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Y A T Z I R I S: (O Portal Do Espírito)!!!

Y   A   T   Z   I   R   I   S: (O Portal Do Espírito)!!!

EU ESTAVA NA comunidade religiosa ayahuasqueira do Santo Daime, na Amazônia. A meu lado se encontrava uma mulher jovem de origem indígena com traços que não correspondiam com contornos de rosto às mulheres de identidade com tribos brasileiras.

— Você, é a primeira vez que estás aqui??? Perguntei. Quem te falou sobre essa cerimônia!!! Curiosidade apenas???  Ela olhou-me e eu senti que havia penetrado em um ambiente interno meu. Meu negro astral no salão imenso de minha ancestralidade ainda para mim inexplicável.  Ela, de repente, não mais que de repente, sabia tudo o mais sobre mim que eu ignorava. E me mostrava.

— Meu nome é Yatziris, vim aqui numa barquinha saída da barca maior. Meu país é um lugar muito longe, após constelações distantes que nem sei como explicar.

ELA FALAVA NA “língua franca”, conhecida como “língua de contato”. Muitas populações Amazônicas a utilizam para se comunicar numa linguagem que não corresponde a nenhum dos outros dialetos falados pelos povos da floresta.

— Sou viúva e meus filhos são incontáveis. Eles habitam mundos inumeráveis. Seus pais são das mais diversas procedências. A ti pareço jovem, mas nem mesmo eu posso avaliar a minha idade real. E a minha realidade. Se te contasse os mundos por que passei certamente duvidarias de minha sanidade. As pessoas pensam pequeno, nem desconfiam das forças hidrofóbicas, e interações intramoleculares que as constituem.

O MAIS ESTRANHO estava em que ela falava diretamente de dentro da minha mente. Minha mente era uma espécie de campo vetorial associado aos espaços provenientes de cada ponto variável de informações como dizer, magnéticas provenientes da mente dela. Eu buscava respostas para o que estava fluindo e acontecendo entre mim e ela. Seria efeito da ayahuasca??? Já tínhamos ingerido a bebida e estávamos sob efeito psicoativo dela???

— São muitas as interações, disse ela, sugeridas pela ayahuasca. Os povos da floresta conhecem seus efeitos há muito, muito tempo. Ela possui dezenas de denominações entre os povos Quéchuas que habitam ao longo dos Andes. A geolingüística de nossos dialetos comunica culturas milenares e suas interações com estirpes africanas. O Egito está presente nessas etnias e seus livros de história não contam.

EU ESTAVA CADA vez mais surpreso. Afinal, aquela mulher dizia coisas que se confirmavam em meus estudos da unidade filogenética de povos do mundo que tiveram, desde os confins do tempo, um mesmo ancestral: Um Deus identificado no romance “A Um Deus Desconhecido” de Steinbeck.

AYAHUASCA VEM DO quíchua “aya” (morto, defunto, espírito) e “waska” (cipó). Cipó do espírito. Ela libera as portas da percepção que permitem àquelas pessoas que ingerem esse chá o acesso ao portal Psi da memória akásica no plano etérico da existência não-física. A fala da mulher soou dentro de meu cérebro nova mente:

— A fermentação das plantas usadas no chá é uma dádiva dos que habitam a barca interestelar maior que navega por diversos multiversos. A ciência oficial de suas universidades está presa a conceitos, ditos e havidos por científicos, mas que restringem a ampla compreensão dos recursos universais que criaram esse mundo e tantos outros mundos em planetas e sistemas solares semelhantes.

ESTARIA MESMO ESSA conversa acontecendo ou seria ela produto da imaginação fenomênica sugerida pelos efeitos da beberagem nesse templo de humildade na floresta Amazônica onde se ingere o Santo Daime??? Minha perplexa idade só aumentava.

— A ciência desse lugar chamado Terra está patinando na maionese, como vocês costumam dizer quando querem ironizar. Faltam muitas rondas para que o grau de densidade mental necessária à compreensão de o quanto é longa a jornada evolutiva que poderá um dia muito, muito distante, libertar o povo da Terra do medonho ciclo repulsivo de suas básicas, muitas e simples necessidades.

ELA FEZ UMA PAUSA no magnetismo mesmérico que destilava o verbo dentro de minha caixa craniana. Talvez para me conceder um tempo de digerir um pouco melhor suas considerações de natureza excêntrica. Logo depois avançou no que dizia:

— A ciência desse lugar evolui a passos de tartaruga, e jamais avança realmente em saber, por ser excessivamente controlada por formidáveis esquemas estruturados em obstáculos, bloqueios e adversidades vindos da mais sobrenatural profundidade narcísica, à alucinada e tenebrosa submissão à autoridade. Após pequena pausa ela continuou:

— É um mundo gerido pela soberania da falta de empatia e do arbítrio. Não há objetivos livres de investigação das leis da natureza que não seja interrompido por uma pesquisa científica que não seja produto do juízo de uma autoridade gerida por mentalidades regressivas e tacanhas. A cultura da Igrejinha!!! Ela sempre prevalece.

