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SUBINDO NOVAMENTE A MONTANHA... - PARTE III



NOVOS CONTOS DA MONTANHA, de MIGUEL TORGA...

Tema I --- PALAVRA DESENCADEADORA DE AÇÃO

1-----Conto "DESTINOS"
Palavra dela - presença da palavra X não-palavra, ausência de palavra --- o conto se desenvolve pelas ações que se desencadeiam pela ausência da "palavra desencadeadora de ação" ----- Palavra = ação = vida -----Palavra 'zero' (ausência) passividade = perda.

CONTOS EM GERAL, inclusive "Destinos" - na cultura, está a punição ou o nível da não-paz. Quem escolhe cultura, deixa de lado o natural: é castigado ou sacrificado.

2-----"O ARTILHEIRO"
Três sequências: 1-o julgamento (desequilíbrio) - situação final de estória e início do discurso: o julgamento é interrompido para mostrar-se o personagem - na aldeia, nome ou apelido da pessoa é importante / 2-situação inicial da estória - 3 partes: a-aldeia Malhão e o contexto dos diversos apelidos (equilíbrio) - b-relação sexual entre Artilheiro e Guiomar - partir da palavra "experimentar" - c-descoberta da relação - palavra "alarme"; casaram e vão ter um filho - palavra na voz do narrador: "casa com a filha do rei e a paz eu a farei" / 3-reabiitação (reequilíbrio) - volta ao julgamento - briga gera situação inicial - enquadramento do Artilheiro nos apelidos.

Nome dele não é equilíbrio de significante /forma/ com significado /conceito/; no julgamento, ele quer provar que em verdade há equilíbrio - Malhão e apelidos / desequilíbrio - Malhão fora / retorno, irá haver o reequilíbrio - Artilheiro dentro de Malhão.

Actantes - Artilheiro, herói; Guiomar, doadora (ela se entrega) e princesa (objeto buscado); Malhão, agressor; Lafunfa. mandatário e doadora do objeto mágico (palavra que desencadeia a ação); Mareante, falso-herói, representante da agressividade (elemento que concretiza materialmente a agressão da aldeia; Palavra - objeto ou auxiliar mágico."

3-----"O LEPROSO"
Três sequências: 1-herói é chamado de "leproso" - conscientização: particular, Julião; coletiva, toda a comunidade toma consciência do fato (equilíbrio) / 2-marginalização de Julião no grupo - sociedade X ele - busca da integração - tenta voltar - tentativa de cura é impossível): médico, azeite - tentativa de contaminação do grupo (vingança): ódio, execução - banha-se com azeite e tenta infringir a lei, pois a sociedade não quer vir a ele - inversão da ordem: normal é o marginalizado vir ao encontro da sociedade (desequilíbrio) / 3-punição - perseguição, execução.

Grupo se revolta contra ele (revanche) - fogo, purificação para o mal (todos tomaram o azeite contaminado) - querem antes bater, depois resolvem queimá-lo.

Personagens - Margarida, doadora da palavra mágica, agressora para Julião; Julião, herói-vítima, agredido, voluntário do grupo social, agressor; comunidade, agredida e agressora; o dono da venda que negocia o azeite, doador e agredido; Januário, oferece objeto mágico, médico, não-funcional para doença incurável.-------

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Tema II --- A HUMANIZAÇÃO DO DIVINO

1---Categoria de divino ----- 2---a dialética básica dos contos: natureza X cultura (no meio está a salvação) ----- 3---exemplificação-solução: 1-cristão - "Senhor" (mito instituído pela Igreja) / simbólico - "Natal" (substituição pelo contato do Homem com Santo) / mítico - a-cristalizado - "Sésamo" (da mitologia geral) - universal --- b-autóctone - "O milagre" (da aldeia) - regional --- "A festa" - entre cristalizado e autóctone --- 2-dialética - invariantes: natural - contra-ideológico, não-codificado, real, individual, vida ou morte x cultural - ideológico, codificado, mítico, coletivo, não-vida e impossibilidade de recriação
3-TORGA = ALBERTO CAEIRO: "Milagre (sobrenatural) está na natureza".

