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Continuação II da dissertação de J B Pereira

Essas reminiscências fluem no eu-lírico como uma conexão entre o provinciano na metrópole mineira. Ele, em trovas, pela sua leveza e espírito alegre, permitem o poeta usufruir certo conforto e recordação de um tempo que não volta mais, justamente rememorados na sua maturidade poética em Divinópolis, logo após sua segunda e feliz núpcias com Maria do Carmo em 1976, vivenciando a inesquecível morte de Lilia em 1970.
Nesse contexto, faz em cunho tradicional o “Elogio do Lar”, fruto de sínteses de leituras desde 1941. Aqui, de fato, o poeta retira do seu baú das memórias de 1990 e talvez seus cadernos e apontamentos íntimos de um possível diário, coisas do passado. Compila esse artigo, a partir de 1941, sob influência de Guerra Junqueiro, poeta português e crítico da conduta patriarcal de D. João. Na verdade, Milagre já havia tentado publicar isso em forma de trovas desde 1941, depois retomou a mesma idéia em 1989.
O tom de defesa à família cristã faz parte da formação do poeta conservador, que vê os meios de comunicação como ameaça como “a avalancha arrasadora”. E se afirma como arauto dos bons costumes e do lar. E, Milagre, justifica-se:

Se alguém me argüir de ultrapassado, respondo que não sou, que poderia escrever em forma neo-concreta ou gráfica, mas preferi fazê-lo como fiz, porque, graças a Deus, sei fazer tanto um poema trabalhado em experiências oficínicas de modernidade, como o soneto, a trova, etc. É uma questão de versatilidade, ou, como Domingos Diniz, de ecletismo; ou ainda, como tive, recentemente, a honra de me ser dito, em carta, pelo poeta Francisco Carvalho, que “ de certo modo, isso é muito bom, na medida em que amplia os horizontes formais do poeta”. (...) Também faço defender-me da possível pecha de velhada, citando, ainda Guerra Junqueiro, que assevera ter o poeta a “obrigação de ser um homem de seu tempo”, pois o estou sendo, alevantando, em termos de crítica e denúncia, uma situação atual que vem objetivando o caos na família. (MILAGRE, 1991, p. 31-33)

 Não entraremos profundamente na questão do gênero à luz das diferentes linhas do feminismo desde o século XIX e seu complexo discurso no século XX, contudo, sabe-se que, embora mergulhado no discurso patriarcal, Milagre abraça a moralidade católica e o heteroxessualismo como suas opções pessoais, inclusive na sua apologética lírica nas trovas que aqui elaborou, à luz de Guerra Junqueira contra o comportamento devasso da corte de D. João em Portugal.
O poeta como Junqueira reitera o moralismo e a submissão da mulher ou os estereótipos que perduram no “ethos” patriarcal. É um dos condicionamentos que sua geração não consegue escapar. Assim, Milagre se constitui como um poeta conservador em nome da instituição família e segue matizes moralizantes da tradição e da religião, duas formas ideológicas de subalternidade da mulher ao patriarcalismo na sociedade, contra se impuseram as feministas. Para Althusser (apud Hall, 2004, p. 33  ? ), a família e a religião são aparelhos ideológicos do Estado e reproduzem os interesses e demandas sociais. Deste modo, a sexualidade como a linguagem, ambas são formas de dominação e enquadramento de mulheres e homens conforme os códigos de conduta e regras de aceitabilidade e reprovação social, segundo Bordeaux. E não poderia ser diferente, na poesia de Milagre, esses códigos e regras estão contaminando à maneira como o poeta apresenta ou representa socialmente sua inserção como escritor, à medida que se autoriza ser arauto dos bons costumes e do lar, como categorias indefinidas e universalizantes, impostas no formato tradicional e moralizante. São vestígios de um pensar hoje questionado e em crise, quanto à sua universalidade e legitimidade única. Sabe-se que a família é uma ambigüidade cultural inevitável e como instituição implica um modus vivendi vário, étnica e eticamente, em uma das maiores transformações e mais rápidas propostas de novos modelos de relacionamentos na sociedade pluralista e na história. Recentemente, a reforma do código civil reconhece a igualdade de direitos e de condições entre homem e mulher, mais o fim do Pátrio Poder.