SUAS AFIRMAÇÕES passaram a sugerir em minha mente uma reciprocidade interativa de intenções. A meditação insuflada pelo vento da passagem em câmera lenta do tempo cognitivo a interagir na gnose universal a partir de uma infinidade de motivações que se correspondiam, explicando-se a si mesmas, impondo-se à solução de inumeráveis problemas de complexidades indescritíveis, mas que se solucionavam facilmente ao ocupar os nichos abertos no puzzle infinito de possibilidades.

OS NICHOS SE PREENCHIAM em exata geometria na matemática tutorial a solucionar rapidamente os quebra-cabeças que se sugeriam e se desvendavam a si mesmo com a simplicidade impressionante de uma natureza receptiva ao poder plástico de organização de todos os componentes de multiversos arrebatados pela simplicidade de seus complexos, mas ao mesmo tempo simples componentes.

— Você compreende, afirmou ela, como age o poder plástico da alma universal!!!

EU FAZIA PARTE desse poder ordena dor incomensurável. Mas, como fazê-lo permanecer agindo em meu carente dia a dia de percepções e soluções de problemas??? A indígena que se dizia chamar Yatiziris disse, em respostas às indagações que eu havia pensado, mas não verbalizado:

— Não fossem as interações forçadas que a ciência da grande barca sugeriu à reengenharia da tecnologia dos pequenos barcos dirigidos a seus Estados, como se fosse por magia de desastres aéreos, seus avanços “high-tech” não teriam surgido no século XX do pós-IIª Grande Guerra e posteriores avanços pós-Guerra Fria.

A PRINCÍPIO NÃO atinei aos fatos do que ela falava. Logo a intuição interativa me premiou com insights que desvelavam o véu de maia e traduziu seus significados: os objetos voadores não identificados que caíram em território de vários países tinham por objetivo trazer aos cientistas e governantes da Terra a reengenharia dos objetos que lhes contribuiria para o avanço de suas rudimentares tecnologias eletro eletrônicas.

EU ESTAVA LONGE de meus objetivos de autoconhecimento ao participar desse ritual religioso da ayahuasca. Yatiziris fazia extrapolar minhas intenções iniciais de conhecimento mais íntimo de associações genéticas com meus ancestrais. Quando ouvi nova mente a fala dela a ecoar no interior de minha mente:

— O espírito ilimitado soma poderes muito além dos saberes da Terra. Ele se sente aprisionado aos limites da carne e da cultura que o contém. Torna-se também ele dotado de limitações que são metáforas do corpo que o abriga. Nenhum conhecimento se dá a conhecer de uma vez por todas. Ele é tão somente parte de uma infinidade de conheceres que se desdobram infinita mente através da eterna mente universal.

TODAS ESSAS INSERÇÕES de informações aleatórias estavam a interferir em minhas expectativas de autoconhecimento ao ingerir a porção do chá feito do mix fermentado das plantas Banisterioplsis caapi, Psychotri viridis e Diplopterys cabreana. Eu imaginei outras possibilidades psico lógicas que repercutiriam de modo diferente em meu psiquismo. As questões pessoais e as respostas não estavam em acordo com minha expectação inicial. Yatiziris era uma mulher nativa de carne e osso e ao mesmo tempo um espírito que me desbloqueava o acesso a conhecimentos invulgares, inesperados???

O PRÓPRIO NOME dela sugeria uma fusão híbrida de mística egípcia com denominação do povo Maia. A sonoridade afirmava que nenhum conhecimento se dá a conhecer de uma vez por todas... Seria por isso que essas inclusões estavam inserindo-se fora de minha limitada expectativa original??? A voz se fez ouvir outra vez:

— A carne aprisiona o espírito às suas imperfeições. O espírito precisa dela para se manifestar. Não fosse dessa forma, como daria voz ao que sabe??? Ao que sabe da própria finitude da carne em contrapartida às revelações infinitas de que o homem é apenas uma criança lasciva sem muitas opções de salvação. Os humanos desconhecem que são usados por seus próprios corpos astrais. Os fins dos que dirigem a grande barca justificam a finitude de corpos que não poderão jamais concluir-se em seu desenvolvimento.

