DESCALABROS

Exumei de minhas poucas entranhas

Parcas forças de arrostar o presente.

Desamparo fúnebre de alma carente,

Martirizadas visões, agourentas, sanhas.

Ressuscitei em labirinto de artimanhas

Provendo de pudor o ser onipresente.

Descalabro lúgubre de cabal incidente,

Mortificado prenúncio de torpes façanhas.

Imunei minhas tristezas assaz frívolas,

E minhas alegrias contidas sorriram,

E versos saíram em rimadas fábulas.

Revolvi cálido mais uma vez, e sucumbiram,

Adejou solene lá bem longe com auréolas,

Brevidades cruéis sonhadoras, sumiram.

Cesar de Paula
Enviado por Cesar de Paula em 29/06/2022
Reeditado em 10/07/2022
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