Conto "MILAGRE", esterilidade / loucura - Raquel - morte dela = paz encontrada após desespero.

Segundo MIRCEA ELIADE (professor, mitólogo, filósofo, romancista), "montanha, ponto de união (eixo) entre homens e Deus". Verticalidade do mito é a montanha - símbolo.

4-----"NATAL"

Igreja vale apenas como abrigo numa noite de neve - personagem usa fogo para aquecimento o papel da gaveta, andor religioso. ----- Santa é tornada humana: "Boas Festas!" (amizade, comunhão) / "É servida?" (presunto - solidariedade, comunhão) / tira santa do altar (companhia, comunhão). ----- Três atos: não negação do divino, mas sua humanização; fogo aquece e ilumina (= divindade) - denotação e conotação de aquecer o homem; andor, que eleva o santo, sai do altar divino para serqueimado e aquecer o humano.

Importante: discurso indireto livre (variante dentro de TORGA - único conto assim, no livro. Narrador não intervém e dá a palavra ao personagem: o que acontece, está dentro de Garrinchas. Narrador não se apaga, mas se cola com personagens. Neste conto, invariante é o humanismo torguiano.

5-----"A FESTA"

Santa Eufêmia - esvaziamento do divino - são 3 festas particulares = Penha e Aparecida / puro festejo popular quase sem religiosidade; festa é quase mito = anseio realizado irreverentemente.

Invariante - total desilusão (frustração) e não soluções, como nos outros contos ----- Natureza mostrada como um círculo - tudo se repete; este conto não aceita o sonho e sim o real.

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Tema III --- O CONFLITO DOS CÓDIGOS

6-----"O REPOUSO"
Sequência 1 - apresentação física e moral do personagem Lomba (desequilíbrio) / sequência 2 - busca de integração: 1-(equilíbrio) sai e cumprimenta Adriano , que o rejeita -- 2-(desequilíbrio) na Semana Santa, dominado por sentimento de culpa, vai se confessar; agride padre verbalmente - não pede perdão à família das pessoas que ele matou; consciência do ato praticado -- Adriano / prior / o menino: representantes da busca / sequência 3 - repouso é a morte (reequilíbrio).

Personagens - Lomba - herói-agressor e herói-vítima, equilíbrio como ser humano, deseqilíbrio como animal; Mondrões (cidade) - vítima; Menino - mediador; Prior - doador da tarefa: objeto mágico (que ele não cumpre); Paz - princesa buscada.

Dinamismo em Lomba - matador; estaticismo nos agredidos - não reagem ----- Lomba = Vida / Mondriões = Morte ----- Lomba = morte / Mondriões = vida ---- A punição dele (suicídio) é paz para a cidade.

7-----"O LOPO
Perda da causa = desequilíbrio; vingança = equilíbrio; perder a causa = degradação (dirige-se ao advogado, mas perde a causa; vai caçar o ladrão: vingança.

Lopo - herói agressor - mata; herói vítima - perde a causa X advogado - mediador e doador --- objeto mágico - palavra "perdeste" (dada pelo advogado) desencadeadora de ação --- princesa buscada - vingança.

Lei social - Casimiro (poder, dinheiro) X lei natural - Lopo (dono de mina) ----- A rouba mina de B - B rouba vida de A. Conflito: mediação - caçada humana: sorte ----- ser - aceitação (cama aparente) X parecer - não-aceitação (ódio, revolta interior).

8-----"FRONTEIRA"
Sequência 1 - situação inicial - o despertar da Fronteira (contrabando) - guarda / sequência 2 - "foi assim..." - vinda de Robalo, não contrabandista na chegada / a-interrogação sobre Fronteira; b-encontra Isabel; c-separação / sequência 3 - conversão de Robalo - agora contrabandista, à força da terra - de guarda passa a homem

Possibilidade de narrativa - rio -- fronteira, ambiguidade porque também humana.

