Lua Escura

Vou falar, tão somente da lua,

que tão nua num céu, acontece.

Que na prece não sente, cultua

o que a rua no véu de cipreste

se enaltece sem medo aparente:

esta gente que chora a granel!

Na Babel, dum segredo semente,

anda rente, quem mora em papel

sem ter mel a tão frio rochedo

em levedo transtorno, lá fora.

É que agora, sem brio e azedo,

não tão cedo o suborno da hora

a deflora em luar mais baldio,

no vazio brilhar sem contorno.

Amargo
Enviado por Amargo em 17/03/2009
Código do texto: T1490640
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