Não é um soneto

Mostrei-lhe os meus caninos sem motivo.

E alheio ao que restou de um verso mor,

No estado das palavras, tão sem pressa,

Figuras de uma língua de outros dentes,

Revivo, o que outras vidas de abandono,

Em morte, e espera anexa, não quiseram.

E, se essa escrita dorme sem contextos,

Carentes, são uns verbos que estanquei.

Qual dono de outra pobre escala inútil,

Quem eram meus sonetos, nesta história?

E os textos, tão ocultos, já não lidos,

Qual rei se enfrenta puro e sem curvar?

É fútil, pois compor um verso estranho,

Sem glória, rima ou sonho, por estrofe.

Amargo
Enviado por Amargo em 06/02/2009
Código do texto: T1425404
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