Não é um soneto
Mostrei-lhe os meus caninos sem motivo.
E alheio ao que restou de um verso mor,
No estado das palavras, tão sem pressa,
Figuras de uma língua de outros dentes,
Revivo, o que outras vidas de abandono,
Em morte, e espera anexa, não quiseram.
E, se essa escrita dorme sem contextos,
Carentes, são uns verbos que estanquei.
Qual dono de outra pobre escala inútil,
Quem eram meus sonetos, nesta história?
E os textos, tão ocultos, já não lidos,
Qual rei se enfrenta puro e sem curvar?
É fútil, pois compor um verso estranho,
Sem glória, rima ou sonho, por estrofe.