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Texto

Texto

O TEXTO


O texto, principal organismo da vida, que produz sentido, já foi conceituado de diversas maneiras, entretanto, nenhuma definição chegou à sua totalidade. E o que é texto? Decerto, é um tecido que já foi cerzido e costurado amiúde. Sua função é organizar discursos.
A palavra, ferramenta simbólica, escreve os textos que são produzidos para responder ao poder social. Não há neutralidade nem passividade em sua produção; nenhum texto é desonesto. O autor, sim!
É preciso uma necropsia para entender a sua estrutura, pois, seus retalhos estão espalhados e são recolhidos constantemente. Um é outro e é mais outro. Nada é original, apenas compilações feitas para responder e se adequar ao propósito.
Uma imagem diz muito, ela escreve de acordo com o leitor/observador. O texto produzido a partir de sua decodificação vai se reproduzir em mais textos que vai ter sempre seu ponto de segmento.
É importante ressaltar que há uma fissura entre o que percebe e o que se é. As múltiplas leituras são determinadas por meio de um mediador; o social. A limitação faz com que encruste seu resultado final, determinado por inscrições que vão nortear o ir e vir de seu sentido. A liberdade no texto está em sua função, mas, o seu resultado é determinado por isso ou aquilo.


Palavra



Atrás da palavra há uma ideia e por trás de tudo há uma intenção. Entre o pensamento e a palavra há uma distância infinita, uma perturbação que pode distorcer a intenção inicial. E qual seria a intenção?
O erro é querer encontrar no texto o autor, a buscar características do próprio e julgá-lo segundo a palavra que passou a ser uma ação no papel, mas, que para muitos passa a ser um documento acusatório.
O que o autor quis dizer em seu texto jamais se saberá! A palavra é livre, ela tem plena autonomia e a sua liberdade não pode ser presa apenas em um conceito. Mas o que é a palavra? A palavra é um incômodo! Aqueles que a têm e sabe usá-la, catá-la, provocará perturbações. A palavra não pertence ao seu dono, não pertence a quem lê, ela é a senhora de sua ação e de seus atos.
Palavras nunca serão em vão! Palavras são para incomodar! Palavra é liberdade! O mundo do qual ela veio é muito perigoso. Visitá-lo, sem que ela o convide causará desconforto, as portas estarão sempre abertas, mas, ela só será anfitriã para quem sabe cativá-la. Respeitar a palavra é não condená-la, não aprisioná-la em seu autor e nem fazê-la submissa a quem a escreveu. Nem tudo que foi dito ou escrito foi totalmente percebido – noesis e noema –, portanto, definição única, interpretação definitiva, tudo isso é fechar discurso.
Toda palavra tem uma intenção, tem a busca por um resultado, porém, só cabe é caberá a condenação a ela e não ao autor que a propagou. Aqueles que buscam conhecer através da obra o seu dono poderão cair em conceitos fabricados e desse jeito fragmentar a personalidade de quem a propaga na busca de um resultado viciado.
A palavra é doce, mas também é bruta, e, muitas vezes, ela perturba quem quer entendê-la. O erro, o maior erro, é catar algumas frases e fazer análise, não da obra, mas de quem a ecoou.
Toda palavra é viva, tem um corpo e um propósito, mas jamais terá apenas um sentido. Casar autor e palavra e buscar apenas um sentido, é “surpeficializar” as entrelinhas para conceituar o pragmatismo que procura subjugar a intenção por trás de tudo.















O AUTOR

Sua função é, simplesmente, de organizador. Sua criatividade está em observar. E recolher os fragmentos que estão espalhados o faz um trabalhador. Desenhar um texto, é fazer uma cópia bem feita, decalque de palavras recopiladas, um ladrão permitido.
A pena do autor é saber que não criou, que copiou, que plagiou, que decalcou e que, sabendo disso, busca a autoria e assina. Quando não assina, afirma. O texto produzido é coletivo sempre. Mesmo diante de tais afirmações, o autor ainda se declara dono, confirma sua obra com a sua assinatura. Seu carimbo- posse – vai seguir a produção até os limites de sua função e o texto, retalhos cerzidos – é aprisionado e limitado. Sua liberdade se dá no eco eliminando a posse. O autor é o algoz e o carcereiro do texto.





















