Lua Escura
Vou falar, tão somente da lua,
que tão nua num céu, acontece.
Que na prece não sente, cultua
o que a rua no véu de cipreste
se enaltece sem medo aparente:
esta gente que chora a granel!
Na Babel, dum segredo semente,
anda rente, quem mora em papel
sem ter mel a tão frio rochedo
em levedo transtorno, lá fora.
É que agora, sem brio e azedo,
não tão cedo o suborno da hora
a deflora em luar mais baldio,
no vazio brilhar sem contorno.