SONHO

SONHO

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Nas tardes deste outono langoroso

Que passa desprendendo estas folhagens

Eu canto os lacrimais meus, desditoso,

No vão destas tristonhas paisagens! ...

 

As folhas se evolam em voo lutuoso

Levadas pelo vento em suas planagens;

E, eu, a observá-las, amargoso,

Adejo nas tristezas, nas paragens...

 

Sou triste como as árvores sem vida

Assim, feito a paineira ressequida,

Fincada nos umbrais desta campina...

 

Permito-me a tristeza nestas horas,

Mas, sonho com as flores nas auroras,

Orvalhos e com aves de rapina...

 

 

Arão Filho

São Luís-MA, 24 de julho de 2017.