Estéril
Cruel sentimento de tão dorido
Que feito o ácido, à alma corrói;
Amor estéril que nada constrói
É aquele que não é correspondido.
Nas franjas do peito jaz escondido
Nem mesmo a mão do tempo o destrói,
Impossível aos olhos, a alma dói
Só manifesta-se em tristes gemidos.
Se faz-se impossível e inexorável
Só causando dor, lamentos e espanto
E quem, dele padece, é miserável.
E se não há promessas de acalanto
E o luto se torna inevitável
Protesta a alma em copioso pranto.