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O que é crônica e poemas como exemplos da Olimpíada da Língua portuguesa

Sobre a crônica
Assim como o repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro. Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhes um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e criticismo (crítica e humor misturados a um senso de detalhe e observação do cotidiano ou dia-a-dia), elementos que o texto essencialmente informativo não contém.
Com base nisso, pode-se dizer que a crônica situa-se entre o jornalismo e a literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia.
A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor. Isso faz com que a crônica apresente uma visão totalmente pessoal de um determinado assunto: a visão do cronista. Ao desenvolver seu estilo e ao selecionar as palavras que utiliza em seu texto, o cronista está transmitindo ao leitor a sua visão de mundo. Ele está, na verdade, expondo a sua forma pessoal de compreender os acontecimentos que o cercam.
Geralmente, as crônicas apresentam linguagem simples, espontânea, situada entre a linguagem oral e a literária. Isso contribui também para que o leitor se identifique com o cronista, que acaba se tornando o porta-voz daquele que lê.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%B4nica_(literatura_e_jornalismo)

O depoimento do Sr. Amalf Mansutti

        “Esse cheirinho de café pendurado no vento leve conduz a meu tempo mais antigo.” Pensei ouvir bem baixinho um fiapo de uma canção napolitana e tudo veio à tona. Logo me lembrei de minha mãe torrando café, fazendo o pão, a macarronada. Bem que procuro não pensar muito para não marejar os olhos. O começo de tudo foi na Itália. De lá vieram meus pais. Fugidos do horror da guerra, acabaram por fazer a vida aqui em São Paulo, onde nasci.
      É a partir dessas lembranças que minha cabeça parece uma máquina de fabricar filmes. Recordo muita coisa. Não só do que minha mãe contava, mais ainda das que eu vivi. Lá pelos idos de 1929, com cerca de sete anos de idade, era meninoeito. Minha vida era um misto de Cowboy com Tarzan.
        Onde hoje fica o Shopping Center Norte era só mato, água e muita terra. Era lá meu paraíso. Meu e dos meus amigos: o Vitorino, o Zacarias... Vivia para jogar futebol, nadar, pescar e caçar passarinhos. Uma brincadeira de que gostávamos muito era ‘chocar o trem’. Sabe o que é isso?Era subir rapidinho no trem em movimento. Ele andava bem devagar, é claro, levando pedras da Serra da Cantareira para construir a cidade. Como tempo seu trajeto se encheu de bairros: Tucuruvi, Jaçanã, Vila Mazzei, Água Fria e mais o que há agora. Lembra aquela música do Adoniran? Tem a ver com esse trem...
          Da escola eu não gostava tanto. Não era um bom aluno, mas era esperto, vivido. Isso sim. O que acabava ajudando em muitas situações... Em um abrir e fechar dos olhos da memória lá estão a escola, o corre-corre das crianças e todos eles, intactos e em plena labuta do dia: Dona Albertina,Dona Isabel, Seu Luís, os professores. Ainda o Seu Peter, o diretor, e Seu Luigi, o servente. Quantas vezes em meio à cópia da lousa, que seguia plena em silêncio e dever, disparava um piscar enviesado para meus companheiros de time. Quebrávamos as pontas dos lápis e com o descaramento e a falsa pretensão de deixarmos todos eles apontadinhos para a letra ficar bem desenhada e bem bonita nas nossas brochuras, lá íamos nós, atrás da porta e com a gilette em punho, armar em cochichos a melhor estratégia para o próximo jogo. Tudo lorota! Meio moleque, meio mocinho, sempre dava algum jeito de arranjar um dinheirinho para ir à Voluntários, uma das poucas ruas calçadas do bairro, nas matinês do Cine Orion.
           Meu figurino era feito por minha mãe: uma camisa clara, bem limpa e passadinha com ferro de brasa. Com meus colegas ia ver o que estava em cartaz. Bangue-bangue era o melhor. Lembro-me do Buck Jones, do Rin Tin Tin, do Roy Rogers e mais uma porção daquelas bambas do momento. Também me recordo do cine Vogue e de Seu Carvalho, seu dono e operador, que, ao constatar a enorme fila na bilheteria, dizia para nós,
