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UNIDADE ARTÍSTICA EM "NOVOS CONTOS DA MONTANHA" - PARTE II (cont.)


 
NOVOS CONTOS DA MONTANHA - variantes mínimas, conjunto único na obra  -  22 contos - conflito de códigos:  mundo natural X mundo social - unidade ontológica homem/terra.
 
A - O ALMA-GRANDE - Embora pela lei da terra seja rotina abreviar-se a morte dos moribundos, Isaac/homem vegetal, cedro do Líbano, peleja para viver pois lei da vida é mais forte que tudo.  O olhar do filho o salva do assassino, bem como a mão inocente da criança sobre a testa febril o salva da morte natural, pela doença.  Matar é equilíbrio, sendo em nome de uma justiça que Isaac acha natural.  O assassinar é social porque antinatural e Alma-Grande era assassino.  Isaac se torna assassino (homem-terra), mas não culpado e sim assassino justiceiro.  -----  B - FRONTEIRA - Lei da terra é ser contrabandista.  Metaforicamente, contrabandistas são verdadeiros ratos (homem animal):  espertos e eficazes para esse tipo de trabalho.  Robalo-guarda toma contrabandista como amante e é forte ameaça para a vida da cidade.  Isabel dá filho a ele e este por fim adere ao "movimento natural", que é contrabandear.  -----  C - O PASTOR GABRIEL - Pastor/animal em inteira comunhão com o gado;  não quer saber de rebanho humano.  Morgada, ela cordeira no cio, vem tentá-lo.  Unem-se sobre a palha;  casam-se.  -----  D - REPOUSO - Lei da terra é o trabalho e Lomba é matador profissional.  Tenta reintegrar-se na comunidade, confessa-se ao padre sem se arrepender;  mesmo com 'doudices', participa da festa anual.  Repelido pelas homens, uma criança destrói-lhe inteiramente a ilusão de poderio:  palavra "Quimera" em duplo significado. Após suicídio, metonimicamente se torna terra;  "agora monte de estrume".  -----  E - O CAÇADOR - "Virgem e selvagem na alma", para ela caçar é "se encontrar com as forças elementares do mundo":  o cio e a brisa de sémen são naturais, e natural é também um para amoroso.  Um abelhudo intende atrapalhar os namorados.  "Aquelas coisas se querem na paz do Senhor..." - e o caçador impede a passagem do intometido.  -----  F - O LEPROSO - A terra é hostl e injusta com o doente.  Tenta a cura impossível;  quer ficar no ambiente.  Vende à cidade que o repeliu azeite usado em um banho.  Grupo natural o assassina:  morte é equilíbrio quando resulta em paz.  ----- G - DESTINO - Em cenário de natureza (primavera, cerdeira), olham-se amorosamente pela primeira vez:  lei natural é amor e floração.  É ele, lamentavelmente, um tímido.  Surge à moça um outro namorado.  Natural seria um casamento:  ela casa com o outro e ele fica sozinho (vence nela o natural).  ----- H - O LOPO - "Entranhas da serra" (mina) foi o que lhe roubaram e ele ainda perde a questão na justiça social.  "Religiosamente debruçado sobre o regado", só no ambiente natural encontra paz, calma e serenidade - no local da mina, volta a ser senhor de si.  Procura o inimigo.  Mata o ladrão:  vinga-se com esta justiça natural.  -----  I - O SÉSAMO - Rodrigo/pastor/animal acredita na lenda e tenta abrir montanhas com palavras mágicas.  Nada acontece, pastor se desilude.  Mas se abre ventre de ovelhinha:  verdade do pastor está no nascimento de mais um animal.  -----  J-  MARIANA - Mulher/terra tem missão de procriar, reproduzir;  recebe o sêmen e naturalmente bota filhos no mundo.  Oferecem-se  para lhes criar os filhos.  Recusa:  "Eles não têm pai... são só meus,"  -----  K - NATAL - Peregrino-pedinte quer "consoar à manjedoura nativa".  Cenário de neve natalina sugere o próprio nascimento do Menino Deus:  a igreja vale como abrigo na noite branca.  Lourosa não lhe enche barriga. mas ele traz farnel.  