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O ANJO QUE NÃO CONHECI


   Eu não conhecia Cleo, diziam que ela era tão linda! Tinha um semblante angelical e era admirada por muita gente pelo seu modo de convivência moldado pela simpatia e pelo respeito. Tinha uma certa reserva, não era de se expor muito, seu contato maior era com a natureza, com os mais necessitados, era muito vista em hospitais e orfanatos fazendo caridades, tinha um profundo amor por aqueles que sofriam ou tinham dificuldades na vida para cuidar da família.
   Filha de pais pobres dedicava seu tempo livre para a leitura, isso nas horas quando não estava na escola ou em suas visitas filantrópicas. Isso era o que as pessoas contavam nas cidades grandes e nos grandes centros populacionais, o que despertou a minha atenção. Resolvi então fazer uma visita ao lugarejo onde ela morava e vocês não imaginam a surpresa que tive.
   Cerca de três horas de viagem até a cidadezinha de Cleo, não conhecia ninguém lá, me instalei numa pousada simples e depois saí em busca de informações. O que escutei das pessoas com quem tive contato foi o mesmo que se comentava na minha cidade, fui até um dos orfanatos e tive as melhores informações dessa moça, que devia ter em torno de vinte anos. Nesse dia me informaram que ela acabara de sair e que foi uma pena eu não tê-la visto. Já era tarde para ir até a casa dela, então deixei para o dia seguinte.
   Amanheceu, após o café da manhã parti para a residência de Cleo, ficava numa área rural do lugarejo, mas consegui chegar lá depois de uma caminhada de alguns quilômetros. Fui muito bem recebido por um casal de camponeses, a humilde casa mostrava a pobreza em que viviam. Quando perguntei por Cleo eles demonstraram uma certa surpresa, assim como ficaram surpresos com a minha visita, pois dificilmente alguém ali chegava, eles que iam até o centro dessa cidadezinha quando precisavam comprar algumas coisas no armazém. Indaguei mais uma vez sobre a filha deles, o humilde senhor me apontou um retrato na parede onde a bela jovem aparecia sorridente. Agora para minha surpresa fui informado de que ela havia falecido há alguns anos e que eles não tinham conhecimento da presença dela na cidade praticando atos de caridade. "Minha filha era um anjo de pessoa" - disse o pobre homem, quase chorando junto com sua mulher. Saí dali impressionado com a história.
Moacir Rodrigues
Enviado por Moacir Rodrigues em 30/11/2019
Código do texto: T6807682
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Moacir Rodrigues
Recife - Pernambuco - Brasil, 70 anos
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Moacir Rodrigues