AFINAL DE CONTAS, DE ONDE VÊM OS NOSSOS GOSTOS?

Você gosta de ler? E de fazer uma caminhada? Gostando ou não das duas atividades citadas, já parou para pensar no porquê disso? Por que nós temos gostos? Por que sentimos vontade de fazer certas coisas, enquanto a prática de outras nos causa repúdio? Muitos proferem sentenças como: “Você nasceu para isso!” ou “Isto aqui não é pra mim”. Será mesmo? Pressupõe-se aí que a nossa personalidade, a nossa mente, o nosso Eu estão traçados a partir do momento em que fomos concebidos. Somos como as rochas, por exemplo, que existem com características que lhes são próprias e imutáveis pela vontade das mesmas. Alguns diriam que temos um “gênio” natural, ou um conjunto de características “proveniente dos astros”. “Pau que nasce torto, nunca se endireita”, não é mesmo?

Eu discordo! Acho que as pessoas não nascem com dons ou aptidões, inaptidões ou déficits. Viemos ao mundo livres de qualquer traço de personalidade. Esta deve ser construída com o tempo, a partir das experiências que nos são oferecidas e pelas escolhas que nós fazemos quando vemos à nossa frente mais de uma possibilidade. Da mesma maneira que a personalidade como um todo, os nossos gostos são construções. A simpatia e a afinidade, bem como o desagrado e o afastamento, que apresentamos em relação a algo ou alguém decorrem de experiências prévias que tivemos com tais coisas ou pessoas. Vamos pegar como exemplo uma disciplina escolar... a Matemática. Se, ao longo do processo educacional, um aluno tem experiências positivas com a mesma, certamente irá adquirir um gosto por ela. Se, ao contrário, as experiências do aluno forem negativas, virá o desgosto. E o gosto e desgosto não são estáticos. Conforme o tempo passa, podem variar de intensidade, já que a própria personalidade de alguém é alterada com o passar dos anos. Assim é com tudo na vida. As experiências positivas nos dão prazer e as negativas nos dão desprazer. O objeto ao qual atribuímos nosso gosto não é a fonte do mesmo. No fim, tudo o que gostamos é de ter prazer, é de nos sentirmos confortáveis, de nos sentirmos bem. Tudo o que possamos atribuir a isso nos trará gosto. Por outro lado, o que nos traz desconforto e cólera causará em nós o desgosto.

Logo, não existe vontade que seja imutável. Não existe nada pelo qual não possamos desenvolver algum gosto ou desgosto. Tudo depende do fator “prazer”. Se você pretende, então, fazer as pazes com alguma atividade, ou motivar alguém a se relacionar bem com algo, precisa criar esta situação de conforto, precisa dar um jeito de colocar prazer ali. Talvez pareça um pouco difícil, a princípio. “Poxa, mas ler é tão chato!” “Nossa, mas eu odeio tanto caminhar!” Coragem! Ao menos há uma possibilidade de você agir, e isso me parece muito melhor do que aquela velha opinião de que já estamos formados.