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DE UM SEMINÁRIO SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA - INÍCIO


 
AMBIENTE DAS PALESTRAS - colégios de Ensino Médio.
 
Gravei:
 
1---OLAVO BILAC - Nasceu no Rio de Janeiro em 1865; frequentou os cursos de Medicina e Direito sem concluí-los;  foi jornalista e funcionário público;  entre várias campanhas nacionais, participou na da alfabetização, do ensino e da educação (inclusive tradutor e compositor de muitos poemas infantis, livros didáticos e antologias), da educação física e do serviço militar.   -----   Dele, poema LÍNGUA PORTUGUESA, no livro "Tarde", 1919 - "Última flor do Lácio, inculta e bela, (...) O gênio sem ventura e o amor sem brilho!"   -----   Título corresponde ao tema.   -----   Soneto tradicional parnasiano, versos decassílabos heroicos e sáficos, rima consoante oposta, dentro do sistema clássico de versificação. / "Última" - referência histórica e metáfora:  última língua latina a formar-se, valores transferidos às qualidades de uma flor /beleza/;  elogio à pureza e grandiosidade da língua que surgiu do dialeto galaico-português, uma já evolução do latim vulgar, falado na Península Ibérica. / Em antítese, ele chama a língua portuguesa de rica-expressiva-bela:  "inculta e bela", embora pouco cultivada como o ouro /riqueza/ ainda não descoberto que jaz no fundo da terra, misturado com a "ganga", resíduos minerais não aproveitáveis da categoria inferior de uma jazida, mas ainda com substâncias aproveitáveis, no caso o latim vulgar de que se originou o português.  / Poeta a ama, pois nela encontra todos os recursos de comunicação, manifestação eloquente e relacionamento afetivo - "bruta mina", as riquezas minerais (no caso, linguísticas), ocultas na terra em estado natural;  "tuba", trombeta ou pistão, de timbre baixo e solene, para anunciar a novidade, agora em clangor, com forte /eloquência/;  clássica "lira" /suavidade/, em seguida o "trom", trovão-canhão forte, a "procela", tempestade marítima, o "arroio",  suave canto de ninar, da "saudade" e da "ternura", lembranças das primeiras manifestações do amor materno, "meu filho!";  língua que tem "viço agreste", exuberância de vida rústica em que CAMÕES, poeta português  do século XVI, o maior gênio da nossa literatura, criou magníficas obras.   -----   Observa-se que o vocabulário clássico de Portugal contrasta com a "língua brasileira" pela simplicidade desta e presença de vocábulos de origem indígena e africana, e influência de imigrantes.
 
ILUSTRAÇÃO - Capa da revista "Careta", anno /com 2 "n"/ XVII, republicada na "Cultura", do MEC, janeiro/1972.  Prédio grego de colunas, ao alto a sigla ABL;  ao fundo, morro, barraco e uma palmeira, antítese entre o tradicional literário e o moderno.  No cenáculo dos poetas, GRAÇA ARANHA de terno e gravata:  "Encantos de aipim.  Batuques, xilindró.  Batatas, rapaduras.  Luar e pão-de-ló..." / Os acadêmicos, trajes longos, camisolões 'gregos':  "Oh, escândalo!  Miséria!  Desgraça futurista!  Pobre Graça Aranha!  Agora virou cubita!"   -----    Com quem estaria a razão?
 
2---PAULO MENOTTI DEL PICCHIA - Nasceu em São Paulo em 1892, filho de imigrantes italianos;  foi advogado (Arcadas, Largo de São Francisco, formado em 1913), tabelião, político, poeta, cronista, romancista, jornalista, ensaísta e pintor;  participou da Semana de Arte Moderna, 1922;  em 1924, criou o Movimento Verdeamarelo com outros intelectuais;  ABL, 1943, cadeira n.28;  prêmios Jabuti, 1966, e Juca Pato, 1968.   -----   Dele, poema LÍNGUA BRASILEIRA, em "República dos Estados Unidos do Brasil", 1928 - "O povo menino / no seu presépio de palmeiras (...) E assim nasceste, / Ágil, acrobática, sonora, rica e fidalga, / ó minha língua brasileira!"   -----   Título corresponde ao tema.   -----   Poema de versos livres, brancos, estrofação de número variado de versos.  Defesa da tese da língua brasileira, salientando a miscigenação de sua origem, simultaneamente ressaltando sua sonoridade, riqueza e fidalguia.  Originalidade e liberdade na criação da palavra "abracadabra".  A língua brasileira foi herdada dos portugueses e alterada sucessivamente, sobretudo no vocabulário e na pronúncia, por influência africana e de imigrantes.
 
