Resenha impressionista para "Imigrantes Poloneses no Brasil de 1891"
Este livro de não-ficção, editado pelo Senado Federal, foi escrito por um padre polonês, Zygmunt Chelmicki lá no fim do século 19. Ele tem um tom bem crítico, até azedo, é até chocante. Será que vale o meme? "Não to brabo, é que sou polaco."
O padre escreveu este relato de coisas que ele viu e presenciou. Ele tem o objetivo de denunciar as péssimas condições de vida dos migrantes poloneses nas terras brasileiras, para desmentir as falsas promessas dos agentes de imigração.
Ele já começa reclamando da viagem de navio, que ele detesta. Quando chega ao Brasil, começa a reclamar do calor. Quando vê os poloneses nos barracões de imigrantes, então, se queixa de tudo. O povo está em condições subumanas, insalubres, passando fome e sendo enganado, tanto pelo governo, quanto pelos empreendedores malandros da época.
O padre ficou uns três meses no Brasil, e esteve no Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Santos, Paranaguá, Curitiba e nas colônias interioranas onde se instalaram imigrantes poloneses. Ele descreve com vários detalhes como é a vida, os costumes, as comidas, o custo das coisas, o tratamento que os poloneses recebem.
Ele também denuncia a calamidade que é a escravidão dos africanos no Brasil, e evidencia que as condições em que as pessoas negras vivem são infinitamente piores do que as dos imigrantes. E isso que a vida dos imigrantes poloneses que ele viu já era bem ruim.
O livro tem uma parte de conclusões meio estranha, que, a meu ver, não decorre dos relatos do livro, pq ele praticamente culpa as vítimas pela situação delas. E depois do final, ainda acrescenta uma história de terror, que é a lenda do bem-te-vi (a título, talvez, de "moral da história").
O livro é uma preciosidade de relato histórico de detalhes da vida naquela época, em 1891, logo depois da bizarra proclamação da república e da abolição da escravidão. Importante conhecer.