O "ESPINHO NA CARNE" DO APÓSTOLO PAULO.

INTRODUÇÃO:

 

Ao longo dos séculos, uma questão tem instigado historiadores, teólogos e cristãos:

 

O que significava, de fato, o "espinho na carne" que tanto afligia o Apóstolo Paulo?

 

Teria sido uma doença física debilitante... uma limitação psicológica... um tormento espiritual... ou seriam as incansáveis perseguições que ele tanto enfrentava?

 

Seria possível que um dos maiores missionários do cristianismo carregasse consigo um sofrimento secreto ou... na verdade, uma fraqueza que o lembrava constantemente de sua dependência da graça divina?

 

Por que, mesmo clamando por três vezes para que Deus o livrasse dessa condição, sua súplica não foi atendida?

 

Afinal, o que essa experiência nos ensina sobre a fragilidade humana e a força que nasce das nossas próprias limitações?

 

Nesta Resenha, irei conjecturar sobre o "espinho na carne", mencionado pelo próprio Apóstolo Paulo, analisando indícios bíblicos, interpretações históricas e implicações espirituais dessa misteriosa afecção.

 

Prepare-se para uma jornada de reflexão que pode revelar não apenas um dos enigmas mais debatidos do Novo Testamento, mas também um novo olhar sobre como lidamos com nossas próprias fraquezas e desafios.

 

DESENVOLVIMENTO:

 

A referência ao "espinho na carne", o próprio Apóstolo Paulo menciona de forma literal:

 

"E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne..." (2 Coríntios 12:7-10)

 

Paulo também diz que pediu ao Senhor três vezes para remover esse espinho, mas a resposta que recebeu foi:

"A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." (2 Coríntios 12:9).

 

Para tanto, vamos analisar contingências sobre o que poderia ser esse "espinho na carne":

 

1. DOENÇA FÍSICA: Muitos acreditam que Paulo sofria de algum problema de saúde crônico. Algumas das teorias mais populares incluem:

 

       a) PROBLEMA DE VISÃO: Essa hipótese é baseada em Gálatas 4:15, onde Paulo diz: "... vos dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar." Ora, claro que se trata de um discurso hiperbólico de Paulo, sugerindo que os Gálatas, se pudessem, teriam dado seus próprios olhos a ele. Mas, e se analisarmos de forma literal essa referência esdrúxula??? Tamanha reportação do apóstolo Paulo, não seria pelo fato dele ter algum problema de saúde relacionado à visão???????

 

Além disso, em Gálatas 6:11, Paulo menciona: "... Vede com que grandes letras vos escrevo do meu próprio punho.". Mas uma vez aqui... se analisarmos de forma literal... Paulo poderia indicar nessa passagem, uma possível dificuldade para enxergar e, por isso, precisava escrever com letras grandes. Ademais, arriscamo-nos inferir mais uma conjectura: E se esse problema tivesse sido causado pela cegueira temporária que ele sofreu no caminho para Damasco, mencionado em Atos 9:8-9 e18 ???

 

Outra pista é que, em Atos 23:5, o Apóstolo Paulo não reconhece de imediato o sumo sacerdote Ananias, sugerindo que sua visão poderia estar comprometida.

 

       b) EPILEPSIA: Passagens bíblicas sugerem que o Apóstolo Paulo poderia ter sofrido de epilepsia, pois ele menciona momentos de fraqueza e visões intensas que poderiam ser interpretadas como possíveis crises epilépticas. Em Atos 9:3-9, podemos conjecturar o fato da luz intensa que fez o então, Saulo de Tarso cair, poder estar relacionada a algum sintoma de epilepsia, onde flashes de luz podem desencadear uma crise. Além do mais, a cegueira temporária pode ser um efeito pós-crise epiléptica, assim como a desorientação e a necessidade de ser guiado.

 

c) MALÁRIA: Outra possibilidade é a malária, que era comum nas regiões onde Paulo viajava. Alguns versículos podem inferir que ele possa ter contraído essa doença. Em Atos 13:13-14, induz que, em Perge, João "abandonou" Paulo e Barnabé. E se isso ocorreu porque Paulo deva ter ficado gravemente doente na Panfília, uma região conhecida por ser infestada por mosquitos transmissores da malária naquela época????

Em 2 Coríntios 12:7-10: A "fraqueza" mencionada, pode estar relacionada a uma doença recorrente como a malária, que provoca episódios de febre intensa seguidos por extrema fadiga. Em 2 Coríntios 11:27-30: A fadiga extrema e os desafios físicos enfrentados por Paulo podem ter sido agravados por uma condição de saúde debilitante, provocada, talvez, pela Malária.

 

d) PROBLEMA NEUROLÓGICO OU ENXAQUECAS: Alguns estudiosos sugerem que ele pode ter tido uma condição neurológica crônica, como enxaquecas severas, neuralgias ou outro distúrbio neurológico. Isso explicaria as descrições de fraqueza e suas dificuldades físicas durante suas viagens missionárias. Em 2 Coríntios 1:8: Sugere um nível extremo de sofrimento que pode indicar que Paulo passava por momentos de colapso físico ou mental, sintomas associados a distúrbios neurológicos graves. Embora a Bíblia não confirme que Paulo sofria de uma condição neurológica, alguns versículos induzem que ele enfrentava fraqueza persistente, fadiga extrema e dificuldades visuais. As hipóteses mais fortes para essa interpretação são: Enxaquecas crônicas, as quais explicariam as dores, os problemas visuais e os períodos de fraqueza ou Distúrbios neurológicos, que podem causar os episódios descritos em Atos e Gálatas;

 

2. DIFICULDADE NA FALA: Outra teoria é que Paulo poderia ter algum problema na fala, ou seja, alguma dificuldade na articulação de palavras. Isso é sugerido por 2 Coríntios 10:10, que pode indicar que o Apóstolo Paulo escrevia com autoridade, mas sua oratória não era impressionante, o que poderia estar relacionado a alguma limitação de comunicação.

