SONETO DA BATALHA DE CADA CORAÇÃO

Eu perdi o seu amor em triste tarde,
que ora em mim não se põe jamais e chora.
E parece um calmante que devora
a vontade que n'alma tanto me arde.

Se eu fizesse num átimo um alarde,
e você percebesse que me ignora,
e me desse o que tanto em mim aflora,
deixar-me-ia de ser assaz covarde.

E, no entanto, já o sinto bem dormente
e calado, aceitando, meio torto,
neste canto em pulsar paralisante.

E muito antes, batia deslizante,
encantado no instante, nada morto.
Porque sempre lutava pelo ingente.