Névoa

Desejara eu ser nuvem, suave e distante,

tão-somente vaguear no índigo do infinito,

ser silhueta que baila no céu tão bendito,

e o vento acalentar meu sonho constante.

Flutuar sem direção, sem carga ou medida,

escorregar tranquilo por valeiros e montes,

beijar o cenário, mergulhar-se nas fontes,

e à brisa, conceder os tais enigmas da vida.

Não ser detento da superfície nem memória,

largar para trás o que aprisiona e consome,

nuvem que desdenha do tempo e da história.

E no fluido céu, em que coisa alguma me tome,

residir sem questões, sem aversões ou vitória,

ser apenas conceito que ao mundo não some.

Samira Vilaça Araújo
Enviado por Samira Vilaça Araújo em 01/01/2025
Código do texto: T8231689
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