3---JOSÉ PAULO PAES - Nasceu em Taquaritinga/SP em 1926;  foi químico industrial, poeta, tradutor, critico literário, ensaísta e editor;  absorveu parte da poesia concreta de 1945.   -----   Dele, poema LISBOA:  AVENTURAS, no livro "A poesia está morta mas não fui eu", 1988 (exemplos de variação linguística geográfica):
 
/na projeção, versos paralelos intercalados, Brasil à esquerda, Portugal à direita, numeração para 'palestrado' entender melhor/
 
"1-Tomei um expresso   /   1-cheguei de foguete
2-subi num bonde   /   2-desci de um elétrico
3-pedi cafezinho   /   3-serviram-me uma bica
4-quis comprar meias  /  4-só vendiam peúgas
5-fui dar à descarga  /  5-disparei um autoclismo
6-gritei - "Ó cara!"  /  6-responderam-me "Ó pá!"
7-positivamente *"as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá".
 
*Verso - alusão a "Canção do exílio", poema romântico de GNÇALVES DIAS, linha indigenista, na obra lírica ""Primeiros cantos", de 1846, época da onda de nacionalismo, primeiro momento do Romantismo no Brasil - poeta cursava Direito em Coimbra, julho/1943, exílio físico-geográfico voluntário (mestiço, recusado em amor por preconceito racial da família da moça.  Poema reciclado em partes no Hino Nacional Brasileiro.
 
4-PORTUGUÊS NO MUNDO - Área muito extensa, em vários continentes.   -----   Onde se fala PORTUGUÊS:  na Europa (Portugal), na América (Brasil), na África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe - além de ilhas próximas da costa africana:  Açores, Madeira), na Ásia (Damão, Diu, Goa, Macau) e na Oceania (Timor).   -----   Ete quadro é o reflexo da expansão territorial de Portugal nos séculos XV e XVI, idioma imposto nas novas terras "descobertas", embora não se mantendo uniforme, dividida em vários dialetos.
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Folheto distribuído à plateia:
 
Unificação linguística, que clareza!
 
Tem aí meia dúzia de *urnigos (palavra portuguesa que significa o que significa), na calada da noite, arquiteando um plano pra "unificação" da língua portuguesa,  Escreve o texto abaixo em português de Portugal pra vocês verem como será fácil essa unificação.
 
"Estava a conduzir meu automóvel numa azinhaga com um borracho muito gira ao lado, quando dei com uma bossa na estrada de circunvalação que um bera teve a lata de deixar.  Escapei de me espalhar à justa.  Em havendo um bufete à frente convidei a chavala a um copo.  Botei o chiante na berma e ordenamos ao criado de mesa, uma sande de fiambre, emcarcaça eu, e ela um miau.  O panasqueiro, com jeito de marialva paneleiro, um chalado da pinha, embora nos tratando nas palminhas, trouxe-nos a sande com a carcaça enturrada (e sem caganitas!), e, faltando-lhe o miau, deu-nos um prego duro."
 
Como talvez vocês não tenham entendido alguma coisa, traduzo em brasileiro, também conhecido como português do Brasil.
 
"Eu dirigia meu carro por um caminho de pedras tendo ao lado uma gata espetacular, quando vi um lombo na estrada do contorno que um escroto teve o descaramento de fazer.  Por pouco não bati nele.  Como havia em frente uma lanchonete, convidei a mina a tomar um drinque.  Coloquei o carro no acostamento e pedimos ao garçom sanduíche de presunto com pão de forma, eu, e ela sanduíche de lombinho.  O gozador com jeito de don Juan bicha, muito louco, embora nos tratando muito bem, trouxe o sanduíche com o pão queimado (e sem azeitonas!) e, não tendo sanduíche de lombinho, trouxe um de churrasquinho duro."
 
          MILLÔR FERNANDES, Istoé Senhor, 19/6/1991.
 
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NOTA DO AUTOR:
 
*Provável corruptela de 'amigos'.
 
                                               F  I M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 11/08/2018
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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