Ele - aperfeiçoamento: vigiar contrabando; degradação previsível: ama Isabel; degradação produzida: torna-se contrabandista.

Conflito - a-lei do Estado X b-lei da vida; no meio, o conflito individual: contrabando = menos Estado, mais vida -- Robalo sai de "a"b e entra em"b".

TORGA - "Vida acima de todos os outros códigos".

Quatro momentos de conflito: 1-Robalo guarda X Isabel ontrabandista --- 2-Robalo guarda e homem X Isabel contrabandista e mulher - plano afetivo --- 3-Robalo homem e guarda X Isabel mulher e contrabandista, porém: ele, mais guarda, menos homem - ela, mais contrabandista, menos mulher --- 4-associados, agora: Robalo homem e Isabel mulher, contrabandistas.

A lei sempre vence.

Local Fronteira - personificada e observadora - vence fronteira humana. --- tempo também personagem: "quando a noite desce...Fronteira desperta" - vida é a noite na Fronteira ---- cronologia até nos peronagens (eles são noite) - algum vestido com "roupa negra" etc. --- ciclo do contrabando - saída dos contrabandistas "quando a noite acaba": volta "antes da manhã"; durante o dia, cidade em conflito e expectativa --- ciclo dos contrabandistas - cai filho dos reis dos contrabandistas, filho toma o posto etc. --- Fronteira - movimentos linear (sempre) e cíclicos (o eterno assim).

Personagens - homem profissional: "rato" (habitantes) X "cão" (guarda, fiscal) --- homem amoroso, seduzido: "cada braço, cada perna, cada seio de Isabel".

Vida (ser) X homem social (parecer) - é cão (profissional) e homem de não-pedra (amoroso): faz defender a lei (prof.) e romper a lei (amoroso) --- mundo social: lei do Estado ameaça comunidade, que é Fronteira; indivíduo absorvido pelo social não morre nem se suicida, mas integra-se.

Equilíbrio - contrabandistas (comunidade) / desequilíbrio - guarda vigia contrabandistas / reequilíbrio - guarda passa a ser contrabandista.

Terra, solo = rocha: impossível agricultura, somente comércio, ilegal neste caso.

Personagens - herói, comunidade; Robalo agressor; Isabel mediadora (age entre comunidade e agressor); ação do guarda, delito; Isabel, auxiiar do herói (comunidade).

Agressor é "punido" - contrabandista mulher da filho ao guarda --- objeto mágico - filho (elimina em Robalo o lado agressor e o traz para o bando --- último momento do conto = Natal: filho = Menino Jesus (pequeno Deus faz milagre: guarda passa a contrabandista) --- o contrabando, a princesa (vida, terra).

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Tema IV --- A TERRA E A VIDA

9-----"O CAÇADOR"
Tempo cronológico - narrador omnisciente.

Sequência 1 - apresentação do herói / sequência 2 - a espera da caça sequência 3 - o caçador caçado.
Ele espera uma caça e aparece outra caça ----- Tafona - movimento 1: caça, mas não animais no cio; não vê o grupo; movimento 2: defende a caça; compreende --- grupo - movimento 1: não-caça; vê em vidro de aumento (deformação); movimento 2: persegue a caça; não compreende.

10-----"O MILAGRE"
Sequência1: a doença de Raquel, oposição à saúde de Pedro / sequência 2: o casamento; esterilidade de Raquel e desilusão de Pedro; sequência 3: a loucura de Raquel; a busca da cura - suicídio da mulher, desespero de Pedro que encontra a irmandade no macho; sequência 4: o despertar de Pedro; a paz revelada é o verdadeiro milagre.

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LEIAM meus trabalhos "Unidade artística em NOVOS CONTOS DA MONTANHA".

F I M




 
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 07/10/2018
Código do texto: T6470102
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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