Anágua

Se me queres do lado ou do avesso,

Eis que desço do salto que calço

E no encalço forjado de um terço,

Rezo o apreço tão alto e tão falso.

Depois valso o sereno tardio,

E sorrio o meu riso sem cor.

Sinto a dor de um veneno sem brio,

E um vazio no siso em torpor.

Meu senhor sempre está lá em cima,

Seja em mim, seja nelas, que importa?

Minha porta será, pois seu clima,

Sua rima a canela mais torta.

E eu qual morta no cacho de acácia,

Pura audácia da horta de baixo.

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Meus primeiros passos em "Cançao de amigo", Voz lírica feminina.

Amargo
Enviado por Amargo em 09/04/2008
Reeditado em 16/01/2009
Código do texto: T938866
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