Os Montes das Águas

Capitulo I

Eram os anos do fim do seculo XIX, na Serra de Monchique, num sitio chamado, Recanto.

Em Monchique em todo o concelho, a maior parte das pessoas, dedicavam-se à agricultura. Sendo esta a principal fonte de rendimento da população. Quer os mais pobres, quer os mais ricos, dedicavam-se a agricultura. Os Senhores donos de propriedades, cultivavam eles próprios as suas terras, ou então arrendavam-nas aos individuos com menos posses. Estes faziam um contrato com os proprietários, pelo qual ficavam a pagar uma renda anual. Esta renda era tanto em produtos agrícolas ou em dinheiro, conforme o acordo feito. Os arrendatários geralmente, habitavam nas terras, pois havia uma habitação para eles.

No Recanto, havia muito trabalho na agricultura todos trabalhavam muito . Alguns terrenos eram de regadio outros eram de sequeiro. Mas como é evidente os de sequeiro nada ou pouco produziam. A água dos regadios, era proveniente de minas, que furavam os montes e assim iam ao encontro das nascentes de água . Na propridade do senhor Aníbal toda a família trabalhava. Era propriedade do Aníbal. Ele era um homem, alto bastante elegante de pele morena. Sua esposa era a Beatriz, mulher muito humilde muito sofredora, pois seu marido era bastante agressivo, para ela e para os filhos. Ela como todas mulheres nos tempos antigos em que as mulheres, simplesmente se calavam aos maridos, esta senhora sofria em silêncio, as iras de Anibal.Beatriz era uma mulher destemida, para o trabalho. Era alta e um pouco para o gordo. Era senhora bastante católica. Ao contrário de Anibal, que não queria saber de missas. Ele era contra o clero. Dizia ele que os padres eram um bando de falsos e que nunca iria à missa. Era um tempo, em que havia muito trabalho e ao Domingo não era excepção. Para consolar a sua alma Beatriz ia à missa, pois seu marido, não a proibia de ir. Junto da imagem de Jesus Cristo, consolava o seu espírito, fazendo as suas orações.

Numa tarde do mês de Junho, dia bastante quente, Aníbal diz-lhe:

-Beatriz! A água hoje é nossa! Tens que ir regar o milho e as batatas. Isto porque em Monchique, toda a água pertencia a várias proriedades, quer a que vinha das minas, quer a que vinha das ribeiras. Assim as pessoas tinham um ou mais dias em que a água era de cada um. Beatriz respondeu:

( Continua)

HelderDuarte
Enviado por HelderDuarte em 24/02/2023
Reeditado em 24/02/2023
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