1) Em A Igreja de João XXIII (1986), aparece o poema “Ao Cristo do Corcovado”, no qual Milagre faz uma prece ou talvez uma crítica sutil no Rio de Janeiro, em 1960. Percebe-se, nessa obra, claramente o interesse do poeta pela religiosidade e pelos temas eclesiais, pastorais, ecumênicos da Igreja Católica em mudança e abertura nos anos 1960. Essa temática pervade a obra milagreana! O poeta terá diferentes posicionamentos em relação à religião, desde o  fiel conservador, marcado pela aceitação incondicional da romanização ou vivência do cristianismo, à uma visão  mais crítica, chegando a momentos de se posicionar como na pele de um cético, na verdade, mais um cristão decepcionado com o mal no mundo! Os temas religiosos resurgirão em 1987, com a publicação de Lixo Atômico, em que há uma radicalidade desconsertante em relação à condição da mortalidade e a contraditória vida do homem como se vivesse aqui e não fosse morrer. A fobia do fim do mundo    O poema que se segue é um poema-moreno -cristão repensando sua fé e a economia como um deslocado na viagem ao Rio de Janeiro:
Senhor! Requeiro
O abono –família de quatro filhos.

Vim de longe
Em carro da Cometa

E subi nesse trem de cremalheira.

Oba! Que altura!

- Esse é mineiro.
- Sou mesmo. E daí?
Senhor! Eu poderia
Ter pedido esse abono por lá;
Porém, o vosso abono
Ó Cristo maior do mundo,,
É o maior abono que há.

Desce o braço da imagem
Como o pano de um palco.
 (1986, p. 21)

O aspecto gracioso, o cômico e o religioso se misturam e se articulam em uma síntese viva; prece e teatro, denúncia e turismo... O poeta assume um ar de ator, mistura os gêneros da poesia narrativa e o poema-práxis. Ele chama a mais-valia do capitalismo no fetichismo do abono e o ter o abono ou aval do Cristo como quem pode recompensar o homem-trabalhador, agora na pessoa do poeta mineiro em tour pelo Rio de Janeiro. A prece é a petição! O Cristo redentor é o palco onde o útil e o agradável do passeio ou viagem se entrelaçam e o poeta em tom performático deixa no poema-formulário um peso de requerimento que depõe ao ombro do “Cristo do Corcovado”, encurvando-o como quem puxa o “pano de um palco”. O ser mineiro deslocado em outro estado evidencia como ocorrera nas poesias de Carlos Drummond a necessidade de entender-se diferente do outro, o carioca, e continuar sendo mineiro e ao mesmo tempo um homem angustiado no mundo.  Nas alturas do Pão de Açúcar, o poeta requer o abono família maior por ter seus quatro filhos, o que lhe dá a autoridade e escreve como poeta-escrivão e exerce a sua cidadania e fé, concomitantemente, no desejo de ver seu requerimento deferido pelo Cristo “das alturas, entre às águas e serras do litoral e o seu olhar no interior do Brasil, por que  não de Minas, onde há outras águas não salgadas e outras serras. Lá e cá, a antitética toponímia se articula na geografia dos assalariados cujo valor e sentido são contraditórios, visto que a constituição endossa um salário-utópico e a economia reduz o salário-real. Milagre transita por universos múltiplos entre a fé na vida e a vida da economia de cada dia do brasileiro, seja mineiro, seja carioca. Então, o poeta ao denunciar a contingência e insuficiência do salário, ainda do abono-família, assume uma postura crítica e política de valor inegável, transitando com desenvoltura entre o mundo da tradição e religião para a economia e modernidade, em que as desigualdades sociais e a marginalidade dos trabalhadores nos planos econômicos são assuntos da ordem do dia, no modelo de capitalismo brasileiro.
Se para Fernando Pessoa, no poema “Autopsicografia”, o poeta é um fingidor, também em Milagre, o poeta é um ator. Em seu último livro, O Nome dela é Perpétua, há duas trovas que reproduzem o poeta-ator milagreano:
 
No teatro deste mundo,
Toda cena é de improviso:
Ora, é um gemido profundo;
Ora, espontâneo sorriso.

