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Teoria literária #058: COMO FAZER UM DÓDITCHE

Teoria literária #058: COMO FAZER UM DÓDITCHE

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Como compor um Dóditche da Capo Lapidado:

Dóditche da Capo Lapidado, ou simplesmente Dóditche, é uma criação de Od L'Aremse, variação progressiva do "Dódeka,, um estílo híbrido entre o Dódeka da Poetisa Aila Brito e este autor e o Extrato da Capo Garimpado do Poeta Bosco Esmeraldo.

Etimologia: Dóditche, do italiano, dodice - doze.
Estrofação: trinta e seis versos distribuídos em três grupos de doze ou grupetos de doze versos assim distribuídos: 12, [4,6,2], [6,4,2]
Rimada:
    12[ABABCDDCDCAB] 12[EFFE GHGHGH EF ] 12[IJJIIJ KLLK LK] ou
    12[ABBAABCDCDAB] 12[EFFE GH GHGH EF] 12[IJJIIJ KLLK LK]
Métrica livre, à escolha do Poeta. Quando escolhida, prezar por mantê-la até o final do Dóditche. Porém, se assim escolher o poeta, pode usar versos assimétrico, ou seja, sem métrica, devendo apor, abaixo do título, "Versos assimétricos".
Lirismo deve escorrer pelas linhas e entrelinhas.

Boa leitura! Boas feituras!

Exemplo 1:
*

FAZENDO, QUE FAÇA O BEM

Tem gente que pega barro
E, com ele, todo se lambuza
Outros, dele, fazem jarro,
Panela, portes, abusa
E extrapola em criação.
Há aqueles que com tijolo
E faz, casa, jardim, monjolo,
Dá asa a imaginação.
Cria bem, não faz parolo,
Palácio, prédio, mansão.
Nesses vieses eu me amarro…
Bem da criatividade se usa.
*
Há quem, de algodão, chumaço
Faz tampão, faz cataplasma,
Fiando linha, cura, espasma,
Tece o pano sem embaraço.

Com capricho, faz tecido,
Bela estampa em urdidura,
Mas há aquele, pós cosido,
Faz trapo e após, cerzidura,
Do bem, do mal faz mistura
A chorar desiludido.

Se afunda em tanto embaraço,
Tão sôfrego a ver fantasma.
*
Tem gente, que vem, rabisca
Riscos, letras sem sentido,
sem lógica, cor, partido.
Qual pássaro vem, belisca,
Qual gralha, pardal ou nisca,
Moela abaixo, sai premido.

Há quem cria com maestria,
Gente que risca e rabisca,
Faz projetos, segue à risca
Sem acabar em heresia.

Gente que, de ideia prisca
Tece a mais bela poesia.
*
Dóditche da Capo Lapidado #001
*

Exemplo 2:

Dóditche #005: NO FINAL É TUDO CINZAS
*
O esquecimento é má virtude,
demérito que é muito forte,
pois que vida é o passaporte,
de sem vida, inquietude.
Um desdém que não me ilude,
Há sempre alguém que conforte.
Vem de modo superficial,
com ares de algo profundo,
mas, de supérfluo social,
que, às vezes té me confundo.
Se em vida, essa atitude,
imagine após a morte!
**
De mão dupla, é a amizade,
É mais que seguro porto.

É pra harmonia o transporte,
que às vezes é, sem ter sido,
o porto do desvalido,
a âncora, firme suporte.

Nos causa mui desconforto.
O agir com falsidade,
mas é, pra nós, um conforto
o trato com lealdade.

Se em vida já sou esquecido,
Imagine pós a morte!
***
Sinto-me qual estivesse
de tudo aqui bem distante,
dentro, um vazio constante
como a me tomar quisesse.
Assim, o ânimo esmorece,
Me sobrevém num rompante

E, do roçar da atrevida,
Do viver, já sinto o corte
Sem a qualidade devida,
Estou entregue à própria sorte.

Se já sou esquecido em vida,
imagina, pós a morte!

Dóditche da Capo Lapidado #005:
Alelos Esmeraldinus
Enviado por Alelos Esmeraldinus em 17/11/2015
Reeditado em 01/12/2015
Código do texto: T5451989
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alelos Esmeraldinus
Gama - Distrito Federal - Brasil, 95 anos
3763 textos (171984 leituras)
206 áudios (13488 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/08/20 00:14)
Alelos Esmeraldinus