Meu Sonho

Sonhei que te via bela, mais bela do que de costume.

Sonhei que te via rindo a me olhar um olhar de fresta.

Sonhei que te via livre, sem amarras, grilhões ou tapume.

Sonhei que te via seguindo e onde passavas virava festa.

Era um sonho, querida, o sonho da minha vontade.

Era um sonho com a menina de preto pano vestida.

Era um sonho da busca própria de tua pouca idade.

Era um sonho a reencontrar tua liberdade perdida.

Mas de tanto sonhar acreditei na imagem de ti criada

Sem o preto vestido, sonhada agora, completamente nua

Tua alma sonhava assim jogada nesta encruzilhada.

Por caminhos incertos de mata virgem e de terra crua

Sonhava teus pés que andavam sem guia e sem pegada.

E só fiz acordar na irrealidade à qual quisera que fosse tua.