A CRIAÇÃO
observação
       
A criação se dá a partir da observação. Aquele produz deve ter os olhos arregalados, ouvidos apurados e todos os sentidos devem estar atentos. O texto ele passa, ele atravessa, ele está ali e aqui e, o autor deve buscar seus pedaços que estão espalhados por todos os cantos.
Imagens, palavras estão espalhadas e nos cerca. Olhamo-las, mas, só aqueles com capacidade e sentidos aguçados podem ver seu átomo.  Ademais, sua localização é agora, não está lá, nem vem de uma inspiração idealizada.
Observar faz parte da primeira etapa daquele que procura produzir seu tecido – texto.


coletar

Observou, e agora? É preciso saber a hora para buscar o que foi sentido. A lógica está competência da coleta. Nem tudo é relevante para a produção do..., mas tudo é permitido. É necessário ter discernimento e escolher cada imagem/palavra/fala exata, para não romper ou  colher em demasia. O que foi recolhido, na hora da produção, periga querer a sua impressão e, dessa maneira, encharcar o resultado. A medida certa se dá pela maturidade e conhecimento adquirido – exercício e prática – por aquele que se denomina autor.


Organizar

É como se recebesse uma gama de coisas, mas o corte deve ser preciso. Tudo que foi observado, coletado, agora, deve ser organizado. Como?
É preciso que se tenha um poder de seleção. Nem toda cor deve estar na tela. Nem toda palavra deve estar na produção. O modo como se organiza resultará é seu objetivo. A criação está na organização, pois tudo está para todos, entretanto, organizar é diferente de aglomerar.
Organização é produzir, através de uma seleção, sentidos, sem deixar ruídos para o leitor.
Aglomerar é responder sem a preocupação da recepção.
DEFINIÇÃO

O autor, nada mais é que um observador, coletor e organizador.



























ESCREVER
Digitais

Há sempre digitais, que não são suas, passeando por suas produções. Fantasmas que buscam visitar os porões e fazer barulho junto com seus demônios (teóricos/leitura).
Encontrar sempre vozes falando em diálogo determinam os breves rascunhos e rabisco. E quando se pensa que há apenas um caminho e nele estará só, ledo engano, há, ao lado, a companhia de uma  multidão que ficou em você.
O “Eu” é povoado e habitado por todos que se encontra pela estrada.
A pureza sempre e deve ser maculada. Não há nada de “Eu”,  contudo, há   vários “Eus”. Uma mistura de estantes e encontros que resultam em um único, todavia, resultado de muitos..
Com mais de  mil mãos se produz. Para o objetivo – texto – deve-se estar sempre acompanhado e derrubar as estantes para que caia um interlocutor/es e, em parceria subjetiva, finalizem a produção. Sem contar nas marcas que se tem; resultado de outros. O Outro sempre está no “Eu”.
É preciso dissecar-se para responder ao que se pede.







Persona non grata

O escritor que não se tornar uma persona non grata, não cumprirá o seu papel! Responderá ao jogo de interesses e conversará com discursos recopilados e viciados de conceitos estabelecidos.
Falar o que querem ouvir, é ser entendido facilmente (discursos superficiais) e como bordão. Sua palavra passará a referenciar o que já virou rascunho, logo, tornar-se-á autoridade em textos com sentidos canônicos.
Todo escritor deve ser apontado como malfeitor e corruptor da ordem! Aquele que não receber condenações, não contribuirá para o desincrustar dos discursos. Sua palavra será empregada de convenções e da autoridade da verdade.
O autor deve ser um corrupto e distorcer a ficcionalidade da realidade a partir de sua escritura, desconstruindo estruturas enraizadas e promover , através da palavra, a revolução. Deve ser um falsário, romper com a verdade, estabelecer a incerteza e erguer o provisório no alicerce erguido outrora.
O escritor é um farsante, e deve escrever para o desequilíbrio!