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garotos, com certo orgulho solene, só haver lugares em pé. Entrávamos mesmo assim. Depois de alguns minutos já tínhamos nossos lugares escolhidos e... sentados. No escurinho do filme começado, queimavam os um barbante malcheiroso que fazia todo mundo desaparecer de nosso lugar preferido. Comédia pura, não é?
          Com o passar dos anos, veio o tempo do trabalho para valer. De aprendiz de químico tornei-me o titular na fábrica de perumes dos libaneses. Fiz de tudo lá: brilhantina, rouge, pó de arroz, produtos muito usados na época. Veio também o tempo do namoro sério e, com ele, o cinema com sorvete a dois.
        Minha vida era um filme de aventuras, mais que outra coisa. Tive de vencer muitos obstáculos. E foi um bom tempo assim. Construir uma família não é fácil, mas, como se sabe, o amor sempre vence. Como nos filmes de amor, acabei me casando em technicolor  e em cinemas-cope, como um galã, com minha Mercedes, mais bonita que Greta Garbo ou qualquer outra estrela de Hollywood. Com ela comecei a frequentar o centro de São Paulo. Íamos de bonde elétrico, descíamos na Praça do Correio e andávamos de braços dados pelos pontos mais elegantes da cidade. Misturados aos carros que pertenciam a gente muito rica, estavam os cabriolés, uma espécie de carroça puxada a cavalos... Na Avenida São João, estavam os melhores cinemas: o Marabá, o Olido, com seus camarotes e frisas.Quantos filmes! O Canal de Suez, O Morro dos Ventos Uivantes ,  E  o   Ve n t o  Levou! Vejo-nos direitinho, como em um musical, indo para a cidade de bonde. O condutor, o Delmiro, mais parecia um bailarino, um Fred Astaire tropical, por conta dos trejeitos, malabarismos de corpo que fazia ao parar, descer, cumprimentar, receber as pessoas, acomodá-las e, enfim, conduzir o bonde. Era mais que um motorneiro. Esse era um Show à parte! Se bem me lembro, o cinema me acompanhou a vida inteira. Isso porque sou do tempo do cinema mudo, veja você, onde os violinos e o piano faziam nossa imaginação ouvir as vozes e sentir as emoções dos artistas que passavam rápidos nas telas.
        Depois veio o cinema falado e para nós isso era a maior e a melhor invenção. Olhando para o que se passou, constato que fui um bom frequentador das telas. Com chuva ou com sol! Até nossa primeira filha, com poucos meses de idade, não impedia nossa diversão preferida! Era nossa figurante proibida. Íamos ao Bom Retiro, ao Cine Lux. Lá eu conhecia todo mundo e sentávamos com a menina nos braços bem na última fala, caso precisássemos sair às pressas para acalmar um choro repentino. Assistimos a tantas histórias e nossa menina dormia profundamente. Quase sempre.
          Talvez por conta do trabalho, das exigências da vida, dos cuidados com a família e mesmo com a facilidade da televisão, acabei me dando conta de que fiquei muito tempo sem ir ao cinema. Engraçado, agora que estou praticamente sozinho, em consequência das perdas que a vida nos traz, o cinema volta com toda a força. Não perco quase nada do que passamos shoppings perto de casa. Tudo é mais confortável, imenso. Mas tudo é mais barulhento, apressado e real demais. Não sobra muito tempo para sonharmos. Mesmo assim, quero ir a outros cinemas desta cidade que cresceu e cresce tanto. O jeito é me armar de um celular para que minha filha não fique tão preocupada comigo, por causa dessas minhas novas aventuras cinematográficas.” Quando releio o que está escrito, não sei onde está o que o seu Amalf me contou e onde está o que projetei de sua vida em mim. Engraçado mesmo! Perdi-me nos labirintos da imaginação, onde o presente e o passado se fundem em um só desenho. A memória brinca com o tempo, como em um filme, como uma criança feliz.

FONTE: Antonio Gil Neto. Texto escrito com base no depoimento do Sr. Amalf Mansutti (82 anos) In: FONTE: CLARA, Regina et. al. Se bem me lembro... Olimpíada de língua portuguesa: escrevendo o futuro. São Paulo: Cenpec, 2010.


Entre recordações da minha terra
                                                                                                        Aluna: Emanoela Bitencourt Varjão
(Texto escrito com base na entrevista com Sebastião da Silva Passos, 74 anos, morador da Praça da Matriz, Jeremoaba – BA.) Professora: Rúbya Purificação de Rezende Carvalho Escola: Escolas Reunidas Coronel João Sá, Jeremoabo – MA