Cada um é ator a seu jeito
Na tragicomédia lida
Do teatro mais perfeito
Que é o teatro desta vida . (1991, p. 31)

2) As “Poesias de São João Del-Rei”, em 1952, formam um conjunto harmonioso e sutil de reflexões sobre o “Histórico” a Dr. Luiz Mourão Ratton (p. 38), “O venturoso Encontro” a Frei Metelo (p. 39) e “As Águas Santas” ao Dr. Geraldo Guimarães (p. 40) em A Igreja de João XXIII (1986). Contudo o poema “Férias” encabeça nossa atenção para o momento de entretenimento e descanso do poeta com  Lilia, vivendo o impacto do casario antigo e eclético, barroco e colonial, moderno e variado de São João Del-Rei. O poder de sedução dessa cidade sobre o turista e visitante é algo que desperta não só a curiosidade e questionamentos sobre a igreja e a origem da cidade nos tempos dos Inconfidentes, mas induz um olhar de admiração à arquitetura, ao conjunto de serras do Lenheiro e de São José de Tiradentes, hoje ferida pela indústria de beneficiamento da areia pura e branquíssima, utilizada em vídeos, camaras de tevê, dentre outros fins.
Saint Hilaire fora tomado pela contemplação do vale e as riquezas das serras e rios quando visitou São João Del-Rei no século XIX. Esse enlevo deve ter provocado a inspiração de Milagre nos poema que enaltecera essa cidade. Veja fragmentos de Férias (1986, p. 37)
São João del Rei; nesta cidade amiga
Viemos passar uns dias de descanso.
Quanta beleza antiga
De um tempo de heroísmo e de arte alcanço!
Que esplêndidas igrejas, trabalhadas
Com talento, na pedra bruta e no ouro!
Seu passado é um tesouro
De incentivo na busca do futuro. (...)
E em fábricas modernas, desgrenhadas
O progresso do século arrastando. (...)
Porque em lua-de-mel sempre estarão
Os que vivem do amor, sob a sua asa,
E bendizem, qual nós, a própria união...  (1986, p. 37)


O poema “Histórico”, dedicado ao Dr. Luiz Mourão Ratton, focaliza a geografia sinuosa do Rio das Mortes e os episódios: o “dantesco da Traição” em Emboabas, “ e o martírio de Joaquim da Silva Xavier. A casa em que “nasceu o magno Tiradentes”, desde o império está em ruínas, até hoje ainda a nos “dar glória a Minas” nas “margens viridentes”, do mesmo rio. (1086, p. 38) A figura do alferes é polêmica atualmente. Várias cidades do entorno são-joanense disputam a naturalidade de Tiradentes: a própria cidade de Tiradentes, Santa Cruz de Minas e Ritápolis. Há um turismo constante envolendo a casa de Tiradentes na fazenda do Pombal, depois do Fé e do Campus CTAN, da UFSJ, saída asfaltada para Ritápolis e São Tiago. Durante a monarquia, Tiradentes foi reduzida a vilão, depois com a República se torna herói nacional, insigne patrono da Polícia Militar de Minas Gerais e de outras entidades do governo federal, estadual e municipal. Um dos estudiosos de Tiradentes foi o professor e historiador que nasceu em Dores do Indaiá em 23/10/1907: Waldemar de Almeida Barbosa. Em vida, publicou vasta obra. Fora membro de academias, inclusive em Belo Horizonte e em Divinópolis, onde se tornou amigo de Sebastião Milagre.
O poema “O venturoso Encontro” a Frei Metelo Greeves é a alegre amizade já cultivada desde os tempos em que o frei comparecia aos lançamentos de livros de Milagre na Livraria Frei Orlando, de Divinópolis. Paulo Milagre , filho do poeta, 55 anos de idade. me confidenciou como era o jeito alegre do frei e como valorizava a poesia do pai.  O motivo também inclui o fato de que o frei celebrara o casamento de Milagre com Lilia. O frei era também poeta:”Possuía os dons supremos do universo,/ Que, alem de sacerdote, ele era poeta...! Era o encontro de conhecidos amigos unidos pela poesia e fé!
Milagre poetiza esse reencontro com o frei em São João e a visita ao Colégio Santo Antônio, “primeiro exemplar de educação”, conduzido pelo Frei Metelo. (1986, p. 39)
Em minha juventude, quando estudava na Escola Estadual Cônego Osvaldo Lustosa, de São João Del-Rei, observava que havia um idoso frei que andava rápido rezando um breviário pelo Bairro Guarda-Mor. Era um exemplo de oração peregrina como um franciscano circunspecto, um sinacoreta.
Em “As Águas Santas”, oferecido ao Dr. Geraldo Guimarães (p. 40) em A Igreja de João XXIII (1986). O poeta divaga sobre os dons terateuticos daquela água e o valor da natureza que é o lugar de encontros animados de crianças, jovens e adultos. Para o poeta aquilo sim:
É um ótimo recreio/ sair pelo subúrbio em debandada,/ ouvindo sem cessar um so momento, / o pairar das crianças que são tantas, / E a mocidade alegre e estouvada./ Depois, chegamos à Estação Balneária./Que lugar aprazível! Que altitude!/ O céu é azul em toda a plenitude. / é a flora é rica e vária. A água borta do seio da montanha/  tanto mais agradável, morna e quente/ Quanto mais frio for o dia,/ / todo mundo se banha.

