Soneto da Revelação


Somente nos reflexos da sua retina
poética que ele vê a solene imagem
que, impávida, se impõe sobre a neblina,
mas indistinta entre o real e a miragem.

Rabisca forte, então, o verso que assina
todo e qualquer desvario da mensagem,
pois um poeta, por utópica rotina,
não herda do homem a timidez da linguagem.

Esquecendo sua bagagem na estação
do real, toma assento no outro trem,
que corre pelos trilhos da inspiração...

E conta neste soneto (para alguém),
que é o homem, de olhos secos de ilusão,
que, de versos vãos, faz um poeta refém. 


Santiago Cabral
Enviado por Santiago Cabral em 21/02/2012
Reeditado em 21/02/2012
Código do texto: T3511876
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