RESENHA DO LIVRO  ARDENTIA, DE CLÁUDIO  POETA

 

                Itacaré está em festa, todos os santos estão presentes,  é sonho, é mar, é céu, é lua e luar! É sol à aquecer e também a iluminar um novo caminho, é ninho a aconchegar de mansinho aquele que veio pra ficar! Cláudio, o Poeta, percebeu isso de pronto, e de tanto se iluminar, a poesia fez moradia de vez em seu olhar. Assim nasceu esta “Ardentia”, queimando os navios no porto como fez um dia Napoleão! Portanto, não há mais volta, apenas o caminho à frente pra seguir. O caminho escolhido é permeado de conselhos, dos bons, porque quem aconselha em nome de Deus, não pode trazer a maldade no coração, pelo menos penso eu!
 

            Ardentia é descoberta, e descoberta é sempre algo que nos surpreende, que nos preenche de alguma forma aquele algo que estava vazio dentro de nós. Estar atento é o que interessa, sem pressa. E aqui nestas páginas, tudo pode acontecer, do anoitecer ao amanhecer. O surreal une-se ao real ao mesmo tempo diante de nossos olhos, como o mar que abraça o sol, soltando-o em seguida em direção ao céu azul, límpido, cristalino! Cláudio mergulhou com maestria numa viagem mágica de paixão, estonteante, avassalando o coração. Às vezes acha inspiração no vulcão atento da percepção, num exercício de leitura da alma do outro, das coisas boas do outro que ele aprendeu a amar tão intensamente. Ele é uma alma igualmente generosa, em conto e prosa. Outras vezes avisa: tem que voar, voar alto, se quiseres me encontrar! Mas sua ingenuidade de menino travesso sobressai e traz-lhe um desespero maior, ele se importa com a tristeza de outras crianças, e assim já não controla suas lágrimas, pérolas reluzentes da preocupação, e não há vergonha, e nem porque às escondê-las.
 

            Seu caminho é natural! Inexplicável até certo ponto, são os mistérios que todos trazemos dentro de si, mas por ser tão imenso, inadiável confundiu-se com a natureza que pulsa dentro de seus sentimentos, vivos, livres, renascentes. Isso faz nascer de seu ventre a afeição marcante pelos poetas amigos, aqueles que de alguma forma tocam o seu ser sensível, poético que é, o seu viver tão especial. O seu verdadeiro atestado de nobreza, a mãe natureza, se faz acompanhar em toda sua linha de pensar. Desta forma prossegue e diz, “A coragem é que valida a viagem”! um convite cativante e desafiador. O seu capricho agora é o coletivo, dividir o indivisível, sentir a vibração, banir o egoísmo, exaltar a existência com sua sapiência. Algumas vezes molha-se na fina chuva, deixando-se lavar por inteiro, renascendo dos canteiros irrigados de sonhos, brilhando em seu universo cantado em cada verso. Esta é a Ardentia de Cláudio Poeta. Permita-se de corpo e alma ao seu aquecer!
 

Ricardo Mascarenhas
Enviado por Ricardo Mascarenhas em 22/02/2014
Reeditado em 04/11/2021
Código do texto: T4702496
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