Queimados os objetos religiosos, obtém calor.  Menino ao colo, a senhora lhe sorri;   se faz de José e ceiam juntos, a Sagrada Família.  -----  L - NÉVOA - Ainda não nascida, morrera-lhe o pai, camponês - ela, "sol imerecido a iluminar a terra", ama-o com devoção.  Diz que a mãe já o esqueceu.  Mãe a deixa e vai "trabalhar à roça".  -----  M - RENOVO - A aldeia precisa de gente sadia para o trabalho:  natural que camponês nunca adoecesse.  Há grande e terrivel epidemia e morrem muitos moços e velhos.  Mas lei natural é mais forte, a terra precisa de gente para a lavoura;  sino - que antes tocara a finados - voltar a anunciar um batizado:  e o renovo da vida.  -----  N - O REGRESSO - Lei da terra é a paz, "vontade pacífica e humana" - nos portais, "caras humanas e cristãs";  vida da terra é latoeiro, rebanho, nome na pia batismal.  Filho pródigo, ex-voluntário, deseja reintegração.  Em campo de batalha, ele não é homem e sim número.  O mutilado é vencido e dá as costas à aldeia" (vitória do natural).  Ivo andara a gosto de aventuras (social) e é castigado.  -----  O - A CONFISSÃO - Após 50 anos de prisão e ausência, acusado de assassínio, regressa à terra natal:  vai rezar à sepultura dos pais.  Padre lhe conta da confissão do verdadeiro assassino, em extrema-unção.  Vinga-se da injustiça do tribunal (social), aplicando uma bofetada no morto.  -----  P - O MILAGRE - "Em casa de lavoura, um rebanho de filhos é a lei da vida" - a mulher deve ser fecundada como a terra.  Permanece a mulher estéril após anos de casada;  o marido tenta rezas e peregrinações.  Suicida-se:  em vida, Raquel já não era deste mundo natural (reintegra-se em voltar a Satanás).  -----  Q - O ARTILHEIRO - Na aldeia, apelido funciona mais legalmente que o nome do registro civil.  A princípio, herói não se enquadra nesse contexto.  O Artilheiro, baixinho, entra em luta com "um rapagão como uma torre".  Prova que é um artilheiro ao derrubar o latagão.  -----  R - TEIA DE ARANHA - Na terra de cascalho duro, a vida mede um ano longo de 365 dias.  São também homens pasmados, lentos, em resoluções secretas a amadurar.  Bento é dado como desaparecido.  Quando morre o sobrinho Artur, uma trovoada desmedida, a corrente d'água natural  mostra sob os alicerces de um muro o esqueleto de Bento, assassinado pelo parente herdeiro - a natureza descobre um crime.  -----  S - A FESTA - A de Santa Eufêmia é festa:  cada membro daquela família tinha um sonho particular para aquele dia de desabafo.  Cada qual sai logrado em suas expectativas, mas é preciso "arranjar novas forças" para o recomeçar.  -----  T - O MARCOS - A povoação era monótona e rotineira:  só o Maia gostava de novidades, daí sempre abrigar tipos extravagantes em casa.  O enjeitado-pastor, sossegado, não agrada ao amo.  Marcos se vai e deixa na manta um espantalho, que agora o Maia oferece à venda nas leiras.  -----  U - A CAÇADA - No mato orvalhado, há boa caça.  Acautelados, dois velhos amigos, o ofendido e o ofensor, vão à caça.  A caçada se pretende que seja humana.  Mas a voz da amizade é mais forte e "o que lá vai, lá vai", cada qual pacificado a seu caminho.  -----  V - O SENHOR - Pela manhã, corta o arado nas Valongueiras:  vive-se de plantar e colher.    Mal para dar a luz, a mulher recebe o padre para extrema-unção.  Não vieram ou nada resolveram os da ciência (médico, a parteira), o padre precisou ajudar.  Faz-se o parto, retornam padre e procissão.  O Senhor agora verdadeiramente glorioso.
 
(Segue.)
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 22/09/2018
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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Rubemar Alves