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CANAAN episódio 3: a cor da rejeição

CANAAN episódio 3: a cor da rejeição
Miguel Carqueija

Enquanto Mino só pensa em sua reportagem sobre a “coisa grande” que ele sente no ar, Canaan localiza a ele e a Maria no hotel onde se encontram (e onde Mino é obrigado a dormir no chão, pois só puderam pagar um quarto). Canaan explica que localizou Maria por causa de sua “cor gentil” (referência ao sentido sinestésico da mercenária).
A situação em Xangai, enquanto não começa a conferência da ONU sobre terrorismo, é difícil para os dois repórteres que vêm do Japão. Eles viraram alvo da organização terrorista Cobra, por causa da ligação de Maria com Canaan. Este terceiro episódio traz cenas do passado, no começo da amizade entre Canaan e Maria. Quando Canaan revela que tem uma irmã e, a uma pergunta de Maria, admite relutantemente que a ama. Canaan retira a braçadeira que usa em seu braço esquerdo e mostra a sinuosa tatuagem que parece uma cobra. O segredo da vida da jovem ninja está ali: a outra metade da tatuagem está no braço de sua irmã de criação, Alphard, que agora é sua inimiga mortal. Na Cobra, da qual é agora a líder, Alphard parece pouco inclinada a tomar represálias imediatas contra Canaan, que há pouco matou um dos seus agentes, um “borner” ou seja sobrevivente da experiência com o vírus UA, que embora jovem teve o seu metabolismo acelerado e ficou com aparência de velho, apesar da força física e agilidade mantidas. Mas seu irmão, que ao contrário ficou com aparência permanente de adolescente, pretende vingar-se de Canaan.
Para entender a sutileza e profundidade da série é preciso sentir que não se trata apenas de um seriado de ação, tiroteio e violência, mas um estudo da natureza humana através principalmente da drástica personalidade de Canaan (cuja origem parece ser a península arábica) e a maneira como ela interage com outras pessoas e reage à tragédia que envolve a sua existência.



Resenha do episódio 3 (A questão trivial) do seriado japonês de animação “Canaan” (Kanan). Estúdio PAWorks, 2009. Criação de Kinoto Nasu e Takashi Takeuchi com base em seu jogo “428: Shibuya scramble”. Direção: Masahiro Andõ. Produção: Hiroshi Kawamura, Jiro Ishii, Kei Fukura, Kenji Orikawa, Shigeru Saitõ, Yaswhi Õshima. Roteiro: Mari Okada. Música: Hikaru Nanase.
Elenco de dublagem original:

Canaan..................................Miyuki Sawashiro
Alphard al Sheya...................Maaya Sakamoto
Oosawa Maria.......................Yoshino Nanjo
Minoru Minorikawa (Mino)...Kenji Hamada
Siam.......................................Akio Õtsuka
Liang Qi..................................Rie Tanaka
Yunyun...................................Haruka Tomatsu
Cummings..............................Toru Okawa
Santana..................................Hiroaki Hirata
Hakko.....................................Mamiko Noto
Yuri Natsume.........................Junko Minagawa
Kenji Oosawa.........................Atsushi Ono
Jin (taxista).............................Joji Nakata


“Abri mão dos meus laços para poder julgá-la.”
(da canção-tema de abertura dos episódios; referência à atitude de Canaan em relação à sua irmã de criação, Alphard, que matou o pai adotivo e mentor de ambas)

“A Torre Eiffel fica muito bonita sob o sol.”
(Canaan, brincando de cama-de-gato tal como Maria lhe ensinou, a fazer a Torre Eiffel com o cordel)

“Eu posso sentir uma cor gentil.”
(Canaan)

“Esta é a primeira vez que eu saio com uma amiga.”
(Canaan)


A solidão em que Canaan vive é quebrada pela presença de Oosawa Maria, no reencontro em Xangai. Maria, que se entusiasma por pouca coisa e utiliza muitas vezes a palavra “incrível”. Ela se encabula um pouco quando Canaan faz notar isso, mas a própria Canaan, com uma gentileza pouco comum em mercenárias, observa que ela, Maria, é “incrível” (uma pessoa que busca sempre ver o lado luminoso do mundo — uma pessoa assim contagia muita gente). Canaan aceita o convite de passearem juntas e relaxarem tomando sorvete em lanchonete e divertindo-se de várias maneiras. A mercenária e guerrilheira, cuja família foi destruída pela guerra, e que hoje combate a Cobra, sente tanta necessidade de calor humano que até esquece por momentos a presença da morte que acompanha a sua vida. Esta imprudência faz com que Maria seja sequestrada no túnel do metrô pelo irmão do agente que Canaan há pouco matara num acirrado combate ao ar livre. Uma sequência dramática termina com outra morte de terrorista, porque Canaan nessa hora não é de brincadeiras.
Mas quando Canaan vai desamarrar Maria, percebe nela...
a cor da rejeição. A cor do sentimento da pessoa, como o sentido sinestésico de Canaan revela. Diante disso, a jovem mercenária dá as costas a Maria e vai embora tristemente, sem dizer palavra.
O sentido de sinestesia... a mistura de sentidos (tato, audição, visão...) que faz com que Canaan enxergue o mundo de forma diferente e mais real. O sentimento de uma pessoa lhe é facilmente revelado. Mas talvez pela primeira vez em sua curta mas tormentosa vida, Canaan entende que o ato de matar, mesmo personagens desalmados, choca pessoas pacíficas e bondosas como a fotógrafa Maria.
Sente-se aí, no encerramento deste episódio, como é pungente o drama íntimo de Canaan.

Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2019.

 
Miguel Carqueija
Enviado por Miguel Carqueija em 23/10/2019
Código do texto: T6777511
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Sobre o autor
Miguel Carqueija
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 71 anos
3063 textos (202670 leituras)
56 e-livros (5149 leituras)
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Miguel Carqueija