Pão de Sal (1966) tem trovas de Milagre, que enaltece São João Del-Rei:

Ó Igrejas de ar sagrado
E indústria de pulso ardente.
São João Del Rei do passado;
São João Del Rei do presente. (p.31)

Nesta noite tão bonita
Alegra-nos uma cousa:
A surpresa da visita
Do poeta Lincoln de Sousa. (p. 49)

O mundo em guerras falando
Entre vivas à bravura;
E, em Minas, poetas, cantando,
Fazem trovas à Ternura. (p. 55)

Quando penso neste Santo
Que foi Francisco de Assis,
Mesmo pobre, por encanto,
Sempre me sinto feliz. (p. 57)

Após vários poemas de A Igreja de João XXIII (1986, p.07-34), Milagre finaliza esse opúsculo, e abre estrategicamente “Poesias de São João Del Rei” em 1952. Estrategicamente, porque o poeta aproveita o encarte para publicar os quatro poemas que recolhera da lavra daquele ano, em que passara por lá. Logo após esses, há os “Poemas de Divinópolis”. Os motivos das poesias sobre a cidade colonial e barroca da Região das Vertentes são o descanso merecido em férias com sua primeira esposa Lilia, além da amizade que conquistara como escrivão de Polícia Civil e poeta. Tudo indica que Luiz Mourão Ratton e Geraldo Guimarães ou o convidaram ou tiveram de alguma forma um contato prévio, de tal modo a concretizar a ida de Milagre a cidade dos hinos e dos sinos. Não se encontrou documentação comprobatória nesse sentido. Na verdade, nos guiamos hipoteticamente e às apalpadelas, até que um dia famílias e documentos nos ajudem a montar melhor o mosaico das experiências e viagens de Milagre pelas nossa Minas Gerais, rica em fragmentos identitários como aponta Ave, Palavra de Guimarães Rosa (1961). Quanto ao estudo da Mineiridade no Fórum da Modernidade, disse ainda certa vez Rosa, em “Ave, Palavra”, na Revista Manchete,( 24 de agosto de 1957, p. 1159-63), referindo-se a “memória longa” de Minas  e ao conceito de memória7, questionando sobre o modus vivendi do mineiro – ‘Se são tantas Minas, porém, e contudo uma, será o que a determina, então, apenas uma atmosfera, sendo o mineiro o homem e estado minasgerais?8
Sobre mineiridade e modernismo, há interessantes trabalhos de Ave, Palavra de Guimarães Rosa (1961), Wander Miranda (2009), Helena Bomeny (1994). Para Miranda, a poesia dos poetas mineiros modernos é a poesia do Reesvaziado enquanto partilha dos paradoxos da modernidade tardia. Bomeny, em artigo “Modernos e modernos”, em sua obra Guardiães da razão: modernistas mineiros, sintetiza com êxito o equilíbrio construído na tensão tradição-inovação na sabedoria dos mineiros, baseando-se em Weber e Brubaker: “warm pasion and a cool sense of proportion” (1994, p. 190). Crê-se que aí está o que T.S.Eliot chamava de senso histórico sem o qual nenhum poeta conquista diferentemente a tradição, reinventando seus antecedentes dos ossos dos poetas mortos. Silviano nos alerta de que devemos nos abstrair da leitura eurocêntrica de T. S. Eliot. Esse conselho nos é útil para analisar a poética milagreana, que incorre por vezes na visão de sua cidade e memória coletiva no viés eurocêntrico, principalmente na sua obra de ruptura: Gomos da Lua (1963). O valor dessa obra está no fato de que desassocia, paulatinamente, da antiga tradição do soneto camoniano, para ariscar-se no novo desafio: escrever em versos livres sua história e a história de sua cidade.
   