“Paródia”


Será que se tem algo a dizer?
Essa é a grande pergunta, na qual, a resposta vem em forma de “paródia”, porém, não no sentido pejoro, todavia, em uma nova “releituras” das coisas.
Mas, é importante sempre se perguntar.
Quem me autorizou a dizer o que direi?
Que voz é essa que fala sem nome?
A história é resultado de textos e é contada por, apenas, uma voz.
O que direi é vencido ou vencedor?
Entendo que devo tomar o discurso e compreendo que é pluri e, também, vive em mim a voz do poder. Estou à mercê da dispersão de sujeitos descontínuos; eus.
Escreverei de onde?
De que espaço bradarei?
Sou eu ex-centrico; margem.
O que farei caminhará para o paraliterário?
Há sempre algo a se repetir!
A arbitrariedade é libertada na literatura; livre estão os sentidos.
Choro um mar! A metáfora é por excelência. Eu sou a própria metáfora.
Fico feliz quando me desconheço amiúde; dessa maneira, percebo que vivo em movimento.
Vivo no real e imaginário, passeando pelo vivo e morto e entendendo que a palavra está em sua vingança.

Sabendo de tudo isso, contarei uma pequena história, na qual, o herói é o anti-herói; aquele que não tem olhos de algoz e, tampouco, a força do colonizador. Sua verdade é logo e inventada, para o momento, sendo assim, ele diz o que tem que se dizer; já. Esse anti-herói é fronteiriço e vive, em não-lugares, apontando para o lugar-vazio e retirando os refugos humanos para vociferarem às diferenças.
Esse anti-herói canta a paródia de outrora e analisa o estabelecido através de vestígios deixados, mas procurando, sempre, ouvir a outra voz que foi cerceada.

Há sempre algo a ser dito!
Peço licença à palavra e entro em seu mundo de significantes.
Eu represento o que quero dizer; apenas.
Sou eu uma invenção!
Eu não existo, mas penso!
Não tenho algo a dizer!
Alguém que diga o que eu disse e outros disseram e dirão depois de mim.
Recolham sentidos sentidos e façam uma nova “paródia”.
Tudo é paródia!
Todo sentido se encontra no exterior e não no centro.
Saber é saber que o que se sabe é consequência de vestígios.


Produção


Não há palavra sem leitor, por isso, para produzir é preciso, primeiro, se alimentar. O que nasce sempre à revelia é coincidência, porém, o texto tem que ter um contexto, no qual, passa pelo preâmbulo da leitura para, em seguida, se derramar no desfecho da produção textual.
O autor não é um acaso, ele não é, simplesmente, um corpo que abriga palavras soltas; na verdade, o autor recolhe-as durante a degustação e depois as regurgita para formar um novo texto. Um livro sempre dará lugar a outros livros, destarte, a palavra jamais ficará estática. O segredo, então, está no antes.
Aquele que produz também consome. O Poeta, primeiro, precisa do verso para depois o verso precisar do Poeta; tudo está em movimento e a roda-viva da criação é repetitiva, determinista e resultará na perpetuação da obra.
O criador consome, antes, criaturas para parir as suas próprias criaturas.



























LEITURA

Ler

Abrir as páginas e sorver cada palavra, não lhe faz um leitor. É preciso entender que o texto é carregado de digitais, ideologias e verdades. Verdades, sim. A verdade da sua criação! Cada palavra selecionada não foi posta, simplesmente, para responder, contudo, para provocar. Caso a leitura não lhe provoque, não lhe irrite nem lhe faça perder noites respirando a obra lida, você, apenas, tem o hábito.
Ler é sentir a vida pulsar no íntimo; é estabelecer acordos internos com seus fantasmas e viver digladiando com sua subjetividade. O exercício da leitura não se dá apenas na degustação, porém, no que irá regurgitar após.
A necessidade da leitura deve ser fisiológica, dessa maneira, cada leitura é um alimento para a sua construção intelectual.

