Eu te odeio, não me deixe - Jerold Kreiman e Hal Straus

O termo borderline foi cunhado pela primeira vez por Adolph Stern, em 1938, para descrever um grupo de pacientes que não parecia se encaixar nas principais classificações diagnósticas de neuroses e psicoses.

As causas podem ser múltiplas, como genética, ambiente e traumas.

Cada border é border à sua maneira.

O vazio é tamanho, a personalidade camaleão é tão flexível que o border jamais se dará conta do que tem se não for a um psiquiatra à procura de diagnóstico. Principalmente se viver cercado de pessoas às quais ele pode mimetizar.

E digo mais, PERGUNTE ao psiquiatra "qual é o diagnóstico, doutor?" Porque se tu não fizer isso dificilmente ele falará por livre e espontâneo comprometimento e ética.

Muitas pessoas podem ter alguns traços de border sem serem border.

O border pode achar que não é border porque sente o que todo mundo, em algum momento da vida, sente.

Quando essa condição é permanente ou afeta várias áreas da vida aí sim temos um problema.

O sistema de comunicação SET-UP (suporte, empatia e verdade - compreensão e perseverança) fala sobre como lidar com o border. O que é quase impossível em alguns momentos. Basicamente é sobre concordar em discordar, acolher, mostrar que está ali e que não vai arredar o pé. Mas é difícil, as vezes a autossabotagem é tamanha que o border vai fazer de tudo pra te expulsar da vida dele. Eis o título do livro.

No mesmo instante que ama, odeia.

Por falar em instantes, eis a principal característica border, a instabilidade.

Eis o nome do transtorno. Limítrofe entre estar bem e mal, amar e odiar, confiar e desconfiar, querer e repulsar.

Não foi surpresa descobrir que Blanche Debuois, personagem de Um Bonde Chamado Desejo do autor Tennesse Williams, representa uma border. Me identifico muito com ela e tchanran! Sou border.

É interessante que há músicas diversas com o nome do transtorno, personagens representando-o, mas ele é um dos mais estigmatizados e pouco (de fato) conhecido.

O livro, escrito por Jerold Kreismann, que é psiquiatra, apresenta diversas abordagens terapêuticas e alternativas para diagnóstico.

A chave é compreender para ?curar?.

Assim como uma máquina, um ser humano border precisa compreender o que se passa consigo para encontrar as maneiras apropriadas para um tratamento efetivo; que é pra vida toda; para mudar e fiscalizar os padrões autodestrutivos.

Se eu, tardiamente diagnosticada, posso deixar um conselho é: na mais ínfima suspeita de algum tipo de desordem emocional procure ajuda PSIQUIÁTRICA.

A partir disso a luz no fim do túnel aparece, não tão branca no p&b da lente border, mas amarelada, de alegria.