3). “Poesias de Divinópolis” de 1955-1970, última parte de A Igreja de João XXIII (1986, p. 43-49) consta de três poemas, selecionados em ordem decrescente, a começar com “Divinópolis”, de 1970; “Feliz Aniversário” de 1947 e “A Ajuda do Céu”, de 6-5-1955.
No poema “Divinópolis” dos anos 1970, mais de 100 mil habitantes na cidade, o olhar clínico do micro-e-macro-espaço-tempo geográfico e político é analizado, com simplicidade e profundidade, nesse poema de Milagre. O poeta discute as contradições sobre a cidade-novo, cidade-povo, que cresce ou “exsurge” paradoxalmente é denunciado no texto. Assim, o ufanismo modera-se e é retemperado ou questionado à luz do cruzamento de horizontes antagônicos e antitéticos como a modernização da cidade e seus trilhos, comércio e empresas de um lado, e, de outro, a marginalização dos pobres em seus bolsões de pobreza na terceira estrofe; a favela da “Laginha que engatinha”, já na primeira estrofe; na periferia do bairro pobre do Catalão, de “pé no chão” na segunda estrofe:

Cidade fulge
Na industriaria/ (...)
Na siderurgia (...)
Surge e exsurge
Na estudoria.
Mas engatinha
No alto Laginha.

Cidade malho
Trabalhadoria
Tarefa calo
Comercioria
Beleza salta
Na praçaria;
Cidade-não
De pé no chão
No catalão.

Cidade-novo
De povo novo
Sem bitolia,
Povo que a sorvo
Não admite
Paternaria
Do próprio esforço;
Sozinhamplia
Transformaria;
Mas da pobreza
Geme a dureza.

Cidade forte
Aspira muito
Celebra a arte
No amanhã-dia,
Já sem Laginha
Que engatinha,
Sem catalão
de pé no chão (1986, p. 45-6)
 
Assim, as cidades é sempre plural em termos de memória coletiva das diferentes temporalidades que as engendraram no passado e no presente de suas gestões urbanas ou processos de sua modernização, implicando demolições, como é o caso de muitas cidades mineiras, inclusive Divinópolis  . São muitas as temporalidades esquecidas e híbridas. Elas aparecem como histórias não contadas de um tempo que se fez passado e volta como mal do arquivo. E a sua incidência no presente vem inquietar a historiografia oficial cristalizada nos livros e manuais onde a verdade parecia única e adormecida. Desacreditamos do mito da origem, criamos a ilusão do paraíso para falar da harmonia do Deus que caminha no jardim etério e intocável de felicidades; criamos o caos e a Babel para explicar a nossa dificuldade de aceitar a diversidade cultural e étnica.
Diferente dessa dialética de “Divinópolis”, de 1970; Milagre cai na tentação ufanista para enaltecer a terra natal em “Feliz Aniversário” de 1947, esquecendo-se da desigualdade social e econômica da cidade. Esse texto, cronologicamente, vem primeiro que aquele. Com disse certa vez, Mário Alves Coutinho : “O ser mineiro é ambivalente: posiciona-se, oposiciona-se e sintetiza-se; é conservador e progressista. E a tradição implica uma nova releitura como invenção do novo.” Assim, crê-se que a poesia é um espaço de transcendência da mineiridade em sua relação multifária de uma Minas do passado e a Minas do Porvir, ambas, sem dúvida míticas para a poesia como “linguagem do indizível”. Ainda porque o universal se nos chega pelo regional e vice-versa! A mineiridade poética encontra em Milagre uma de suas possíveis expressão de criatividade, uma modernidade ora com um pé na tradição e o outro na modernização da paisagem arquitetônica, já refletida intensa e angustiadamente no seu poema.

Deus te faça soberana,
A sonhadora sultana
De toda Minas Gerais.
Pra isso é que trabalhamos,
Aos filhos recomendamos
E o fizeram nossos pais.

