Névoa
Desejara eu ser nuvem, suave e distante,
tão-somente vaguear no índigo do infinito,
ser silhueta que baila no céu tão bendito,
e o vento acalentar meu sonho constante.
Flutuar sem direção, sem carga ou medida,
escorregar tranquilo por valeiros e montes,
beijar o cenário, mergulhar-se nas fontes,
e à brisa, conceder os tais enigmas da vida.
Não ser detento da superfície nem memória,
largar para trás o que aprisiona e consome,
nuvem que desdenha do tempo e da história.
E no fluido céu, em que coisa alguma me tome,
residir sem questões, sem aversões ou vitória,
ser apenas conceito que ao mundo não some.