Livros”

É preciso entender que os livros estão à disposição. A estante está repleta, contudo, há poucos leitores competentes – aqueles que saem do óbvio e fazem parte da re-construção textual. A ingenuidade produz a repetição argumentativa e provoca o analfabetismo textual. Ler é se tornar co-autor, é fazer a leitura gritar depois e ecoar sempre.
O leitor é preguiçoso quando deixa a compreensão e passa a narrar, apenas. Fica no enredo e esquece que entre uma palavra e outra, um parágrafo e outro, uma página e outra, há algo escrito, entretanto, a ociosidade torna o leitor refém de palavra por palavra, produzindo sentidos recopilados.
A estante interna, organizada por leituras fora e dentro das páginas – livro e mundo – deve ser folheada constantemente, pois livros/mundo são aulas profícuas para um leitor aprendiz, sempre. Aprender a ler deve ser constante e não se esgota a leitura. Quando se lê o mesmo livro duas vezes, você caminha pela mesma rua, mas observa o caminho.
Leitor responsável é aquele que participa da construção de sentidos desincrustados/canônicos e está sempre disposto a reescreve o que foi lido, pois todo texto encontra-se inacabado.



Metáfora

Tudo é uma metáfora e não se pode ver o essencial, apenas, o óbvio. No todo há tantos. Há corpos em movimentos formando um corpo e esses corpos não estão presos à forma, apesar de dar uma nova forma para que, assim, tudo seja palpável.
Enxerga-se o previsível, o estático, a figura pintada e estabelecida, porém, há mais corpos em corpos e mais vida dentro da vida. É a pulsação além-olhos, o movimento constante do mundo que o mundo não conhece. O corpo físico composto por corpos que não admitem medidas.
A metáfora da existência jamais será entendida, pois não há como compreender o inefável, quantificar o infinito, nem alcançar o inatingível; o nada é tudo cheio de muitos formando o único, mas múltiplos.




















LEITOR

A escrivaninha


Nem sempre a palavra deve sair da escrivaninha; que palavra viverá se a sua força enfraquecerá o que pensa estar robusto? Sentado na cadeira, em frente ao texto, o homem se apaga para não riscar o discurso construído. O estranho é estranho porque não faz questão de ser apresentado. Apertos de mão obrigam a lavar as mãos por serem violadas por mãos que acostumaram ao afago passivo. A mão deveria ter sempre um punhal... Eis a palavra, eis o punhal.
Se forem à enciclopédia em busca de conceitos, certamente acharão vocês. A insônia é resultado de força vital, de sobre força, de domínio do descanso. Quem dorme descansa do mundo e não trabalha em vida. Quem recebe o salário em vida?
O corpo, refém dos autores, construído por repetições é putrefato em vida. Não use perfume! O mal cheiro irrita as narinas de quem está aguçado na profundidade.
As palavras são punhais! Não leiam o que fará sangrar! Aquele que não tem estômago regurgitará!
Muitas vezes, a palavra não merece ser lida e será que ela faz questão de ser lida? Quem fará a própria autópsia? O corpo sempre se tornará refém de outro corpo!
Há apenas reféns! Há apenas escravos e servos! Há apenas covardes!
A palavra é senhora de si mesma! É dona de si mesma! É patroa do seu autor e, por isso, tem autoridade sobre o que discute.
Só quem tem veneno conseguirá morrer e viver. Para entender a própria vida é preciso morrer primeiro. Quem fará o próprio velório e cavará a própria cova? O defunto está mais vivo que os que seguem os vivos-mortos; só há vivos-mortos! Zumbis.
Guardar a palavra é preservá-la! Preservar da interpretação do analfabeto de vida; aqueles que só sabem ler o que leram para eles. E quem leu a primeira frase, será que realmente sabia ler e interpretar? Quanta passividade!
A palavra descansa na escrivaninha e respira aliviada. Não faz questão de ser lida, não aceita o escancaro de quem não sabe interpretá-la. A palavra pede para a caneta recolher e sangrar em outro tempo. Tempo que reconhecerá a palavra que hoje está calada, não lida, não interpretada, não compreendida. E para quê ser entendida? Entendê-la é se fazer refém de um novo discurso.
Quem escreve o mundo? Quantas exclamações e interrogações um texto deve ter? Somente tolos trabalham com ponto final.
Sirvam todos com tudo que já foi servido. Não há comida diferente no menu; só uma sombra consegue se ver. A palavra escondida é palavra prima.
A palavra não faz questão de responder, de esclarecer. A palavra é de amanhã e, por isso, sua opus magma só será editada quando não houver mais leitor. A palavra não merece esses leitores que só sabem ler com dicionários ao lado.
A palavra enfim se recolhe à tinta que a caneta soube respeitar.























