Palavra
Estava na ponta da língua e caiu;
ao chão foi. Sumiu. Que lástima!
A que caiu não foi a tal que fugiu;
desencantou-se; fez-se de vítima.
Quando dela se precisa, não vem;
quando roda a boca, não se quer.
Palavra com vontade própria tem;
diferente de tudo, como é aluguer.
A imagem está lá; a palavra, não.
Dá nos nervos, ataca o coração.
Só retornará quando der na telha;
virá do nada, a luminosa centelha.
E onde mesmo seria empregada?
Ah, maldita, malvada, sua folgada!