Calígula
"Calígula" é uma peça escrita por Albert Camus em 1938. Esta encenação a que assisti ontem é dirigida por Gabriel Vilela. O papel do protagonista é interpretado por Thiago Lacerda. Está sendo apresentada no teatro do SESC (Pinheiros) em São Paulo.
Algumas considerações sobre o texto: na loucura do imperador romano rondam assassinatos, incesto, luxúria, corrupção, sedução. Tudo de ruim reunido em um único ser. Caius ouve as vozes das atrocidades, mas não pára. Sabe que a maldade é imortal e atemporal.
A interpretação de Thiago Lacerda é primorosa. Ele parece querer arrancar sua própria língua, quando sente o gosto do sangue de todos que matou ou mandou matar.
Encenação moderna, com recursos inusitados como o rolo de papel pardo, o guarda-chuva, os potes de tinta. Mas o texto original é mantido. E nada mudou desde o apogeu e a decadência de Roma.
Uma frase vale mencionar, de tão precioso texto: "Em vinte anos um senador não se transforma em trabalhador". Atual, oportuno.