arte. Cada objeto artístico estabelece seu próprio tipo de beleza, ou seja, o tipo de valor pelo qual será julgado.
[7] Arte Popular é a atribuição que se dá a produções artísticas (pintura, literatura, escultura, etc.) com relevante valor, de pessoas que nunca se especializaram em arte, de fato, frequentando escolas e etc. basicamente, é a arte do povo, sendo o Brasil, um dos principais celeiros de inúmeros artistas criativos da história do país. A cultura popular é a principal raiz dessa arte.
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[8] A designação do termo arte vem do latim Ars, que significa habilidade. É definida como uma atividade que manifesta a estética visual, desenvolvida por artistas que se baseiam em suas próprias emoções.
Geralmente a arte é um reflexo da época e cultura vivida.  A arte existe desde os primeiros indícios do desenvolvimento do homem, inicialmente utilizada para suprir necessidades de sobrevivência, como
utensílios de cozinha e inscrições em cavernas. No século V a. C., era considerada técnica, do grego tékn, onde esculturas e pinturas eram aprimoramentos técnicos.
[9] Duas obras são fundamentais para se compreender as noções de arte proposta por Aristóteles: Arte Retórica e Arte Poética. Comecemos pela primeira:
(a) A Arte Retórica para Aristóteles não constitui – como para os sofistas – a arte de persuadir, mas se caracteriza por conhecer os meios adequados para persuadir e os vários gêneros de persuasão.
O estagirita reconhece vários tipos de persuasão, sendo que esta deve sempre procurar tocar os sentimentos dos ouvintes. O orador se não dirige ao intelecto do ouvinte, mas aos seus sentimentos, suscitando medo, cólera, ódio, amor, piedade, etc.

Sendo assim, Aristóteles reconhece que o orador pode por meio de seus argumentos gerar sentimentos que não estavam presentes no ouvinte; (b) A Arte poética para Aristóteles pode ser trágica, lírica, cômica ou épica, sendo que por poesia o estagirita entende toda arte que imite (emule ou simule) caracteres, paixões e ações.
A poesia não é um conhecimento teórico como a filosofia, pois tem por finalidade imitar sentimentos humanos e não analisar a natureza das coisas. Além do mais, a linguagem da filosofia é o logos (demonstração) e da poesia o mito (narrativa). Todavia, a poesia volta-se para o universal, pois procura sempre trabalhar não com os sentimentos individuais deste ou daquele, mas como os sentimentos de todos e, nesse sentido, se aproxima da filosofia (universalidade). A poesia está mais próxima da filosofia do que da história, haja vista que a primeira se lança para o universal e a segunda para o particular
[10] O que atualmente chamamos de “belas-artes”, como a poesia, escultura, música, retórica, pintura, etc., são vistas por Aristóteles como técnicas.  Analisando o pensamento aristotélico no que concerne à arte, afirmava que a obra de arte é pensada em conformidade com determinadas regras, procedimentos de fabricação, dando às artes em geral um caráter normativo. 
O artista, aquele que domina uma determinada arte, segue essas normas para atingir o fim a que a arte se destina.  A concepção de poíesis, conforme defendia Aristóteles, afastasse bastante do que hoje denominamos arte, haja vista que propõe que o artista seja um mero executor, na medida em que segue à risca as técnicas prescritas de seu ofício, negando assim a liberdade criadora.
[11] Arte abstrata ou abstracionismo é um estilo artístico moderno em que os objetos ou pessoas são representados, em de pinturas ou esculturas, através de formas irreconhecíveis. O formato tradicional (paisagens e realismo) é deixado de lado na arte abstrata.
A arte abstrata surgiu no começo do século XX, na Europa, no contexto do movimento de Arte Moderna.  O precursor da arte abstrata foi o artista russo Kandinsky.  Com suas pinceladas rápidas de cores fortes, transmitindo um sentimento violento, Kandinsky marcou seu estilo abstracionista. Outro artista que ganhou grande destaque no cenário da arte abstrata do começo do século XX foi o holandês Piet Mondrian.
[12] Música ou composição aleatória é um estilo de música que se desenvolveu no Século XX na qual alguns dos elementos da composição são deixados ao acaso.  O termo foi inventado pelo compositor francês Pierre Boulez para descrever trabalhos a cujos executores eram dados certas liberdades com ressalvas para a ordem e repetição das partes da obra musical. A intenção de Boulez com o termo era distinguir seus trabalhos dos compostos por John Cage que se utilizava de operações improváveis para realizá-los.
[13] São basicamente dois os estudos de Freud que abordam as artes plásticas – Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância (1910) e Moisés de Michelangelo (1913).  Se, no primeiro, Freud já tentava operar a partir do cruzamento entre dois pontos de vista, o endopoiético e o exopoiético – isto é, o que considera os constituintes internos à obra e o que considera os fatores provenientes do contexto que a sustenta –, na leitura do Moisés, a primeira perspectiva fica mais clara, aprofundando o campo compreendido pelas estruturas subjetivas do artista que não se confundem com os dados biográficos do criador. As estruturas subjetivas não são da ordem dos acontecimentos, mas resultam da transformação das relações entre exterior e interior. Nesse sentido, o crítico que toma o partido das estruturas subjetivas não pode excluir de sua pesquisa sua própria estrutura subjetiva (André Green).
E, devido à implicação do sujeito no objeto, a interpretação será sempre arriscada, pois o intérprete está livre de um lado exatamente porque está ligado ao outro, podendo acontecer que as descobertas afetem sua relação com seu próprio inconsciente. E talvez seja este o tributo a ser pago por esta transgressão epistemológica mediada por um outro – o universo oculto do artista implicado na obra.
[14] Arthur Clive Heward Bell (1861-1964) foi filósofo e crítico de arte inglês, associado ao grupo de Bloomsbury. Bell foi um dos defensores mais proeminentes do formalismo na estética. Formalismo em sentido geral (que pode ser seguido pelo menos por Kant) é a visão de que são as propriedades formais de um objeto que fazem de algo arte, ou que definem as experiências estéticas.  Bell propõem que nada mais há de relevante para além do objeto para avaliar se é uma obra de arte, ou esteticamente valioso. 
O que representa uma pintura, por exemplo, é completamente irrelevante para avaliá-lo esteticamente.