“Nasci em Jeremoabo no ano de 1934. Naquele tempo tudo era tranqüilo. Podia dormir com as portas abertas. O galo era o despertador da época, era só ouvi-lo cantar, às cinco horas da matina, que pulava logo da cama de colchão de palha, pegava o jeguinho e ia pra fonte buscar água. Quando chegava à fonte, toda cercada de árvores, ainda era escuro e o sereno caía. Descia do jegue, pegava os baldes e sentava numa pedra. Lá a visão era linda!
Ao aparecimento dos primeiros raios de sol, a água da fonte ganhava um brilho cristalino; os pássaros cantavam, as flores desabrochavam e as árvores ganhavam uma cor verdinha. A luz e o calor do sol tocavam em meu espírito como se fosse um abraço carinhoso de Deus. Aquela sensação era tão boa!
Depois disso, chegava perto da fonte e, com uma cuia de cabaça, enchia os baldes com aquela água bem clarinha. Subia no jeguinho e voltava pra casa. A estrada não era asfaltada como hoje, era de terra misturada com cascalhos e pedras; ladeavam árvores frondosas e verdejantes. Tudo era calmo, o ar era puro, não havia automóvel com motor barulhento e fumacento.
Em pouco tempo, logo avistava minha casa de pau-a-pique, no centro de um enorme terreiro com mangueiras e goiabeiras, que com suas frondosas copas faziam uma sombra gostosa. Gostosas mesmo eram as frutas! No tempo das mangas então só ficava na sombra da mangueira, pegando uma brisa refrescante, chupando manga. Chupava tanto que minha barriga estufava! Tudo isso era cercado por cercas de pau fincado na terra; para entrar abria a porteira.
Entrava na cozinha, despejava a água nos potes e na moringa, em seguida, hum... Comia o delicioso aipim cozido no fogão de trempe.
Lembro-me também de que quando escurecia entrávamos, eu e meus quatro irmãos, em casa, que era iluminada por um candeeiro, pois não havia energia elétrica. O chão era de terra, as paredes de barro, os caibros e a cumeeira eram tortos e com formato arredondado. Íamos para a sala, colocávamos as cadeiras de madeira com assento de couro no canto, sentávamos em roda no chão e meus pais contavam histórias, algumas assustadoras, outras nos faziam rir às gargalhadas. Como era bom!
Na hora de dormir, pedíamos a bênção aos nossos pais, rezávamos e, na cama de colchão de palha, caíamos no sono.
Hoje, muita coisa mudou: as árvores foram devastadas, a estrada asfaltada, surgiram novas casas e pessoas, meus pais e irmãos se foram, enfim... Quase tudo se foi, restam apenas as lembranças.”
Tudo isso dizia o senhor Sebastião, e, sem saber como, em minha mente, eu era ele, ou ele era eu? Não sei! Pois aqueles lindos lugares, que eu nunca imaginei existir, insistem em não sair do meu pensamento.”

FONTE: CLARA, Regina et. al. Se bem me lembro... Olimpíada de língua portuguesa: escrevendo o futuro. São Paulo: Cenpec, 2010.
Idas e vindas

Aluno: Jonathan Luis Kuczirca
                         Professora: Márcia Salustiano Carvalho Leão
                                     Escola M. R. E. F. Água Mansa Coqueiros, Rio Verde – GO


Moro em uma humilde fazenda.
Quando chega o vento,
bailarinas aparecem, pequeninas elas são.
São as folhas do galho,
no outono, caindo no chão.
Vejo garças voando.
Sonoros pássaros cantando.
Em altos ipês-amarelos pousando.
E meu pensamento viajando.
Mesmo com tantas belezas,
sinto muita tristeza.
Que saudade da cidade!
Em Rio Verde é só felicidade.
Brincar, ir ao rodeio,
comer pamonha, galinhada,
arroz com pequi e feijoada.
Vou ficando aqui na roça, junto com meus irmãos,
brincando, assistindo missa e batismo, estudando.
É assim que eu vivo igual a garça-branca,
sempre voando de lá para cá.
Elas poderiam me levar para outro lugar.
Deste jeito novas belezas eu iria observar






Cidademinha
Aluna: Ingrid Januário de Santana
      Professora: Ana Lúcia Pinheiro da Silva
Escola E. Professora Ana Herondina Soares Schychof, São José dos Campos – SP

A minha cidademinha
não é pequenina,
não tem burricos a pastar
e não cabe num só olhar!
A minha cidademinha
tem casa de Burle Marx,
tem parque em todo o lugar
e a Dutra por ela a serpentear.
A minha cidademinha
pesquisa meteorologia,
investe em tecnologia
e na aviação, arrepia!
Ah, minha cidademinha,
você não tem o Mário para te louvar,
mas teve o Cassiano para fazer poesias
sem sua flauta roubada nunca encontrar...


Olimpíada da Língua portuguesa
Enviado por J B Pereira em 13/01/2014
Código do texto: T4648381
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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