Soneto ao Vento

Ontem à noite, você visitava meu sonho,

e a solitude contornou-me sem piedade,

no peito, um manto de um tempo bisonho,

no olhar, a silhueta agressiva da saudade.

Eu tão triste, desorientado em sua fala,

que em repetição, se espalhava pelo ar,

mas minha voz, taciturna e tão calada,

não conseguiu te seguir nem te alcançar.

Eu te escutava, na escuridão, em quietude,

como quem sente o oceano sem mergulhar,

detido entre a aflição do amor e da virtude.

Deste modo segui, sem voz para te amar,

um encarcerado perpétuo do teu vento,

que me tocou, mas não quis me esperar.

Samira Vilaça Araújo
Enviado por Samira Vilaça Araújo em 22/03/2025
Código do texto: T8291546
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