PULANDO DA PONTE

Era uma destas tardes de verão de um calor sufocante,céu sem nuvens,não havia nem sequer uma brisa pra aliviar aquele mormaço.Ela sentia um cansaço no corpo,na mente e na alma.Sentia vontade de está em um lugar solitário,talvez em frente a um mar revolto,onde pudesse chorar com vontade.Mas ali estava cheio de gente e as pessoas lhe pareciam todas indiferentes.Havia um abismo em torno de seus pés,por que ninguém notava?Era um ultraje sorrir,no entanto todos sorriam.E perto dali havia uma música no ar,de ritmo alegre e retumbante.Por que não conseguia sentir alegria?Por que apesar do sol está pleno no céu,o seu coração estava cheio de nuvens escuras e seus olhos cheios de água?Por que sentia frio na alma?

A ponte acabara de ser inaugurada,ainda nem fora liberada para o trânsito.Era enorme e alta,muito alta.As pessoas já deixavam o local.Ela esperou.Sentada no meio-fio,ninguém parecia nota-la.As horas passaram arrastadas,até não haver mais viva alma por ali.O silêncio imperava,o sol se escondera e começou a cair uma chuva pesada.Ela finalmente se mexeu.Olhou pra cima,para a ponte,e sorriu,agora sim.Levantou-se e caminhou devagar,subindo a ponte até a parte mais alta.Parou um pouco ali,olhando para o rio profundo que corria lá embaixo.Subiu na cerca e olhou para os lados:ninguém.A chuva engrossou e se misturou as suas lágrimas.Era o fim de tudo.Se soltou e voou pelo ar.

Ane
Enviado por Ane em 07/03/2008
Reeditado em 07/03/2008
Código do texto: T891644