 E o poema “A Ajuda do Céu”, de 6-5-1955, Milagre mantém o mesmo tom de “Feliz Aniversário” de 1947, ou seja, o ufanismo localista se associa ao legado moral do cristianimo, que é a condição pela qual se associa o material com o espiritual no progresso da cidade. Há uma forte centralidade do religioso para historicizar a grandeza da cidade, desde sua origem e a fé no Espírito Santo, nos anos de 1950. Vê-se nos poemas posteriores, o poeta angustiado com a dispersão desse legado e o discurso tende a mudar na temática, pois também o mundo e a sociedade sofrerão modificações de toda ordem e novas contradições, desta vez do desenvolvimentismo, da ditadura, da globalização: a cidade se modernizará e novas (in)exclusões se darão pela circulação no espaço urbano e na periferia; a expansão desordenada, a explosão imobiliária ao lado da favelação crescente, enquanto a cidade se tornará comecida como palco de grifes e confecções de impulso exportador.

A importância do poema “A Igreja de João XXIII” evidencia a abertura da Igreja com dois papas: João XXIII, Cardeal Ângelo Roncali, que se tornou o Papa da paz e dos pobres (28-10-1958 a 1963) e ele convocou as reformas pastorais e litúrgicas do Concílio Vaticano II, e o Paulo VI, que deu continuidade ao concílio desde 1963. A missa pode ser rezada no vernáculo ou idioma pátrio, embora ainda seja o latim a língua oficial da Igreja católica. Leigos e leigas participam diretamente das ações litúrgicas. O mundo não é mais visto como ameaça à fé cristã, que deve ser fermento na massa. No Brasil, destacou-se Cardeal Hélder Câmara, arcebispo da Bahia, pelo seu heroísmo em enfrentar abertamente e criticar a ditadura como proteger e defender os que foram perseguidos. Paulo Evaristo Arns escreve Brasil Nunca Mais, contra a tortura e violências da ditadura como um dos piores estigmas contra o povo brasileiro.
Milagre, leitor da Imitação de Cristo, enfatiza que novos ares chegaram às igrejas e às religiões para que os homens superassem o racismo e intolerância, procurassem a justiça como melhor caminho da paz. Ele chama a lição ao século XX como “semântica ladainha” ao lado do século de assaltos e guerras, uma dura contradição, tecnologia e miséria, lado a lado. (1986, p. 10)
Milagre aproveita esse opúsculo para inscrever-se como o primeiro poeta ministro extraordinário da Eucaristia nos anos 1970 e 1971, indicado por Pe. Vicente Evaristo, quando foi vigário da Catedral, e o bispo era Dom José Belvino do Nascimento. O poeta, então, escreve o poema “Ministro da Eucaristia”: “eu subir ao altar/ hóstia aos outros entregar./ eu – sub- vim ao altar/ à hóstia-cristo me entregar.” (1986, p. 17) E no poema “O Irmão dos irmãos”, Milagre confessa, em 1965, a dificuldade de viver o evangelho como “sinuca-de-bico” ainda que peça Cristo: “Salvador, pusestes-me na arena/ entre feras humanas.” (1986,p. 19)
Em o “Ecumenismo 1966”, Milagre destaca um encontro entre o Frei Miguel e um diácono batista Nilo Maciel. Essa ação foi possível pois estava fundamentada na perspectiva ecumênica do Vaticano II e o diálogo religioso das igrejas e religiões. Paulo VI procurou mantinha intercâmbio com Athenágoras, da Igreja Ortodoxa, e o arcebispo anglicano Michael Ramsev.
Nas orelhas do livro O Melhor da Antologia: Convite à Navegação Sem Rumo! (2010), reconstitui a fundação da ADL, tão conhecida dos acadêmicos e contextualiza a iniciativa, a idealização e a participação de Sebastião Bermfica Milagre na noite de 08 de junho de 1961. Dados esses que são confirmados na ata de fundação da Academia Divinopolitana de Letras (em anexo). Nesse conjunto de informações dessa antologia , cita-se:
O poeta Sebastião Bemfica Milagre, exercente da prosaica profissão de escrivão de polícia, à tarde, passava pela Farmácia Campos, situada na rua Goiás, em frente ao antigo Cine Arte Ideal, sempre parando com o proprietário, farmacêutico José Maria Álvares da Silva Campos, para uma breve tertúlia a dois, às vezes a três ou quatro, se passava uma conhecido também afeito à arte de versejar. O Sebastião, mais jovem, olhando  o outro pelo prisma de sua poesia, (...) sugeriu a criação de uma academia. Ideia aceita. Com pouco o duo virou tíduo com a adesão do jovem advogado, mais aplaudido da cidade, já cognominado “Patativa de Divinópolis”. Foi lembrado o nome do poeta Jadir Vilela de Souza, mas este, bancário, estava distante.  (...) [Este] gostou da idéia e se fez logo o capitão da empresa. De modo decidido, marcou uma reunião dos quadro pioneiros para tomar uma diretiva. Ficou acertado reuniram-se na residência de Sebastião Milagre, esquina de rua Paraíba e a Av. Getúlio Vargas, contra-esquina da Praça de Esportes do Divinópolis Tênis Clube, na noite do dia 08 de junho de 1961.

