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O SER OU NÃO SER MESQUINHO!

Prólogo

A ideia de escrever este texto surgiu depois que eu encontrei um antigo companheiro de caserna na praça da Bandeira, no centro de Campina Grande, PB. “Por onde andou?”, “O que tem feito?”, “Faz tempo que entrou para a reserva?”, “Como está a patroa, a família. Conte-me as novidades.”, “E o Bolsonaro? Conseguirá alavancar a economia do Brasil?”.

Perguntas e respostas recíprocas animaram a conversa e já nos encontrávamos no calçadão da Cardoso Vieira tomando um café “blend intenso” de aroma e sabor inigualáveis. Durante esse lanche frugal o sargento colega disse de súbito: “Briguei com minha quenga e perdi meu melhor repasto”.

Após o sucinto relato surgiu a ideia de eu escrever algo sobre o hilário, mas não trágico incidente entre os que se querem bem.

Observação oportuna, pertinente e necessária:

Quenga é uma vasilha feita de metade de um coco-da-baía da qual se retira a polpa. Popularmente, também no Nordeste, “QUENGA” é mulher que exerce a prostituição; meretriz.

O nome do escrito, inicialmente, seria BRIGUEI COM MINHA QUENGA! Todavia, mudei o tema para evitar interpretação duvidosa sobre quem seriam os protagonistas litigantes.

A dubiedade, às vezes, aguça a curiosidade dos leitores. No caso em comento, até eu poderia ser confundido com um dos que se digladiaram por motivos torpes.

SOBRE O TEMA SER OU NÃO SER MESQUINHO!

O mesquinho é demasiadamente agarrado a bens materiais; é avaro, sovina; é desprezível, parco, parcimonioso. O mesquinho é escasso de recursos, pobre e medíocre.

Por demonstrar, sempre que lhe for possível, a estreiteza de espírito e visão, o mesquinho também exterioriza, sem pejo do ridículo, sua falta de grandeza e magnanimidade. Não consegue ser grato (ter gratidão).

O EXTREMADO ENGANO DO AMIGO

Alimentei a quem demonstrava sentir extremada fome. Outrora, à mesma ignóbil e ingrata criatura, servi água cristalina e fresca. Sobranceiro, sem a concupiscência malévola, abracei caricioso a quem dizia ser desprezada.

Sempre fiz questão de tratar respeitosamente a quem no dia a dia asseverava ser aviltada, muito vilipendiada... Mesmo assim, depois de ter demonstrando sincera compaixão, fui comparado e/ou igualado a um ser mesquinho apenas porque não lhe saciara a gula.

A INVEJA É SEMPRE DANOSA

A inveja é um vício mesquinho e sórdido. Portanto, por extensão, fui também comparado a um invejoso, aquele que provoca asco; ser repugnante, abjeto, vil, nojento e asqueroso.

Ora, se a inveja é um vício. Então, além de um mesquinho e amoral seria eu um viciado? Poderei concluir que tenho o mesmo vício do criminoso condenado que reclama porque o seu companheiro, também recluso, recebeu uma porção de comida maior, mais quente e nutritiva?

COMO ENTENDI A DIVERGÊNCIA DE INTERESSES

Não sei as reais causas das divergências entre os amantes. Não ouvi a outra parte envolvida na lide. Sei que o companheiro se referia à parceira não de forma depreciativa, pejorativa, mas sim com extremada ternura.

Ao dizer: "MINHA QUENGA" os olhos dele brilhavam. Talvez isso explique a expressão: “Briguei com minha quenga e perdi meu melhor repasto”.

Por isso ele tinha uma certeza: "Agora tenho sobre meus ombros a incerteza extensa de minha pequena realidade. Servi a quem não merecia (ou merecia?) uma "quentinha" que paradoxalmente continha pouca e fria comida. Não tive culpa. Quis eu apenas ser humano, companheiro, solidário.".

CONCLUSÃO

– Faça as pazes com sua consorte! Essa discursão boba não leva a nada – Disse eu ao amigo queixoso.

"Não farei mais isso. Não quero ser comparado ao desprezível, reles, insignificante, invejoso, limitado, parco, asqueroso e mesquinho. Eu quis e quero sempre e apenas, à boa-fé, estabelecer uma relação de auxílio mútuo."

"Não fui compreendido em minha pretensão. Mas tenho na nobreza do caráter leal e ético uma certeza: NÃO SOU MESQUINHO!".

MEU ENTENDIMENTO FINAL

Do alto de minha insuspeitável experiência posso escrever que casais, entre cariciosos chamegos, “tapas e beijos” moderados brigam e discutem, às vezes, por motivos banais. O não aceitável é o desrespeito e/ou o vilipêndio danoso, à integridade  física ou moral, desproporcional, capaz de sedimentar ressentimentos e rancores com ou não arrependimentos ineficazes posteriores.

Compreendo e entendo como sendo normal: Os afetivos que se digladiam durante o dia...  À noite, na cama, quase sempre, entre recíprocas carícias ousadas fazem as pazes até uma nova divergência de interesses ou mesquinharia enaltecida e evidenciada, às vezes, exagerada da parte de um ou de ambos. Afinal, desejo, torço e quero que tudo dê certo por uma razão plenamente justificável: "O amor é lindo!".
Wilson Muniz Pereira
Enviado por Wilson Muniz Pereira em 21/05/2019
Reeditado em 23/05/2019
Código do texto: T6653163
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Wilson Muniz Pereira
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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Wilson Muniz Pereira