MINHAS IDEIAS E imaginação estavam a fluir em complemento de ato contínuo. Pensei, ou o pensamento se pensou através de mim: “a nenhum humano é dada a possibilidade de entrecruzar o Estige sem presenciar e vivenciar o desespero e a limitação das almas aprisionadas em urnas corpóreas que são sarcófagos a digerir a própria carne na qual está aprisionado”. Yatiziris em minha mente se manifestava:

— Todo movimento pessoal e coletivo de um ser, dito humano, na sociedade que limita e pela qual é limitado, gera conflitos e sofrimentos. O físico torna o corpo astral quase tão denso quanto o corpo humano. Por isso o ser, dito humano, merece toda a compaixão e piedade de quem o observa em sua jornada pelo Hades, imerso nas águas invisíveis que desembocam no Tártaro.

YATIZIRIS NÃO PAROU a peroração. Em minha mente ecoou sua voz:

— O evento que salvou a espécie, dita humana, de sua total extinção nesse lugar a que chamam Terra, foi a extinção dos deuses nórdicos, dos gigantes filhos dos homens, os Nefilins, de mente selvagem, mefistofélica e conduta violenta. Os seres humanos atuais são seus descendentes. O Dilúvio e os dilúvios menores seus precedentes, o derretimento glacial e outros desastres globais contribuíram para a extinção, quase que completa das espécies que conviviam com os seres ditos humanos. Salvaram-se os que estavam nas arcas. E alguns poucos gigantes.

O QUE ELA ME DIZIA endereçava-me ao Livro do Gênesis, capítulo seis versículos um a quatro (6:1-4).  Quando os Titãs e os olímpicos ainda habitavam a Terra. Os monumentos megalíticos comprovam a existência de civilizações pré-diluvianas. A Terra era a casa usual dos deuses, Titãs e gigantes. Os devas caminhavam simultaneamente aos descendentes das associações sexuais entre anjos com mulheres ditas humanas que geraram os filhos híbridos mencionados direta ou indiretamente em livros bíblicos. E em muitas outras cosmogonias.

A VIAGEM SOB O EFEITO da ayahuasca está mais intensamente associada à cultura do que a problemas de natureza psicológica. Ela expande a consciência e lança luz sobre conceitos e conhecimentos de muitas outras disciplinas. Mas não exclui a solução de narrativas associadas à decifração de enigmas de ordem pessoal e social.

QUANDO SAÍ DA jornada que me proporcionou a convivência subjetiva/objetiva com Yatiziris, narrei a um Xamã indígena o acontecimento de interação verbal com a mulher misteriosa. Ela não estava mais à vista quando despertei dos efeitos da dimetiltriptamina (DMT) substância encontrada no próprio fluido cerebral. O DMT é metabolizado pela enzima monoamino oxidase (MAO), daí seus efeitos não serem percebidos.

O XAMÃ ESTAVA SENDO solicitado por uma terceira pessoa, e chamou um auxiliar próximo para vir falar comigo sobre Yatiziris. A terapeuta holística Rosa Maria Moura se apresentou e na conversa explicou que o chá é usado em mais de setenta etnias indígenas na região dos Andes e na floresta amazônica.    Disse-me ela:

— Quando o DMT (dimetriltriptomina) da chacrona  (Psichotria viridis) é mixado às Betacarbolinas do cipó de mariri (Banisteriopsis caapi) a MAO (enzima oxidase) o DMT age com mais intensidade, por mais tempo e provoca reações de ampliação da consciência, percepção de realidades paralelas e até contatos com seres de outras dimensões. Essa mulher de que você fala já apareceu a outros partícipes do ritual.

— Quer dizer que ela não é real???

— Para a experiência religiosa dessas pessoas ela é real sim. Do contrário, como a teriam avistado e até conversado com ela??? O Xamã afirma que ela é uma personagem da Lenda Inca Do Nascimento Dos Andes. Tendo sido uma viúva muito pobre que vivia numa choça com dois filhos. Trabalhava demasiadamente para alimentá-los e teria sido abduzida por entidades de um universo paralelo após o afastamento deles, filhos.

— Sei, respondi, realidade e imaginação interagindo.

— Como foi sua conversa com ela. Posso saber??? Você pode me contar???

RESUMI A HISTÓRIA para a terapeuta e pensei de mim para comigo: talvez eu participe de outro ritual xamânico religioso de modo que possa, talvez, quem sabe, encontrar-me com ela de novo!!! Outra vez na companhia dela. É tudo que mais desejo nesse momento.

Decio Goodnews
Enviado por Decio Goodnews em 12/12/2020
Reeditado em 12/12/2020
Código do texto: T7133528
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Decio Goodnews
São Paulo - São Paulo - Brasil
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