 Essa citação é importante como decisão política da fundação da ADL e sua composição inicial, incluindo o poeta Sebastião Milagre como seu idealizador. Dos fundadores, apenas está ainda vivo Jadir Vilela, que fora aluno de sonetos de Sebastião Milagre. Morreram, na seguinte ordem: José Maria Campos, Milagre em 1992, Carlos Altivo em 13 de junho de 2009.
Em artigo do Jornal Divinópolis, de 28/92/92, p. 02, Carlos Altivo como professor de Economia Política escreveu o artigo “A morte do poeta maior”, enfatizando:

Habitualmente os poetas vivem é pelo coração. Do mesmo coração, por quem tanto viveu, morreu nosso poeta maior. Sebastião Bemfica Milagre. Divinópolis, uma cidade tão pobre culturalmente falando, ficou mais pobre ainda com a morte deste sue filho querido.  (...) sem ostentação, simples de atitudes e rico de beleza moral. (...) Seus livros publicados, seus versos, forma e serão sua maior propaganda, colocando-se como nosso poeta maior. A tragédia do intelectual provinciano é se considerar auto-suficiente. Embalado pela fama considera-se o único, um monstro sagrado. Passa a ter a visão universal e esquece as coisas locais. Não participa em nada da sua cidade. Como se fosse vergonha ter um berço cultural humilde. Com o tempo, torna-se um estranho no ninho. Seu conhecimento, sua cultura, tudo é para uso externo, dos outros. Nunca para o seu povo, sua gente. Sebastião Milagre foi o contrário de tudo isto. Um dos fundadores da Academia Divinopolitana de Letras, toda a sua grande obra foi feito dentro dela. Prestigiando sempre o que é nosso. Era, por isto mesmo, preso ao torrão natal, às coisas de Divinópolis, como aqueles irmãos Karamazoviski, de Dostoievski.

A partir de seu ponto de vista, Carlos Altivo alude ao momento inaugural da ADL:

Há muitos anos, José Maria Campos, Sebastião Bemfica Milagre, Jadir Vilela de Souza e eu fundávamos a nossa Academia. Dois já se foram. De minha parte, Sebastião, já estou de espera. Recomendações a São Pedro. Breve, pela fatalidade das leis da Biologia, pedirei carona na cauda de um cometa e, no céu, certamente se Deus quiser, juntamente com os outros companheiros que se foram, faremos mais uma animada reunião da Academia. Até breve.

O local da primeira reunião e ata foi na moderna residência de Milagre na Rua Getúlio Vargas; a casa não existe mais, cedendo à construção da atual Praça de Esportes do Divinópolis Tênis Clube. No Álbum de Família (2010), pode-se ver esta residência de Milagre.
Atualmente, a Sede da Academia Divinopolitana de Letras está sediada no Prédio da Estação Ferroviária da EFOM – Estrada de Ferro Oeste de Minas, estilo neoclássico, inaugurada em 31/04/1916, com o tráfego das bitolas de 1,00 e de 0,76 metro. Salas e repartições internas tinham belas paisagens regionais pintadas nas paredes, as quais foram descaracterizadas por reformas feitas pela concessionária, FCA – Ferrovia Centro-Atlântica. O prédio desativado foi comodatado com o poder municipal, destinado a abrigar entidades culturais e órgãos da Secretaria Municipal de Cultura de Divinópolis.
(TAVARES; MERCEMIRO, 2010, p. 142)

