PÉTALAS DOCES

Ao devorar, no teu jardim, o sumo

que escorre desta rosa adocicada,

o despudor me enleva e, então, perfumo

tantos delírios, sem querer mais nada.

Maravilhado, um beija-flor emplumo

e nutro, nesta lânguida jornada,

o apelo da volúpia, perco o prumo,

disperso em meio à seiva derramada.

Meu passarinho, tonto de euforia,

resvala sobre pétalas, alcança

a exultação buscada quando, enfim,

servido do banquete, denuncia

o transgressor servil à intemperança

que sabes despertar, querida, em mim.