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QUE É HAICAI GUILHERMINO?
 
O almoço já estava no fim quando alguém lamenta a falta do Sr. Guilherme de Almeida.
_ Ele está às voltas com os "haicais", informa o inconfundível secretário.
_ Que é "haicai"? _  pergunta admirado Ulisses Paranhos.
O secretário perpétuo olha para todos os lados para ver e todos estão prestando atenção, eleva um pouco a voz e, compassadamente, sorrindo, diz esta brilhante frase de espírito:
_ "É iguaria fina da mesa intelectual japonesa".
Oliveira Ribeiro Neto dá uma tossidinha pretenciosa e conhecido acadêmico-jornalista comenta com ironia:
_"Muita gente ainda vai ter dores de barriga".
_ Que é "haicai"?
È uma poesia genuinamente japonesa. Adapta-se tão bem ao português como nós nos adaptamos a comer arroz com dois pauzinhos.
O Sr. Guilherme de Almeida, entretanto, jura que ela foi feita especialmente para nós. Inacreditavelmente afirma:
_ "Navio Negreiros" de Castro Alves, "O Meiro", de Guerra Junqueiro, ou "Ouvir Estrelas", de Olavo Bilac, podiam ser reduzidas, sem perder o seu valor, a um simples "haicai". 
O haicai tem três versos apenas. O primeiro de cinco sílabas, o segundo de sete e o terceiro de cinco.
Há pouco durante uma conferência e perante numerosa assistência, aquele poeta recitou diversos "haicais" de sua autoria. Eis um deles:

"Noite. Um silvo no ar.
Ninguém na estação. E o trem
Passa sem parar".


Interessante seria concluir com este verso bem brasileiro.

_ De que cor será o bigode do foguista..."

 

(Do livro "Trailers: Instantâneos da Vida de Rua" de Adelino R. Ricciardi (1909) - Escritor e jornalista contemporâneo. Nasceu em São Paulo. Reuniu as melhores de suas crônicas sempre plenas de fino humorismo no mencionado livro.


Notas Importantes sobre as personalidades mencionadas nessa crônica:
Guilherme de Andrade de Almeida. Nasceu em Campinas, São Paulo, em 24 de julho de 1890, foi excelente advogado, jornalista, crítico de cinema, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Filho de Estevam de Araújo Almeida - professor de direito e jurisconsulto - e de Angelina de Andrade. Faleceu em São Paulo, a 11 de julho de 1969.
Ulisses de Freitas Paranhos. Nasceu em São Paulo (SP), a 15 de abril de 1885, filho de Manuel de Freitas Paranhos e D. Carolina Júlia Pereira Paranhos. Fez os estudos preparatórios em São Paulo e Buenos Aires, no Colégio Lacordaire. Formou-se em Medicina pela Faculdade da Bahia e doutorou-se pela do Rio de Janeiro. Vasta a sua bibliografia, tanto de obras de Medicina, como de Literatura. Faleceu em São Paulo (SP'), a 9 de outubro de 1954.
Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro Netto. Nasceu em São Paulo, em 20 de janeiro de 1908, foi diplomado em letras e em ciências jurídicas e sociais pela
Faculdade do Largo de São Francisco, promotor público, juiz,
adido cultural do  Itamarati, membro e presidente da Academia Paulista de Letras, jornalista, crítico literário, escritor, poeta e tradutor brasileiro. Faleceu em São Paulo, em 1989.

Abílio Manuel Guerra Junqueiro. Nasceu em Freixo de Espada à Cinta em Portugal aos 17 de setembro de 1850, foi bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Faleceu em 7 de julho de 1923, em Lisboa, Portugal.
Antônio Frederico de Castro Alves. Nasceu em Castro Alves, Bahia aos 14 de março de 1847, foi um poeta brasileiro. Nasceu na fazenda Cabaceiras, a sete léguas da vila de Nossa Senhora da Conceição de "Curralinho", hoje Castro Alves, no estado da Bahia. Faleceu em Salvador, Bahia aos 6 de julho de 1871.
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac Nasceu no Rio de janeiro/RJ aos 16 de dezembro de 1865, foi um jornalista e poeta brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Faleceu na capital do Rio de janeiro aos 28 de dezembro de 1918.

Haicai ou haikai = Termo japonês que designa um pequeno poema de origem japonesa, de grande delicadeza, de difícil realização por que obriga o poeta a um grande poder de síntese. Disposto em tres versos de 5, 7 e 5 sílabas poéticas.
 


O Haicai Guilhermino
      Sobre haicais diversos que aqui aparecem, devo dizer que o pouco que sei aprendi com o saudoso poeta, escritor e contista, Eno Teodoro Wanke. O Haicai é uma forma poética muito comum no Japão, já existente lá há uns seis séculos, segundo o Eno. Veio para o Brasil onde conquistou muitos adeptos. No Japão o haicai é mais limitado, devido a peculiaridade da língua e onde a rima é excluida. É formado de três versos de cinco, sete e cinco sílabas fônicas...
      No Brasil o haicai é feito de diversas maneiras. Usa-se, às vezes, como um poema curto, seria aí apenas um sinônimo, como no verso abaixo:

 Nas noites que saímos
 Fomos juntos ao cinema
 -- mudamos nossas vidas. (ex.meu)
  
     Há os que fazem poemas de cinco, sete e cinco sílabas, a que chamam, arbitrariamente, produto de haicai...
     Mas para os poetas brasileiros, em sua maioria, é mais interessante o "haicai guilhermino", porque Guilherme de Almeida estabeleceu para o seu haicai, regras fundamentais da seguinte maneira: --- Haicai é uma forma fixa de versificação, composta de três versos de cinco, sete e cinco sílabas fônicas respectivamente. O primeiro verso rima com o terceiro. No segundo verso, há correspondência entre uma rima interna iniciada na segunda silaba com a da iniciada na sétima sílaba. Assim, copiando Eno no seu haicai guilhermino que achei mais interessante:

  " O sol apressado,
  espalha a doirada toalha
  sobre o chão molhado."

  Porém, eu só sei até aqui neste ponto.
Obrigada e espero que entendam o objetivo deste meu texto, que é uma simples homenagem ao Eno, esteja onde estiver...
 
Esta pesquisa , imediatamente acima, encontrei na escrivaninha da Recantista Victoria Magna.

 
Trailler = Vocabulário inglês para designar a síntese dos principais episódios de um filme, esboço ou apanhado geral de um romance. Algo instantâneo.
 
Maria Madalena de Jesus Gomes
Enviado por Maria Madalena de Jesus Gomes em 08/04/2014
Reeditado em 24/03/2018
Código do texto: T4761336
Classificação de conteúdo: seguro

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