Nesse antigo prédio, funcionara a antiga Praça da Estação Henrique Galvão, um dos nomes com que fora nomeada a cidade como Vila Henrique Galvão, hoje situada atrás do Pronto Socorro de Divinópolis, no centro da mesma cidade.  Esse prédio é um dos poucos que sobreviveram às demolições constantes desde 1960. Com o Museu Histórico de Divinópolis, a Praça da Estação Henrique Galvão é um dos monumentos tombados pelo patrimônio histórico e cultural do município de Divinópolis, em Minas Gerais.
Esses fatos nos remetem à História da cidade e cultura de Divinópolis no início do século XX como a cidade que nascera dos trilhos no centro-oeste mineiro, enquanto a vida e obra de Sebastião Bemfica Milagre integram parte significativa da fundação da ADL nos anos 1960.
     
Segundo as atas da ADL e as correspondências da mesma academia, Milagre participava ativa e fraternalmente das reuniões. Zelava pelo bom andamento da ADL. Pode-se enumerar algumas das atividades que fizeram e faz parte da agenda cultural da ADL, em que Milagre contribuía pontual e criativamente: ciclos de palestras mensais; concursos literários diversos. Concursos internacionais de sonetos e de trovas. Concurso nacional de crônicas; criação do Museu Histórico e do Prêmio Cidade de Divinópolis; Edições de antologias e anuários (a primeira antologia sob organização de Milagre Mar, todas as águas te procuram : contos, crônicas e poesias em 1962, deferida na primeira presidência, exercida por Gentil Ursino Vale, advogado natural de Resende Costa); Encontro de Academias de letras; a realização de reuniões abertas à comunidade divinopolitana e saraus em parceria com associações de classe.
     
4). O poema “O viaduto das Almas” na BR Beagá-Rio, citado em Doador de Sangue (1990, p. 17).
 E no poema “Rede Mineira de Viação: Azurita”, citado em Doador de Sangue (1990, p. 18).
E no poema “Vou-me Embora” cita Itaúna, que aparece em Doador de Sangue (1990, p. 19). Nesse poema, registram-se: Belo Horizonte, Azurita, Mateus Leme, Barra do Paraopeba, São João de Del-Rei, Uberaba.
E o poema “Congonhas” de Aleijadinho, citado em Doador de Sangue (1990, p. 19) e sua continuidade em “O Artista dos Profestas”, citado em Doador de Sangue (1990, p. 22).
 “Pirapora”, citado em Doador de Sangue (1990, p. 23).

E a Bueno de Rivera residia em Belo Horizonte no poema “FUT/ESPORTE”, todos em O Viaduto das almas (1986). Ao investigar a NOVA BIBLIOTECA PRÁTICA DA LINGUA PORTUGUESA (SP: Grecco e Mello, 1985), descobriu-se que Bueno de Rivera pertencia à geração de 1945. Ele escreveu o Mundo submerso em 1944, o Homem Sismógrafo com temas coletivos e o Itinerário de Ângela, seu amor. Esse tema da morte da mulher amada é encontrado em vários poetas mineiros desde o romantismo e na literatura universal, inclusive em Camões a Poe .
 Juiz de Fora é lembrado por Milagre em Pão de Sal (1966):

Vai, trovinha, a Juiz de Fora;
Lá, um destino terás:
Ou a turma te decora,
Ou vais descansar em paz.  (MILAGRE, 1966, p. 59)
Em Divinópolis, Milagre promoveu a educação de seus quatro filhos, sendo que Antônio Weber Natividade Milagre mora no Rio de Janeiro, é poeta e engenheiro químico, com 65 anos de idade em 2010; José Olinto Milagre, médico em Pará de Minas, com 61 anos de idade; Sebastião Bemfica Milagre Filho, com 63 anos de idade em 2010, comerciante da “Pluspel Embalagens Ltda.”, Rua Pernambuco, 862, Centro de Divinópolis, fones: (37) 3221- 1588/3214 - 6860. Paulo Rodrigo Natividade Milagre, poeta, advogado pela FADOM e avaliador de imóveis, acadêmico da ADL, com 55 anos de idade em 2010. Paulo R. N. Milagre tem seu escritório “Paulo Milagre Imóveis”, na Av. Paraná, 450, Centro, fones: (37) 3212 – 2777 ou 8803- 2777.
   
   
   

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BIBLIOGRAFIA DO CORPUS

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J B Pereira
Enviado por J B Pereira em 29/06/2012
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