A noiva oficial de Berta Ruck, resenha

A NOIVA OFICIAL DE BERTA RUCK, resenha

Miguel Carqueija

 

Resenha do romance “Noiva oficial”, de Berta Ruck. Cia. Editora Nacional, Biblioteca das Moças 170, São Paulo-SP, 1958. Tradução: Cintra Vidal. Título original inglês: “His official fiducée”.

 

Berta Ruck, autora de “O grande dilema” e “A esposa que não foi beijada”, é uma excelente romancista britânica do gênero antes conhecido como “romances para moças” e hoje é produzido aos borbotões como “romances de amor”. A diferença é que o sexo era excluído dessas histórias que geralmente culminavam no casamento (sem sexo pré-conjugal) após algum mal-entendido entre o casal protagonista.

Dá saudade a inocência daquelas histórias produzidas numa época em que não existia a tão pronunciada e avassaladora sofreguidão pelo sexo.

Em “Noiva oficial” acompanhamos o ponto de vista de Mônica Trent, uma modesta e quase paupérrima escriturária de 21 anos que trabalha na firma de William Waters, tido como um patrão duro e pouco humano. A garota divide o apartamento londrino com outra moça, veste-se pobremente e sente saudade de certo Sidney, que ela julgava amar. Ele, porém, jamais se declarara a ela. E quando pensa em fazê-lo Mônica já se encontra inesperadamente comprometida em circunstâncias inusitadas.

Por razões só mais tarde esclarecidas Waters, embora não pretenda se casar, necessita simular um noivado, durante certo tempo. Então ele propõe a Mônica “oficializar” esta situação em troca de ajuda financeira — que ela necessita desesperadamente para socorrer o irmão e a companheira de apartamento.

Mônica aceita a contragosto, apesar do constrangimento que surgirá no local de trabalho e, com o tempo, irá conhecer a família de Waters — que simplesmente a trata às mil maravilhas. Mas, como é hábito nessas narrativas, haverá óbices, o primeiro deles é que aquele trato é fictício e tem data para acabar. Mas é fácil adivinhar que, com a convivência, os dois acabarão por se amar de verdade.

Berta Ruck é minuciosa e bem conhecedora da natureza humana. É notável também como a narração é pudica, tão diferente das nossas novelas de televisão.

 

Rio de Janeiro, 5 de março de 2019.