 

3. ATAQUES ESPIRITUAIS E PERSEGUIÇÕES: Outra interpretação sugere que o "espinho na carne" não era uma doença, mas sim as perseguições constantes que sofria dos opositores do cristianismo. O Apóstolo Paulo foi perseguido, apedrejado, chicoteado e preso diversas vezes. Em 2 Coríntios 11:23-30, ele lista suas às tribulações que o afligiram. Em 2 Coríntios 12:7, ele menciona que o espinho era "um mensageiro de Satanás para me esbofetear", o que poderia significar, literalmente, possíveis ataques espirituais que ele enfrentava no decorrer de seu trabalho missionário.

 

4. TENTAÇÃO MORAL OU ESPIRITUAL: Alguns versículos sugerem que o "espinho na carne" poderia ser uma tentação recorrente, talvez ligada a pensamentos ou emoções que o perturbavam. Em Romanos 7:19-20, o Apóstolo Paulo fala sobre sua luta interior contra o pecado: "... Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço."... Isso poderia indicar uma batalha interna contra algum desejo ou fraqueza.

 

5. UMA CONDIÇÃO EMOCIONAL GRAVE: uma hipótese improvável, porém possível, onde passagens bíblicas sugestionam que o apóstolo Paulo poderia ter sofrido de depressão ou ansiedade devido à pressão da sua missão e às constantes perseguições, físicas e espirituais. Ele menciona sentimentos de desespero em algumas passagens: 2 Coríntios 1:8 e 9: "... pois que fomos sobremaneira agravados, mais do que podíamos suportar, de tal modo que até da vida desesperamos. Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte...". Ou em Filipenses 1:21-24: onde enfatiza que... "O viver é Cristo, e o morrer é ganho."... Será que essas passagens bíblicas poderiam indicar um peso emocional profundo, agravado pelas constantes dificuldades que Paulo enfrentava????

 

CONCLUSÃO

 

O "espinho na carne" do Apóstolo Paulo permanece como um dos grandes mistérios do Novo Testamento. A ausência de uma definição clara sobre sua natureza não enfraquece seu significado; pelo contrário, amplia sua relevância teológica e espiritual. Mais do que uma condição física, emocional ou espiritual, o "espinho" simboliza a fragilidade humana diante da grandeza de Deus e a maneira como o sofrimento pode ser utilizado para moldar caráter, aprofundar a fé e fortalecer a missão cristã.

 

Longe de ser um obstáculo para sua obra, o "espinho na carne" de Paulo tornou-se um elemento essencial de sua jornada apostólica. Ele, que outrora se orgulhava de seu conhecimento, status e força, aprendeu a depender inteiramente da graça divina. O sofrimento, em vez de enfraquecê-lo, foi transformado em um testemunho vivo da suficiência de Deus. A resposta que recebeu em 2 Coríntios 12:9, não apenas ressignificou sua dor, mas também se tornou um princípio fundamental para todos aqueles que enfrentam dificuldades ao longo da vida.

 

A experiência do Apóstolo Paulo nos ensina que a fé não elimina o sofrimento, mas lhe dá um propósito. Em um mundo que valoriza a força e a autossuficiência, Paulo nos lembra que é justamente na vulnerabilidade que encontramos o verdadeiro poder de Deus. Ele não foi escolhido por ser perfeito ou isento de dificuldades, mas porque sua vida provava que o evangelho não é sobre glória terrena, mas sobre transformação e rendição ao Criador.

 

Assim, o "espinho na carne" do Apóstolo Paulo não precisa ser decifrado para cumprir o seu desiderato. Ele nos desafia a enxergar nossas próprias fraquezas como oportunidades para experimentar a graça e o poder de Deus.

 

Ao invés de perguntar "Por que sofremos?", talvez a melhor reflexão seja: "Como podemos crescer espiritualmente, a partir do sofrimento?"

 

Essa é a grande lição que o legado do apóstolo Paulo de Tarso nos deixa.

 

Portanto, seja qual for o seu "espinho na carne", ele pode ser o lembrete mais poderoso de que você não precisa vencer tudo sozinho. Em tempos marcados pela pressão por performances, pela concorrência por resultados, pela busca incessante por controle e vigilância... o exemplo de Paulo ecoa como um chamado à humildade e à rendição. Sua fraqueza não o paralisou — foi justamente ela que o conectou ao poder que não era dele, mas que nele se aperfeiçoava. Talvez o seu “espinho” seja invisível aos outros, talvez ele doa em silêncio… mas é nele que Deus pode operar com mais profundidade. Em vez de esconder, fuja da vergonha e abrace a graça. Porque, às vezes, é no ponto mais frágil da alma que floresce a força que nos transforma. E assim como Paulo, você também pode descobrir que o que te limita, na verdade, pode ser o que te eleva.