Pala e Meia
Em teu seio o repouso; és meu dom desde então.
De antemão já te aviso: há mais vida no vento!
Teu alento eu preciso, assim, tal qual refrão,
Da canção que ora eu ouso, tomar por sustento.
Se me atento a tua face, o olhar tão mais liso
Eis que piso em macio, em tais flores eu pouso
E em repouso sorrio; és presente ao sorriso...
Que o juízo me enlace, seguir-te eu já ouso...
Quero um pouso em teu colo; a pureza qual rio,
Que o vazio de um verso, uma sombra que passa,
Brinda taça que verso: és a dama, em meu brio,
Casario em meu solo, uma flor que trespassa...
E faz praça, por rua; és meu som, meu reverso,
Universo, és tu nua: oh, repouso, em meu veio!
Para Eliane, como sempre...