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UNIDADE ARTÍSTICA EM "NOVOS CONTOS DA MONTANHA" (aditamento da parte II)



II - AINDA TEORIA SOBRE CONTOS

ESTRUTURA - um todo constituído de partes articuladas (elementos): articulações definidas por uma expressão indicadora de relações. por meio de qualquer elemento do conjunto / esta expressão recebe o nome de "modelo". ----- Outra noção importante do estruturalismo é a de combinatória, isto é, a partir de um fato, faz-se uma operação de segmentação, partição ou comutação ou substituição para determinar os elementos articulados - também a partir dos elementos se pode chegar ao todo, e esta segunda operação é a combinatória.

DISCURSO é um exemplo empiricamente atestado de linguagem - filme. livro, novela... Todo discurso admite uma pluralidade de interpretações homogêneas, podendo-se afirmar que são consttuídas pela imbricação (sobreposição de partes) dediversas mensagens. Uma única frase já admite esta pluralidade e pode ser interpretados pelo menos por 3 modelos semânticos: o fonológico / o denotativo (semiológico para GREIMAS) / e o sintático (semântico para GREIMAS). "Modelo sintático pressupõe em seu conjunto de operações lógicas um sistema de codificação da realidade: nível de significação de segundo grau ou conotação" (HJELMSLEV, linguista dinamarquês).

MITOLOGIAS - sistemas conotativos /fabulário, semântica, trasladação de significação - GREIMAS) X COSMOLOGIAS - sistemas denotativos /mundo físico, semiologia, sinais/ ----- Podem-se criar modelos para interpretação das mitologias e cosmologias imbricadas em um discurso. ----- A narrativa em geral parece ser sempre um sistema conotativo, uma mitologia entre as diversas que se podem misturar para formar um discurso: não é um tipo de discurso, como afirma a retórica.

LÉVI-STRAUSS (antropólogo, professor e filófogo belga) - uma teoria interpretativa da narrativa contém 3 componentes, básicos os 2 primeiros: a--Armadura ou elemento invariante (GREIMAS - função ou invariante): gramática-comum a todas as narrativas-exemplo - o conjunto das propriedades estruturas comuns a todos os mitos-narrativas constitui um modelo narrativo (discurso e conteúdo) - sucessão de enunciados em dimensão temporal (antes e depois) ----- b-Código - estrutura formal constituída por um feixe de categorias básicas redundantes - dicionário em que determinados lexemas narrativos estão definidos por um semema (conjunto de semas). --- DUBOIS (sociólogo e autor norte-americano): armadura, "enunciado, texto realizado"; código, "enunciação, ato de produção do texto". Código - mudança de interesse - antes: definição da estrutura do mito-narrativa; depois da reflexão mitológica de LÉVI-STRAUSS: problemática da descição de universo mitológico. --- c-Mensagem - significação particular do mito-ocorrência dá lugar a duas leituras diferentes: 1-sobre o plano discursivo - perspectiva antropocêntrica, atores são seres animados (um herói individual pode se destacar ou separar da comunidade); 2-sobre o plano estrutural - descrição, conteúdos, análise em semas (lexemas-atores e lexemas-acontecimentos).

COMPARATIVISMO (correlação) - pode-se elucidar a leitura de um mito-ocorrência comparandoo a outros mitos. Antes: propriedades formais da estrutura acrônica. Hoje: descrição comparativa de código geral e histórica. ----- O mesmo código pode dar conta de diversos universos mitológicos comparáveis, construindo um modelo geral que fundamente o comparativismo mitológico. Adão e Eva, primeiros habitantes -- inferno (castigo), dilúvio (destruição do mundo pela água) etc. - modelo geral: universalismo. BARTHES (escritor, sociólogo, semiólogo e filósofo francês): "os modelos valem mais pelas infinitas combinatórias, que instauram a narrativa como um jogo regrado em muitas possibilidades".

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III - FINALMENTE, O AUTOR E A OBRA

PARTINDO DO CORPUS - 22 exemplos -, uma análise dedutiva de MIGUEL TORGA na obra "NOVOS CONTOS DA MONTANHA":

Combinatória narrativa de 22 contos. ------ Narrador omniscinte, aparentemente impessoal, que emitea estória do ponto de vista superior, espécie de consciência total: a um só tempo interior (sabe tudo o que se passa nos personagens) e exterior (não identificação). /Narrador apessoal é o modo tradicional da narrativa./ ----- No livro, 22 estórias construídas sobre uma série de oposições fixas que permitem um número limitado de modificações e interações. Ao redor das invariante, gravitam-orbitam variantes de menor importância, de um para outro conto.

M O D E L O 'torguiano' - invariantes:

1--homem montanhês tem compromisso com a terra, missão a cumprir com a terra (homem/terra elemento natural): deve obedecer leis naturais e não sociais (o religioso, que é natural, está ao alcance do homem-terra ----- 2-surgem conflitos o social em luta com o natural (ciência mostrada inoperante - doenças incuráveis: mortes por doença ----- 3-vitória do natural sobre o social.

Possíveis variantes; 1-a--filho pródigo (mas sempre homem natural) - quer voltar à comunidade e reintegrar-se à terra ----- 3-2-quando vence o social, homem/terra (elemento natural) transgrediu uma lei e será castigado.

CARACTERISTICA DOS CONTOS DE TORGA - não a variabilidade dos fatos, mas o retorno invariável a um esquema habitual onde o leitor sempre reconhece uma situação já descrita e que lhe é simpática. Esquema imutável: o humanismo-natural-instintivo do transmontano, sua humildade e lirismo rude, em "painel tosco e campônio-montanhês", TORGA o diz, mas que no interior do esquema se desenrola em acontecimentos nem sempre conjeturados, previsíveis. ----- O esquema é importante, personagens são secundários. ----- GREIMAS: "personagens não seres, mas actantes; não o que são, mas o que fazem."

(Segue.)



 
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 29/09/2018
Reeditado em 29/09/2018
Código do texto: T6463012
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
887 textos (51259 leituras)
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Rubemar Alves