SONHO TOLO
Depois de tanto tempo deslumbrado,
recebo indiferença e, sem conforto,
mergulho o sentimento quase morto
no devaneio, servo do passado.
A angústia me flagela e sigo, absorto,
em busca do que foi dilacerado,
vasculho escombros, pois o meu pecado
é persistir no itinerário torto.
A solidão assombra e vem, funesta,
dizer que não preciso do plangor
e nem do sonho tolo, fugidio...
Os traços da alegria que me resta
recusam mesmo o açoite do amargor
e nas memórias doces me alivio...