INTERPRETAÇÃO

Autor/obra; sujeitos-imediatistas


Interpretar não é, simplesmente, entender. Chegar a uma exegese exige bem mais que a inteligibilidade e o que se “pensa”. Importa quem escreve? O autor está vivo ou morto? “Todas as épocas têm que pulsar”, sendo assim, o autor se pluraliza para expurgar seus vários “eus”. Tentar encontrar esse “eu”, pode fabricar ideias e deturpar o discurso propagado. O autor deve assinar a obra, mas a responsabilidade do conteúdo será dele?
A verdade, ou verdades é que, somos reféns do significante – Ferdinand de Saussure - do dito e não-dito, de uma verdade estabelecida e proferida; a ordem contínua de pensamento. Essa ordem faz sujeitos passivos, subservientes e limitados; sujeitos-imediatistas. Interpretar fica no aquém do que se pode entender, responde a contento a superficialidade, e, assim, sujeitos-imediatistas vão se alastrando.
Percebe-se a passividade do ser diante da obra, no qual a busca começa em: quem fez? Acrescentando logo em seguida o desfecho: o que quis falar? A superficialidade, segundo Eni Orlandi, é a causa da propagação da passividade. Decodificar e interpretar passou a suprir a necessidade da compreensão. Compreender vai além do que é proposto; é a busca do que está atrás; é pensar e refletir muitas vezes o que foi dito e redito; é a história e a filosofia concatenadas; é a busca do cerne nas entrelinhas (...).
O autor “sacrifica a sua vida em busca da eternidade”, portanto, a obra é mais importante que ele. Ele quem fala, mas ele já está morto. “Não há velho sem novo e nem novo sem velho”, são os “eus” fabricados em um momento para saciar o desejo de expor ideias. Há “eus” e não “eu”, o corpo está em movimento, assim como a memória e os discursos. Autor e obra nascem prontos, mas se separam quando querem uni-los para encontrar um sentido apenas; há sentidos. As pegadas foram deixadas em forma de rastros, mas, não siga, o caminho da compreensão não é apenas a decodificação e não termina em interpretações idiossincráticas.
A obra que sai das mãos do autor é perfeita, mesmo seus rascunhos e rabiscos - Jean-Jacques Rousseau -, mas, a partir do momento em que se buscam definições para tal, ela é maculada em sua gênese. O que quis falar o autor? Verdade, verdades.
Sujeitos-imediatistas comprometem o discurso e se viciam com idiossincrasias. O poeta mente, mas sente e mente... (Mário Paternostro), portanto, o autor é uma farsa, mas não a sua obra. O erro está em manter o enlace autor-obra e não desvencilhar ambos .O discurso propagado sempre terá um autor, todavia, ele não é mais importante que a intenção que há por trás. Tempo palpável o de hoje. Conhecer o autor, entrar em sua intimidade, parece facilitar a compreensão, todavia, até mesmo o autor se perde depois do abandono da obra. Será Picasso mais famoso que Guernica (painel pintado pelo próprio, em 1937)? Percebe-se que, autor e obra caminham em enlace, sacramentando a criação e engessando, muitas vezes, a compreensão. Esse enlace, autor-obra, pode condenar o criador, assim como, em Madame Bovary, - Gustave Flaubert – cujo autor foi levado a julgamento.
Se somos atravessados, segundo Derridá, não há originalidade autoral; se temos “eus” dentro de um “eu”,  há uma farsa ( o ser usa o conhecimento para criar); mas ficar buscando um, no qual há vários, é interpretar apenas, não compreender. O autor não é o mesmo de ontem e será diferente de amanhã, por conseguinte, a obra terá que ser localizada em um tempo e espaço, para a sua plena compreensão.





MÁRIO PATERNOSTRO
Mário Paternostro
Enviado por Mário Paternostro em 15/05/2019
Código do texto: T6648022
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Mário Paternostro
Porto Seguro - Bahia - Brasil
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105 áudios (3850 audições)
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Mário Paternostro