Por isso, ele acreditava que o conhecimento do contexto histórico de uma pintura, ou a intenção do pintor é desnecessário para a apreciação nas artes visuais. Para apreciar uma obra de arte precisamos trazer conosco nada da vida, nenhum conhecimento de suas ideias e assuntos, sem familiaridade com suas emoções.
[15] Assim, a arte não é acerca da vida, mesmo quando parece sê-lo. O único conhecimento relevante que o observador precisa de ter é um sentido da forma, da cor e do espaço tridimensional. Poderá parecer que ao falar da forma significante Bell está simplesmente a descrever e a celebrar as nossas reações à beleza. As pinturas podem ser belas mesmo quando representam pessoas ou acontecimentos feios; as verdadeiras paisagens podem ser belas apesar de não representarem coisa alguma. 

Contudo, esta não é a posição de Bell. A emoção estética – que desempenha um papel tão central na sua teoria – não é normalmente sentida perante qualquer outra coisa que não seja a obra de arte. A emoção estética é própria da nossa apreciação da arte, e nos raros casos em que é despertada por objetos naturais, isto é, de certo modo derivado do seu significado primário. A beleza que reconhecemos e sentimos quando olhamos para as asas de uma borboleta ou para uma flor não é, para Bell, do mesmo tipo que a forma significante de uma pintura
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[16] Morris Weitz (1916-1981) foi americano esteticista. Fez doutorado da Universidade de Michigan.
A publicação inovadora de Weitz intitula-se "The Role of Theory in Aesthetics". Este trabalho talvez tenha estimulado muito o debate dentro da filosofia da arte e faz parte de um movimento maior conhecido como anti-essencialismo. Este movimento foi popular na década de 1950 e é defendido de maneira semelhante por WB Gallie, WE Kennick e Paul Ziff. A peça de Weitz, no entanto, é indiscutivelmente as peças anti- essencialistas mais populares, bem como uma das peças mais debatidas da estética do século XX.
Weitz argumentou contra a metodologia tradicional essencialista e propôs usar a semelhança familiar de Wittgenstein argumentou como um método alternativo para identificar objetos de arte. Weitz propôs que ao perguntar "o que é arte?"  Os esteticistas realmente estavam fazendo a pergunta errada. A questão que ele acreditava precisava ser abordada fundamentalmente era "que tipo de conceito é" arte "?

 Weitz usou essa questão para impulsionar tanto sua defesa das semelhanças da família Wittgensteiniana como sua defesa da arte como um "conceito aberto".
Weitz é amplamente considerado como tendo renovado interesse dentro da filosofia analítica para a estética, onde suas reivindicações foram desafiadas por mais de cinquenta anos, mais famosa por Maurice Mandelbaumno artigo de 1965 "Semelhanças familiares e generalizações relativas às artes".  Weitz desenvolveu mais tarde uma filosofia de crítica, na qual o crítico deve descrever, interpretar, avaliar e, finalmente, teorizar sobre o trabalho em questão.
[17] Nelson Goodman (1906-1998) foi um filósofo americano, conhecido por seu trabalho sobre mereologia, o problema da indução, irrealismo e estética. Doutorou-se em filosofia em 1941. Goodman, entre outras, desenvolveu a teoria da compreensão e da lógica dos sistemas simbólicos que envolvem a experiência estética. Ele defende que a arte é essencialmente cognitiva e encorajou alguns teóricos educativos a usarem as suas ideias para comprovar firmemente a importância da educação artística. A proposição central da teoria de Goodman é que a arte é um sistema simbólico do entendimento humano que partilha com outras formas de análise (incluindo as ciências) a procura humana de esclarecimento.
Assim, no seu livro Languages of art (1968), descreve o envolvimento com a arte. Para ele a experiência estética é mais dinâmica do que estática.
Ela impõe que se efetuem discriminações delicadas, discernindo relações subtis e que se identifiquem sistemas simbólicos e caracteres no interior desses sistemas, tal como o que esses caracteres denotam e exemplificam. Propõe que se interpretem as obras e se reorganize o mundo nos termos das obras -  e as obras nos termos do mundo.
[18] Um questionamento intrigante é saber se a arte pode ser bizarra. Por paradoxo, tensão e contradição as bases da própria arte abrigam o bizarro, o estranho e o misterioso que são fontes de vida, e oferecem outra dimensão que torna o mundo vivo e capaz de abalar a estrutura mental cartesiana de forma contundente. É difícil aceitar as coisas que fazem sentido ou não. Mas, de qualquer modo, o bizarro nos aponta um ponto de equilíbrio redimensionado, desafiando a ótica, a lógica e a percepção.
Gisele Leite
Enviado por Gisele Leite em 01/10/2017
Código do texto: T6130211
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