Os boêmios

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Os boêmios

Quis Deus que fossem dos gitanos, sempre,

das mãos, a face maculada e torpe.

O embuste fino e mui certeiro e a sorte

dum povo errante, injustiçado e quente.

Quem diferente disso pensa, mente.

É fanfarrão, dissimulado e torto.

Distorce a vida peregrina e, morto,

não sente a lâmina voraz do dente.

Linhas da mão de beberrões tropilhas.

Despreocupados, de estroinices pulhas.

Por vocação, liquidez é partilha.

Nômades, sentem, da esmerada agulha,

golpe certeiro da tortuosa trilha...

Que nunca finda nessa vida impura.

Nijair Araújo Pinto

Iguatu/CE, 9 de outubro de 2014.

11h36min

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Nijair Araújo Pinto
Enviado por Nijair Araújo Pinto em 26/06/2017
Reeditado em 27/06/2017
Código do texto: T6038176
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