O JARDIM SECRETO, livro
O JARDIM SECRETO, livro
Miguel Carqueija
Resenha do romance infanto-juvenil “O jardim secreto”, de Frances Hodgson Burnett. Ciranda Cultural Editora e Distribuidora Ltda., Jandira-SP, 2019. Tradução: João Sette Camara. Título do original em inglês: “The secret garden”. Capa: Fabiana Faiello.
Este é um dos melhores livros que eu já li, assinado por uma autora inglesa (1849-1924) que migrou para os Estados Unidos em 1900. Eu já havia assistido as duas versões cinematográficas (a de Coppola, 1993, e a animação de 1994), ambas ótimas, porém há mais coisas no romance.
A edição da Ciranda Cultural é caprichada, com capa lustrosa, e a ilustração de Fabiana Faiello é genial.
A história gira em torno de Mary Lennox, de 9 anos, que vivia com seus pais na Índia (então colônia britânica) e que, órfã por causa da epidemia de cólera, tem de ir para a Inglaterra, para a casa de um tio que ela não conhecia. O ambiente lhe é totalmente estranho, o tio ausente, e o casarão repleto de mistérios: um jardim secreto onde era proibido entrar, adultos rabugentos, um choro que todo mundo fingia não escutar...
O romance é fascinante, envolvente, e desvenda um mundo onde os adultos são severos demais com as crianças e as enchem de regras. A administradora da propriedade, Senhora Medlock, é uma figura antipática e autoritária, que não quer contar a Mary (e nem quer que alguém conte) a existência de seu primo Colin, tido como inválido e que fica quase todo o tempo em seu quarto, sendo dele o choro misterioso que Mary escuta.
Mary não é apresentada de forma simpática; desprezada pelo pai, “que sempre estivera muito atarefado e doente também”, e pela mãe, “que jamais havia desejado uma filha” e a entrega aos cuidados de uma aia. Mary cresceu “doente, birrenta e feia”; a aia e demais criados “a obedeciam e faziam todas as suas vontades” e em consequência Mary, “ao completar 6 anos, era a porquinha mais tirânica e egoísta que já existiu”. Aliás, nem sabia se vestir e calçar sozinha.
Apesar disso, ao ter de enfrentar o novo ambiente, ela irá se transformar e, aos poucos, será a heroína da história, apoiada pelo garoto Dickon, e será ela o instrumento da redenção do menino mimado Colin, que é tratado quase como um doente terminal.
Leitura excepcional, uma obra-prima da literatura universal.
Rio de Janeiro, 14 de março de 2025.