Palavra

Estava na ponta da língua e caiu;

ao chão foi. Sumiu. Que lástima!

A que caiu não foi a tal que fugiu;

desencantou-se; fez-se de vítima.

Quando dela se precisa, não vem;

quando roda a boca, não se quer.

Palavra com vontade própria tem;

diferente de tudo, como é aluguer.

A imagem está lá; a palavra, não.

Dá nos nervos, ataca o coração.

Só retornará quando der na telha;

virá do nada, a luminosa centelha.

E onde mesmo seria empregada?

Ah, maldita, malvada, sua folgada!

René Henrique Götz Licht
Enviado por René Henrique Götz Licht em 26/02/2025
Código do texto: T8272849
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