Passagem do tempo
O tempo corre, fluindo sem demora,
Rastro invisível em marcas no semblante,
Um dia sol, no outro já se aflora
A névoa fria em passos hesitantes.
As folhas caem, o outono se anuncia,
No espelho a vida em traços se desvela,
Memórias dançam na melancolia,
Enquanto o agora ao longe se rebela.
Mas há no tempo um rastro de ternura,
No olhar cansado, a chama ainda acesa,
A voz da alma, eterna arquitetura.
Pois tudo passa, e em sua correnteza,
Se o corpo esvai-se em sombra e espessura,
O amor persiste além da correnteza.