AFINAÇÃO
Começo num diálogo no escuro,
como quem mal conhece a direção,
tateando o porvir, incerto e puro,
onde possas viver minha expressão.
Distraído, em súbito, transfiguro
o que era ruído em exaltação,
torno todo arredor, antes obscuro,
num mar primordial de criação.
Ergue-se um claro tom mais simbiótico
— e, para minha estupefação, um cântico! —
como fosse a vida um tributo hipnótico;
onde estes cantos fluem, já remotos,
pra ofertar, quase último romântico,
toda a lírica de uma flor de lótus.