SONETO DO VINICIUS DE CEM ANOS
Oct 20 at 10:33 PM
É discutível a história do plágio (Camões também citava coisas assim...), mas vale a informação.
Soneto da Fidelidade, publicado em 1941, talvez seja o poema mais amado de Vinicius de Moraes. E, entre seus versos, “Eu possa dizer do amor (que tive) :/Que não seja imortal, posto que é chama/Mas que seja infinito enquanto dure" são possivelmente os mais amados entre seus leitores... Vinicius buscou inspiração no verso "L'amour est éternel tant qu'il dure" (o amor é eterno enquanto dura) do poeta francês Henry de Régnier em seu "La Lune jaune" - belíssimo tanto no original francês quanto na adaptação de Vinicius. O nosso poetinha era genial até quando cometia um plágio (?), privilégio a que podem permitir-se os deuses...
Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.
Em homenagem aos 100 anos do nascimento de Vinicius de Moraes
Citação PARA REGNIER E VINICIUS
Genin
De citações a sabedoria enriquece seu rebento
e tece seu entendimento ecoando sempre, e tanto
que mesmo em face de repetir o dito de um santo
vale menos o dono que o contido pensamento
E' que a História vive não só do original momento
mas também de espalhar experiência e canto
martelando do dono ou do danado seu riso ou pranto
em persistente parto de nascer contentamento
Quanto mais a vivência busca o futuro
mais ela repete o já vivido por alguém
assim a palavra que digo não é só minha
E meu amor amolece se é só e sem ninguém,
não há posse imortal da chama de vida se sozinha
pois o instante de amor dura o tanto que duro ( puro! )