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FOLCLORE - PARTE II


 
CACHORRO CANTOR - O Cachorro cantava, sim! Nos tempos de antigamente, o cantava e até melhor que o Sapo, mas esse, com inveja, disse ao Cachorro que ele tinha a boca muito pequena e cantaria ainda muito mais bonito se a tivesse maior. O Cachorro acreditou, pegou uma faca e rasgou a boca de fora a fora - depois disso, nunca mais cantou. MORAL DA ESTÓRIA - Quando o ‘amigo’ não é amigo, precaução com o que ele diz.
 
CASAL FELIZ - O Sol e a Lua moravam em casas separadas. A dele era maior e nas cores vermelho, vermelho e dourado; a dela, menor, nas cores azul, verde e violeta. O amigo Sol visitava a amiga Lua, ao contrário jamais, ela sempre dizendo que tinha uma família muito grande (planetas, estrelas, cometas...) e precisava mesmo era de uma casa enorme... Construíram em menos de uma semana e o Sol foi convidado a morar junto também. Para a festa de inauguração, convidaram a Água que trouxe toda a família - peixes, camarões e outros. Entraram - Sol e Lua já estavam com água na altura dos joelhos, agora alta até para cobrir uma pessoa. Casa lotada! Sol e Lua sentados no telhado. Mas a água era tanta, que sol, lua e familiares acabaram fugindo para o céu.
 
O SAPO CAMPEÃO E O COELHO LAMBÃO - O Coelho zombava do Sapo e o chamava de preguiço, molenga, lerdo, nada ágil... que só sabia pular. O Sapo, zangadão, propôs uma corrida - Coelho na estrada e Sapo no mato, perto do rio... Coelho riu muito da idéia, mas topou. O Sapo reuniu familiares e os distribuiu na margem do caminho para responder aos gritos do Coelho. Este disparou na frente, como um raio, de repente parava e perguntava: “Camarada Sapo?” Logo vinha a resposta de dentro do mato: “Oi!” - coaxava ‘um’ Sapo... E assIm, o Coelho chegou à margem do rio exausto, e viu uma coisinha verde tranqüila e serena, esperando por ele. Considerou-se vencido.
 
O PAPAGAIO REZADOR - Papagaio se reconhece pelo amarelo da cabeça; se esmaecido, fala baixinho; se lustroso como gema, cor de canário tratado a alface e água de limão, é falador garantido. Papagaio novo, boa cabeça para pensar e falar, caído do ninho em dia de tempestade, foi o presente que deram ao padre. Bicho tagarela, aprendeu palavras e combinações em frases e arremedava o sacristão ralhando com os coroinhas e as beatas cantando; até aprendeu a tirar ladainhas... Ah, o padre ficou muito sentido quando ele fugiu com um bando de outros papagaios que passaram voando e barulhando... e passou a viver das memórias de sua ave de estimação, em especial quando o coro cantava, as beatas se esganiçavam na ladainha de maio e o coração apertava ao ver o poleiro vazio. Mas o tempo é como o vento soprando em areias de dunas, cobrindo casas, igrejas... e recordações. Três anos de areia do esquecimento se passaram. Num fim de tarde, vigário refestelado na cadeira de balanço, no alpendre perfumado de madressilvas, escutou um coro de vozes cadenciadas vindo de cima; olhou e viu o bando de papagaios, asas agitadas, acompanhando o da frente que modulava seguro: “Stella matutina!” O bando uníssono completava compacto: “Ora pro nobis!” Homem de muito viver, o vigário sorriu. Não havia como não o reconhecer, embora mais magro e esbelto, o amarelo da cabeça lustroso como canário, o mesmo entoado de voz. Sacerdote abriu ao acaso o Breviarium Romanum e deu de cara com o salmo 135: “Qui facit mirabilia magna solus”- Aquele que só faz maravilhas............... Pesquisador folclorista MANOEL CAVALCANTI PROENÇA.
 
LEIAM meu trabalho “Hoje é dia de folia”.
 
                                        F I M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 28/10/2018
Código do texto: T6488528
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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Rubemar Alves