JURAS SUFOCADAS
A noite, quando exala nostalgia,
entrega-me ao calvário desumano
de atravessar, em sonho, a galeria
e amenizar a sede do cigano.
A inspiração, parceira na agonia,
marcada pelo sal do desengano,
às vezes me socorre e me alivia,
acolhe o desespero, o grito insano.
Rabisco juras, canto o sentimento,
imerso na saudade e, assim, enfrento
as dores da pungente solidão.
No entanto, aos poucos, domo o desatino,
restauro a lucidez e não termino
mais um soneto escravo da ilusão...