PRECONCEITO GORDURAL &+
PRECONCEITO GORDURAL I – 29 DEZ 2021
Existe grande ênfase hoje em dia
por conservar-se o corpo em esbeltez,
pessoas a esforçar-se, mês a mês,
a disfarçar o quanto o espelho via;
afirmam médicos que a gordura causaria
males do coração e diabetes por sua vez;
variada série de moléstias mesmo lês
que a obesidade cruel nos causaria!...
Contudo, eu vejo o noticiar constante
da morte dos atletas, prematura,
levada a vida isenta de gordura...
A morrer em pouca idade, não obstante
e até na juventude... e não te ilude!
Esbeltos morrem com perfeita saúde?
PRECONCEITO GORDURAL II
Houve épocas em que muita magreza
indicava qualquer doença perniciosa;
quem recorda aquela AIDS temerosa
sabe desta ocorrência com certeza:
os afetados emagreciam com presteza,
sua esbeltez em nada a ser formosa,
sendo evitados como gente perigosa,
sua moléstia adquirida mesmo à mesa!
Devido anteriormente à tuberculose,
preferência se dava sempre à robustez;
óleos de Rubens o demonstram claramente,
embora doenças como a toxicoplasmose,
aparentassem a enxúndia que ali vês,
embora fossem só inchaços realmente!
PRECONCEITO GORDURAL III
Mas durante a Idade Média, a humanidade
passou períodos de fome desgastante,
os magros a morrer em breve instante,
os gordos só a passar necessidade!...
Em resultado, sobreviveram a essa idade,
enquanto os magros morriam e doravante
somente os gordos levavam a raça avante,
magros que estavam, mas sem mortalidade...
E dessa forma, são os nossos ancestrais,
sua tendência a nos legar da obesidade;
forçar assim a esbelteza é um desatino,
desde que não engordemos por demais,
porém vivamos com mais naturalidade,
a barriguinha aceitando por destino!
PRECONCEITO GORDURAL IV
O resultado da presente pandemia
é bem o oposto do que deveria ser,
as pessoas em suas casas a prender,
todo o exercício confinado sofreria!
Quem costumava caminhar dia após dia,
ficou a teclar no celular sem se mexer,
mas o organismo insistia no comer
e facilmente o seu peso aumentaria!
Agora que os controles afrouxaram,
há tanta gente gorda andando pela rua!
Alguma robusta até se mostra nua,
sem vergonha de que suas carnes aumentaram!
Sem nem querer frequentar academia,
o preconceito a desafiar sem agonia!
PRECONCEITO ORBITAL I – 30 DEZ 21
Embora saibamos que existe a rotação,
continuamos a pensar no movimento
do Sol, da Lua e do estelar em regimento,
que o Sol nasce no Oriente em ocasião
e se põe no Ocidente, esta é a impressão
que nossos olhos nos dão e o sentimento
sobremaneira influencia o julgamento,
mesmo que ocorra de fato a oposição.
A Terra gira em seu eixo pelo espaço,
do Oeste para o Leste é que persiste,
não é o Universo a mover-se neste traço,
mas permanece irracional nossa noção
do dia e da noite a mente nos insiste,
sem que da Terra a se mover sejam função!
PRECONCEITO ORBITAL II
Mas mesmo aceitando a fala da ciência,
só o fazemos de forma intelectual
e reagimos da maneira emocional,
que seja o Sol a nascer em sua potência,
por mais que disso exista divergência:
que o Sol mantém o seu posto individual
e a Terra é que se move, o irracional
quer os astros a mover-se em convergência!
Lá no fundo se conserva o pensamento
tal e qual nos ensinou Ptolomeu:
Copérnico só foi publicado após sua morte
e Tycho-Brahe deu à imagem novo alento,
ao afirmar que o Sol ainda é um servo teu,
embora dos demais planetas guie a sorte!
PRECONCEITO ORBITAL III
Fala-me agora, bem honestamente,
bem lá no fundo de teu coração
acreditas nessa terrestre rotação,
sem que a percebas por um só momento?
Se a Terra se movesse, que portento!
Todas as coisas sofreriam comoção,
muito mais que terremoto em plena ação:
tudo é contrário ao nosso julgamento!
E no entretanto, é a Terra que se move,
Não que o Sol permaneça sempre imóvel,
que também ele se projeta pelo espaço,
mas por mais que a Astronomia te comprove,
fica essa dúvida que seja a Terra móvel,
pois te conserva tão firme em seu abraço!
PRECONCEITO DA MARÉ I – 31 DEZ 21
Caso você resida à beiramar,
estará bem acostumado com a maré;
no cinema e na tevê bem fácil é
avistar-se a baixamar e a preamar;
mas não percebes que não é o mar
que se move contra a terra em sua sé;
esta se lança, em oposto à tua fé,
ou a que teus olhos possam contemplar.
A Lua atrai somente oceanos para si
e não atrai por igual os continentes,
ficam os mares parados no lugar
e é a rotação que move a terra para ali,
por mais estranho que pareça aos assistentes,
não pode a Lua nossa rotação parar!
PRECONCEITO DA MARÉ II
Honestamente, será um tanto assustador
perceber que a água não se lança,
mas que é a terra que para ela avança
e interrompe o momento propulsor
das marés e o toma em seu pendor;
firme o conserva e jamais dele se cansa:
difícil compreender que seja mansa
essa maré que percebemos em fragor,
mas as coisas nunca são o que percebes:
é individual a nossa percepção
e sempre achamos ter plena razão,
até que as provas por demais recebes,
e mesmo assim meio te sentes ofendido,
ao te provarem como estavas iludido!
PRECONCEITO DA MARÉ III
Do mesmo modo, a ilusão do fim-de-ano:
calendário está de há muito defasado,
há vários dias foi o ano terminado,
já ingressamos em Janeiro sem mais dano;
há vários séculos o calendário Gregoriano,
pela precessão dos equinócios afetado
vem a tornar-se vários dias atrasado,
se bem não tanto qual foi o Juliano.
Porém fazer novamente a correção
precisará de um consenso em multidão
de nações por vasto esforço da ciência;
César podia determinar em ditadura,
também Gregório a proclamar palavra pura,
mas que poder exerce hoje tal potência?