EMPUXO

Numa antítese do dia o céu se faz noite fria,

No mesmo palco de estrelas que se negaram à luz

Por que jazeu pela noite a nublada poesia

Sem iluminar a alegria dos versos feitos de cruz?

Qual seria o verbo a se aliterar nas esquinas

Da mulher tão menina na noite a vaguear?

Na nudez das calçadas a se despir em orgias

Como se o tempo amputado lhe pudesse voltar...

Se sofrer o sofrimento sem o acertado sentido

De poder reverter-lhe dores já em convulsão,

Fosse ao menos um rascunho ao cativo destino

No empuxo corrente duma grande paixão...

Que na dor das esquinas a vida lhe ceda um dia

Só estrelas colhidas, ainda que dum céu de ilusão...

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Nota da autora: em homenagem às belas estrelas das telas fictícias .