Soneto ao Vento
Ontem à noite, você visitava meu sonho,
e a solitude contornou-me sem piedade,
no peito, um manto de um tempo bisonho,
no olhar, a silhueta agressiva da saudade.
Eu tão triste, desorientado em sua fala,
que em repetição, se espalhava pelo ar,
mas minha voz, taciturna e tão calada,
não conseguiu te seguir nem te alcançar.
Eu te escutava, na escuridão, em quietude,
como quem sente o oceano sem mergulhar,
detido entre a aflição do amor e da virtude.
Deste modo segui, sem voz para te amar,
um encarcerado perpétuo do teu vento,
que me tocou, mas não quis me esperar.