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SUBINDO NOVAMENTE A MONTANHA...



À primeira vista, fundamento num princípio básico: mundo natural x mundo social. / Realidade: tentativa de preencher lacuna extra-texto, ou seja, denunciar a injustiça social, o abandono das classes menos favorecidas. / Texto: categoria algo mítica -- totalidade concreta de uma unidade ontológica 'homem / terra' - homem = terra = animal = vegetal.

Elementos vegetal, animal e mineral são metonímicos do natural, constituindo-o como um todo. O HOMEM, quarto elemento do sistema, identificase a ele, transformando-os em metáfora de terra. O processo metafórico anula o metonímico, transformação observada nas seguintes homologias:

terra : natural :: homem : social

terra : homem :: natural : social

O conjunto do mundo social fechado, sem brechas - um elemento dele se destaca, ou como representante ou elemento que será banido ou absorvido pelo grupo na medida que ameaça. Nada pode destruir esse mundo. Tal conjunto fechado nos leva de volta ao equilíbrio passivo do mundo, correspondente a um nível de pensar mítico: nada a começar ou recomeçar na terra. O fechamento do mundo garante a salvação. Estreitos laços unem natureza à sobre-natureza. o insólito, o religioso é posto ao alcance do cotidiano - exemplo: conto "O senhor". A visão unitária primitiva abrange até mesmo uma vaga persepectiva científica (TORGA médico!) - o médico mostrado inoperante diante da lei natural. Natureza = divindade que ameaça ou protege a comunidade, através da obediência ou transgressão a suas leis, transgressão que pode ser anulada por ritos conciliatórios.

MITO em TORGA funciona como elemento mediador na diluída oposição dentro do conjunto único - resolve-se em termos de permanência ou execução dos instintos básicos: alimentares e sexuais - exemplo: o nascimento de uma criança em "O senhor". Vida social resolve na liturgia de celebração coletiva, conservando o cosmos pela fidelidade do desempenho de suas leis, num espaço certo. Espaço narrativo é nitidamente o espaço primitivo, o espaço vital do qual o homem não se pode afastar para não se afastar das presenças tutelares.

INVERSÃO DE SIGNIFICADOS BÍBLICOS

Conto "O senhor" --- Deus = senhor da morte X homem = semhor da vida, mediação comcretizada pelo nascimento da criança. Óbvia, na narrativa, a relação entre narrador e leitor (relação dialógica), entre o EU e o TU da enunciação, a propósito do ELE-personagem. O sujeito da enunciação ou discurso (narrador) aproxima-se do outro elemento da enunciação (leitor), conduzindo o discurso a um plano de oralidade (criando a situação 'falante-ouvinte'). Quando o narrador diz "nós", é porque se exprime também em nome das pessoas a quem se dirige - exemplo: "DeixeMOS aos personagens a alegria de viver no campo..."

Possível uma relação binária em qualquer narrativa: presente da enunciação (discurso) X passado da estória. Tempo da enunciação é o HOJE ou melhor, o AGORA, e o lugar, o AQUI.

ADOLFO CORRÊA DA ROCHA - nome de batismo, profissão médico.

MIGUEL TORGA - nome literário. Arcanjo + o arbusto mais rude da terra transmontana.

Nacionalidade, ele diz: "Homem do mundo, mas português o quanto possa ser."

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FONTE (intelectual):

Honestamente, não sei. Aula perdida no tempo, em novembro de 1972, achada no espaço, um velho herdado caderno universitário, cheiro a cerejas e bacalhau.

F I M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 06/10/2018
Reeditado em 06/10/2018
Código do texto: T6468953
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
881 textos (51064 leituras)
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Rubemar Alves