Resenha impressionista para "Volto semana que vem", de Maria Regina Pilla

Li de uma vez só. O livro já me pegou no começo, pq tem um vô Stanislau.

Parecem relatos jornalísticos, de momentos nos anos 60, 70, 80 e mais. De alguma forma, eles parecem contemporâneos uns aos outros, como se representassem memórias que vêm.

A ordem em que eles aparecem é intercalando momentos de violência com momentos de vida! Acho que assim a gente sente ainda mais a maldita violência. Cada relato é um soco. Mas, ao mesmo tempo, os momentos da infância são tão mimosos.

Eu achei que foi uma forma muito bem bolada de montar o livro. Dá um ritmo intenso. Dá para as lembranças não ficarem um tempão só "na ruim".

Parece jornalismo, mas com tiradas de humor e metáforas e frases lindas!

"Essa dor tão íntima e tão pública", "uma marcha a ré na história" (indo do Chile democrático para a Argentina ditatorial), "o tosco espírito de revanche sul-americano", "os quepes que assolavam o país", "derramavam suas estrelas", "vizinhos assim são raros", "a tensão concentrada naquela porta de banheiro", "o bom jornalismo toma partido", "Quando Alice atravesa o espelho, desci do ônibus na esquina", "tentei engolir o papel, mas o medo seca a saliva", "a gatinha do edredon", "enquanto tecíamos uma substância entre nós", "foram mais de 20 anos de exílio e 8 de divã", "eram pessoas mais complexas", "da Europa veio a ideia do amor livre, termo pomposo para romper as barreiras da culpa", "pareciam não entender nada: nem a atitude do dono do bar, nem aquele país", "como lo sabes? una corazonada!".

A violência está presente sempre, mas de um jeito muito literário, não sei como descrever.

Achei lindo o artesanato das presas, incrível, parece que eu conseguia ver! E sentir o cheiro do manjericão do puchero.

Impressionante esse livro! Excelente!

Anotei coisas soltas aqui também: padres, picrato, getúlio, telefone, cebola, as presas na igreja.