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FOLCLORE - MITOS BRASILEIROS - PARTE IV


 
CACHORRO CANTOR - O cachorro cantava, sim!  Nos tempos de antigamente, ele cantava e ainda melhor que o Sapo, mas esse. com inveja, disse ao cachorro que ele tinha a boca muito pequena e cantaria ainda muito mais bonito se a tivesse maior.  Cachorro acreditou, pegou uma faca e rasgou a boca de fora a fora - depois disso, nunca mais cantou.  Moral da estória - Quando o 'amigo' não é amigo, precaução com o que ele diz.
 
O SAPO CAMPEÃO E O COELHO LAMBÃO - O Coelho zombava do sapo e o chamava de  'preguiço', molenga, lerdo, nada ágil... que só sabia pular.  O Sapo, zangadão, propôs uma corrida - Coelho na estrada X Sapo no mato...  Coelho riu muito da ideia, mas topou.  O Sapo reuiu familiares e os distribuiu na margem do caminho para responder aos gritos do Coelho.  Este disparou na frente. como um raio, de repente parava e perguntava:  "Camarada Sapo?!"  Logo vinha a resposta de dentro do mato:  "Oi!" - coaxava 'um' Sapo...  E assim o Coelho chegou à margem do rio exausto, e viu uma coisinha verde tranquila e serena, esperando por ele.   Considerou-se vencido.
 
O PAPAGAIO REZADOR - Papagaio se reconhece pelo amarelo da cabeça - se esmaecido, fala baixinho; se lustroso como gema, cor de canário tratado a alface e água de limão, é falador garantido.  Papagaio novo, boa cabeça para pensar e falar, caído do ninho em dia de tempestade, foi o presente que deram ao padre.  Bicho tagarela, aprendeu palavras e combinações em frases e arremedava o sacristão ralhando com os coroinhas e as beatas cantando; até aprendeu a tirar ladainhas...  Ah, o padre ficou muito sentido quando ele fugiu com um bando de outros papagaios que passaram voando e barulhando... e passou a viver das memórias de sua ave de estimação, em especial quando o coro cantava, as beatas se esganiçavam na ladainha de maio e o coração apertava ao ver o poleiro vazio.  Mas o tempo é como o vento soprando em areias de dunas, cobrindo casas, igrejas... e recordações.  Três anos de areia do esquecimento se passaram.  Num fim de tarde, vigário refastelado na cadeira de balanço, no alpendre perfumado de madresselvas, escutou um coro de vozes cadenciadas vindas de cima; olhou e viu o bando de papagaios, asas agitadas, acompanhando o da frente que modulava seguro:  "Stella matutina!"  O bando uníssoo completava compacto:  "Ora pro nobis!"  Homem de muito viver, o vigário sorriu.  Não havia como não reconhecer, embora mais magro e esbelto, o amarelo da cabeça lustroso como canário, o mesmo entoado de voz.  Sacerdote abriu ao acaso o Breviarium Romanum e deu de cara com o salmo 135:  "Qui facit mirabilia magna solus."  Aquele que só faz maravilhas......... - Pesquisador folclorista MANOEL CAVALCANTI PROENÇA.
 
MÃE-DO-OURO - Origem árabe, via Espanha - No interior dos estados de SP e MG, é um passarinho amarelo que, quando canta, esparrama ouro ao redor e paralisa quem passa perto.  Em outra versão paulista, é um quadrado de todas as cores que caminha de pedra em pedra, no mar, e de morro em morro, na terra; tem no centro um farol luminoso e uma cauda terminando em ponta, brilhando como uma faixa de luz.  Defende pepitas de ouro e esconde jazidas.  Ligada a fenômenos meteorológicos, pois relâmpagos a localizam e trovões são a sua cólera.  No Paraná, se fixa antropomorficamente, mulher sem cabeça.  Em São Paulo, sedutora e afogando homens, vive num gruta de rio, rodeada de peixes, e atravessa os ares num cortejo de cores vivas.  Em Minas, é também uma serpente de fogo que pune os destruidores das pradarias.
 
ONÇA PERSEGUIDORA - Lenda indígena - Por que Onça não gosta de gente?  Os índios kayapós explicam de um modo curioso o porquê das onças não gostarem de gente.  Na sua tradição, os animais dominavam o arco e a flecha, ainda desconhecidos pelos indígenas.  Um dia, uma onça levou um índio até sua casa e ensinou a ele tudo o que sabia.  Ambicioso, voltou para a aldeia, contou tudo o que aprendeu e voltar para roubar toda a carne que o animal tinha caçado com seus instrumentos.  A onça nunca mais perdoou a traição e passou a perseguir os homens.
 
CASAL FELIZ - Conto popular africano - O Sol e a Lua moravam em casas separadas - a dele era maior e nas cores quentes vermelho, amarelo e dourado;  a dela, menor, nas cores frias azul, verde e violeta.  O amigo Sol visitava a amiga Lua, ao contrário jamais, ela dizendo que tinha uma família muito grande (planetas, estrelas, cometas...) e precisava mesmo era de uma casa enorme...  Construíram em menos de uma semana e o Sol foi convidado a morar junto também.  Para a festa de inauguração, convidaram a Água  que trouxe toda a família - peixes, camarões e outros.  Entraram - Sol e Lua já estavam com água na altura dos joelhos, agora alta até para cobrir uma pessoa.  Casa lotada!  Sol e Lua sentados no telhado.  Mas a água era tanta, que Sol, Lua e familiares acabaram fugindo para o céu.
 
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LEIAM meus trabalhos "Cerâmica nordestina", "Literatura de cordel", "Mito em estudo fragmentado". "Mitos", "Mitos populares divertidos", "Narrativas africanas", "O cordel e.........", "O pavão misterioso", "Tradição folclórica: o boi" e "Uma lenda folclórica: a mandioca".
 
CADERNOS DE FOLCLORE / MEC - Acervo de bibliotecas - 1.Capoeira - Edison Carneiro, 1975;  2.Literatura de cordel - M. Diégues Júnior, 1975;  3.Folclore - Renato Almeida, 1976;  4.Taieira - Beatriz G. Dantas, 1976;  5.O folclore na escola - Maria de Lourdes Borges Ribeiro, 1976;  6.Mitos brasileiros, Luís da Câmara Cascudo, 1976;  7.Afoxé - Raul Giovanni da Motta Lody, 1976.
 
                                           F  I  M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 12/08/2018
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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Rubemar Alves